Bah, esse é para chorar de cantinho…

Nativo na Triton 9a (br) from Rodrigo Fonyat on Vimeo.

Esses dias recebi por e-mail a release do Escablues P2 que aconteceu esses dias em Vila Maria, RS.

O evento foi um sucesso de público e pelo visto a galera está sedente pela P3.  Dentro da programação oficial, rolou numa das noite, o 1o Festival de Vídeos Curta-metragem e o vídeo mais votado foi esse dai do Rodrigo Foyat que mostra uma das lendas vivas da escalada gaúcha, o Nativo na famosa via Triton (9a) – Itacolomi.

Bom, só de ver o Nativo na via dá para ver que a via é bem específica. Não adianta ter força que a via não é de força. Não adianta ter técnica que é uma técnica específica. Você precisa entrar na via e aprender com ela. Aprender a armar o bote, aprender a dar aquele bote, a entrar embaixo do teto sem agarra, sair do teto e ainda sobreviver naquele diedro cedo e míope. Enfim, uma via completa com crux do começo ao fim. Vendo assim o Nativo fazer até parece um 9a fácil, mas só parece…

Eu acho que a via Triton é um ícone da escalada esportiva gaúcha. Entrar nela é mergulhar um pouco na história da escalada gaúcha. Aliás, o Itacolomi é o berço da escalada esportiva gaúcha e a Triton o ícone máximo do lugar. Por lá passaram grandes escaladores (Sr. Edgar, Guili, Giachin, Leo, Duca, Cony, Elton…). Basta chegar no “colo” e respirar a história. Aliás, são muitas as histórias.

A minha começou lá em 1995. A primeira vez que eu vi e ouvi falar dela foi pela televisão. O Elton Fagundes fez uma matéria para a TV no Itacolomi falando da Triton que naquela época era graduada em 8c e era considerada a 2a via mais difícil do estado!!!!! A via mais difícil era a via Filhote de Moso, graduada na época em 9b (atualmente um 9c sólido)

Tempo depois conheci o “Ita” e a famosa via Triton. A via sempre estava lotada com alguém malhando a via em top-rope. Naquela época quase ninguém ousava entrar guiando naquela via com medo de empacotar naquele bote sinistro.

A via era tão mistificada que a primeira vez que entrei nela, eu entrei com o Daiti na maior “camufla”. Um dia fomos para o Ita com o objetivo de bivacar por lá, esperamos todo mundo descer no final do dia e ai nos montamos um top para malhar a via sem ser visto. Acho que foi mais por vergonha do que por qualquer outra coisa. Se não me falha a memória, nesse dia obtivemos bastante sucesso na via. Conseguimos fazer vários lances “impossíveis” como armar o bote e ficamos super-contentes!

Tempos depois entrei novamente na via, mas dessa vez sem se esconder. Nesse dia o Nativo, esse daí do vídeo, me passou vários betas essenciais da via e consegui finalmente isolar todos os movimentos dela.

E tempo depois, em 30 de agosto de 1998, após 4 dias (intercalados) de trabalho finalmente saiu da kdna. Na verdade não me lembro bem desse dia. Lembro vagamente que a via estava molhada e tive que colocar umas trouxinhas de gaze nas fendas para segurar temporariamente a água e que o Mockey ou o Nery estava na minha segue.

E hoje depois de 13 anos ver esse vídeo com o mesmo Nativo de sempre na via dá um enorme saudade daquela época de ouro…

Bons tempos…

Este post tem 5 comentários

  1. WTF?! Realmente parece ser assustador….nunca imaginei algo assim! o.O

  2. É… que bom ler isto…. difícil não parar para ver o “Bãckes”…
    Legal mesmo.
    Quando quiser aparecer, sinta-se em casa!

  3. … detalhe das expressas na parede.

    ( ele já tinha entrado antes… eu é que não fui).

  4. Porra que via IRADA, do jeito que eu gosto quanto mais exxxcrota melhor, hehehehehehe…

  5. Muito massa o post!
    Esta filmagem foi numa finaleira de domingo (colo lotado!), chegando do Morro da Palha, depois de escalar todo o fim de semana… todo mundo acabado e o monstro entra na Triton… hehehe

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