Abertura da temporada de escalada do Espírito Santo 2018

Aconteceu no último final de semana, dias 19 e 20, mais uma edição da “Abertura da Temporada de Escalada do Espírito Santo na cidade de Castelo, evento organizado pela Associação Capixaba de Escalada em parceria com o Lazer Furlan.

Ao contrário do ano passado, quando o evento foi bem “mirradinho”, este ano, a abertura contou com mais de 50 participantes vindos de diversas partes do Estado, além da galera do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Itália!

Com toda essa galera, nem preciso dizer que teve até fila para escalar as vias mais clássicas de Apeninos. Pode parecer banal, mas aqui no Espírito Santo, palavras como fila, compartilhar parede, encontrar gente na montanha são coisas raríssimas, dignas até de nota. Mas é claro que a fila foi um bom motivo para galera botar a conversa em dia e trocar alguns betas.

Shirley trabalhando a clássica “Castelo Ra-Tim-Bum (VI).
Sarah no movimento crux da via “Castelo Ra-Tim-Bum” (VI).
Luciola no movimento crux da via “Castelo de Areia” (7a).

Um fato interessante foi o forte vento que levou um pouco de apreensão à galera ao longo do dia. Depois, descobri que toda região sudeste do Brasil teve ventos fortes durante o final de semana, e nós também não ficamos imunes. Durante o dia, com a força dos ventos, galhos de árvores quebraram perto da falésia, assim como tivemos dois incidentes de queda de pedra na base das vias.

Fila e bate-papo na base das vias.

A noite, a concentração foi no Furlan onde a galera chegou varado de fome após um dia de escalada. Há quem diga que teve gente repetindo o prato mais de três vezes. Parece que para o ano que vem, o Andinho vai mudar o sistema de buffet livre para quilo, pois teve prejuízo. Brincadeiras à parte, como sempre, a comida estava ótima.

De barriga cheia e o copo de cerveja também foi a hora de dar aquele “bode” assistindo a palestra sobre “O panorama da Escalada Capixaba”. Uma apresentação que fiz mostrando alguns dados estatísticos sobre as escaladas no Estado. Em breve, irei disponibilizar esses dados no site também.

É claro que a noite não estaria completa se não tivesse o clássico “bingo do frango assado” sob o comando do Andinho, onde foram distribuídos, além do frango assado, os brindes dos nossos apoiadores.

Andinho cantando as pedras.
Silêncio e concentração.
Duas cartelas? Pode isso Arnaldo?
Grande prêmio da noite!
Os brindes dos nossos apoiadores.

O domingo amanheceu, mais uma vez, com bastante vento, aliás durante a madrugada as rajadas foram tão fortes que a qualquer momento as barracas iriam levantar voo. O dia começou com uma aula de Yoga ministrada pela professora Christina Cantarino e depois a confraternização ficou em torno da mesa do café da manhã, com destaque para o “bolo de vento”!

Amanhecer no camping.
Saldo da noite anterior.
Aula de Yoga.
Aquele café da manhã!
Planejando o dia preguiçosamente.

O saldo final do evento foi muito positivo! Acho que a galera aproveitou bem o evento, cada um à sua maneira, e o mais importante, fortalecendo mais um pouco o laço de união entre os escaladores.

Foto oficial!

Agora, os nossos esforços estarão voltados para o XI Encontro de Escalado do Espírito Santo que acontecerá em julho na região de Estrela do Norte, também em Castelo.

ACE

# Seis amigos e um punhado de coragem (V)

Sobre as minhas escaladas, destaque para duas conquistas que fiz com o Eric.

Essa foi a primeira vez que o Eric arrumou uma alforia de dois dias depois que o Davi nasceu, então o garoto estava uma pilha total. Parecia um pinto no lixo!

No sábado abrimos uma via em móvel em Apeninos no lado esquerdo do Totem por um sistema de fendas e lacas em arco. Eu já tinha visto essa linha em outras ocasiões, inclusive no ano passado cheguei a levar as peças para abrir essa via na Abertura da Temporada, mas quando cheguei na base da via dei uma “amarelada” e a deixei de lado. Mas esse ano não teve jeito, tive que encarar o medo daqueles blocos estranhos com passagens em lacas invertidas. No fim, a via ficou muito legal (V) e bem menos aterrorizante do que o esperado, com exceção do lance “um punhado de coragem”.

Eric pegando do bolso um punhado de coragem para o crux final.

Para repetir a via é preciso, pelo menos um Camalot #6, por isso o nome “#seis amigos e um punhado de coragem”, além de um jogo de Camalot de #1-#3 e uma costura longa para o lance do crux final.

Croqui atualizado de Apeninos. A nova via é a #16.

Última Página (6o, VIIa, D1, E2, 60m)

No domingo, após a foto oficial do evento, Eric e eu partimos para Pedra São Luís para terminar um antigo projeto que comecei com o Afeto e o Rebit em 2012 e que ficou parado após a conquista da primeira enfiada. A enfiada seguinte seria por um diedro em arco protegendo em uma fenda imaculadamente paralela e lisa, coisa que jamais vi no Espírito Santo. Se eu tirasse uma foto dali, daria para dizer tranquilamente que era em Yosemite. Como na época eu tinha apenas um jogo de Camalot não dei continuidade ao projeto e ele acabou ficando de lado.

Agora, com 4 jogos de Camalot na mochila voltamos à via para tentar terminar esse longo projeto.

Para chegar até a base da fenda é preciso passar pela primeira enfiada da via, uma aderência dura em musgo seco. Na época da conquista sofri muito para passar esse trecho. Lembro que botei a culpa na minha Coyote tamanho “pantufa” que estava usando, aliado a minha pouco experiência nesse tipo de terreno, mas 6 anos depois, com uma sapatilha mais adequada e mais experiente, descobri que o lance é difícil de verdade mesmo. Infelizmente, sequer conseguimos encadenar essa enfiada nessa investida…

Na base da via! Foto: Eric Penedo.

Já no diedro mágico, tudo que eu imaginara se tornou realidade. A fenda é perfeita e aceita muito bem as proteções, mas ela é vertical e levemente arqueada, jogando sempre o escalador para fora. Nem eu, nem o Eric conseguimos encadenar a enfiada seguinte de 20m que nos consumiu todos os Camalot´s #2 e #3. Como ficamos sem peças, optamos por quebrar o diedro em duas enfiadas, assim batemos uma parada após 20m de escalada e dali tocamos mais uns 15m até onde o diedro ficou perigosamente instável devido as lacas soltas. Assim, decidimos terminar a via por ali mesmo, até porque depois das lacas soltas a pedra fica sem fenda e agarras por mais uns 300m até o cume da pedra.

Descendo a via após os trabalhos.

Sobre o nome da via batizamos de “Ultima Pagina” porque a medida que vai escalando o diedro, ele vai se fechando como um livro, formando um ângulo menor que 90 graus, expulsando o escalador para fora cada vez mais.

Croqui da via.

Por fim, posso dizer, sem sombra de dúvida, que essa é a fenda mais perfeita que já conquistei em terras Capixabas. Ela é dura, constante, demanda muita peça repetida, mas vale cada esforço. Com certeza, entrou para linha lista “must to send”. Só espero não levar tanto tempo para voltar à via como da última vez!

Este post tem 5 comentários

  1. Finalmente finalizou essa fenda em São Luís em Japa, parabéns pra você e o Eric clássica demais mesmo ?

  2. Finalizou nada, agora tem que voltar lá para encadenar… Está só começando!

  3. Foi simplesmente iradOOOOO!!! esse evento, parabéns a todos os escaladores capixabas e a Naoki pelas conquistas em prol a toda comunidade da escalada.

  4. Valeu Fabrício! Volte mais vezes para conhecer outras regiões!

  5. O evento foi 1000! Já ansiosa pelo próximo!

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