Pico da Canastra

Canela - RS

Alt. 740m

Como chegar

Saindo de Porto Alegre suba à serra gaúcha como quem vai a Gramado/Canela. Basicamente há duas opções: (1) Sair pela BR-116 até o viaduto de acesso a Estância Velha, tomar a BR-239 passando por Sapiranga, Parobé e Igrejinha (via RS-115) até Três Coroas; (2) ou sair pela RS-020 até a cidade de Taquara para acessar a BR-239 e logo em seguida a RS-115 até Três Coroas.

Em ambos, após passar pela cidade de Três Coroas (RS-115), em direção à Canela, fique atento a uma placa para Linha Café que fica depois de cruzar um rio.

Zere o odômetro ao sair da rodovia. Siga pela principal (asfaltada) por 3,4km até chegar numa pequena rotatória. Tome à direita pela estrada de chão até cruzar o rio. Assim que cruzar o rio, no entroncamento, tome à esquerda (4,1km) . Siga pela estrada e no próximo entroncamento (5,3km) pegue à esquerda. Logo à frente, entre à direita (5,8km).  Siga sempre pela principal subindo a serra até o entroncamento (12km). Tome à esquerda no entroncamento e siga por mais 3km (15km). A essa altura o Pico da Canastra pode ser visto à direita.

A entrada do refúgio, bem escondido, fica em frente à pedra, logo depois de uma propriedade grande. Se estiver andando à noite é fácil de passar desapercebido.

O GPS do Google Maps, quando manda fazer o traçado até o refúgio, costura fazer uma outra rota que passa por estrada de chão em condições piores. 

A trilha de acesso às vias começa bem na entrada do refúgio. No outro lado da estrada, há uma cerca com fita (branca e vermelha). Siga a trilha da fita branca até chegar na pedra. Para acessar as vias Bugio Solando e Ronco do Bugio, siga pelas cordas fixas assim que encontrar a pedra. Para a via Porca Troia, siga a trilha da fita vermelha. A aproximação dura, em média, 10 minutos de caminhada.

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  • Refúgio Canastra

01- Aerubu urubservando

No dia 27 de agosto de 2011, eu (Alexandre Altmann) e o Filipe Hartmann repetimos a via “Aerubu urubservando” do Carlos Wolf.

Fizemos a via com a grande ajuda da descrição detalhada das 7 enfiadas que está disponível no site do Bridi (http://www.yoolerehihi.com/punkrockclimbing/) – sem essa descrição ficaria bem difícil encontrar a linha da via (é uma descrição sem o… croqui). E, mesmo com a descrição detalhada, foi necessário o “faro” e um pouco de sorte para achar a linha da via!

De modo que entramos a vista, sugerimos a graduação em 5, VIIa, E4, 7 enfiadas, 160 metros.

A maior parte da via transcorre em 5grau.

A primeira enfiada tem trechos de rocha podre, com apenas 3 proteções em 25 metros (sugerimos E2, protege num pino e dois friends em geodos). A parada é uma equalização de um grampo e uma nut – bomba!

A segunda, um 6a bem protegido, com grampos e friends, apenas uma passada exposta para costurar no segundo pino (E2). Atenção para a P2, que tem os dois grampos bem espaçados – 1,5 metros na horizontal um do outro.

A terceira é uma 5a com um trepa mato e um diedro de 5sup para chegar na parada, bem protegida.

A quarta é 4grau na saida, bem protegido, mas com uma dominada de mato ruim, mas que protege logo abaixo.

A quinta enfiada é um 6a. Atenção para achar a saída dessa enfiada: NÃO É PELA ESQUERDA, NEM PELA DIREITA, que podem enganar! Nem na esquerda (um diedro), nem na direita (parede vertical e bonita) tem onde proteger. A saída é reto para cima, numa aresta meio negativa: as fendas que cabem peças pequenas (camelot #0.3) estão logo acima dessa aresta. Depois das peças pequenas tem uma parede vertical com passadas de 6a e um esticão de uns 5 metros. Quando terminar a passada, dá pra proteger denovo com um camelot 0.3 numa fendinha na esquerda e daí pega pra direita dominando um platô de mato. Travessia sem proteção nesse platô até chegar embaixo de uma árvore maior (é a parada). Ficamos em dúvida se esse esticão dá um E2 ou E3 – o certo é que não pode cair!

A sexta enfiada é a mais perigosa das que guiei (Altmann). Saindo da parada (boas arvores – utilize todas!), tem uma travessia para a direita embaixo de uns negativos de pedra podre. Fiz uma proteção em um bico de pedra para tirar o Fator 2, mas que certamente quebraria. O legal dessa saída é que, antes de começar a subir, quando tu sai do plato de mato, para a direita, tem uma parede enorme para baixo – o que é bom, pois tu cai no vazio. Aí começam umas passadas em “barrigas”, alternando pequenos negativos com pequenos positivos, de agarras grandes mas…podres!!! Me lembrou muito Caçapava e Bagé, onde tu não pode confiar nas agarras e, por isso, não pode pôr muita pressão nelas. Vai ganhando altura em diagonal para a direita até chegar num plato de mato. Essa é a parte mais perigosa, pois esse platô só tem vegetação gramídea, sem raízes ou arvores grandes para agarrar. Dominando o platô tem uma árvore maior, mas a parada não é ali – tem que voltar para a esquerda uns 15 metros onde tem 3 arvores grandes para fazer a parada bem embaixo da última enfiada. Sem dúvida essa é a enfiada mais perigosa, pois, em caso de queda, principalmente dominando o platô de mato, o escalador terá uma queda com fator próximo a 2 e de mais de 30 metros. Ainda assim, acreditamos que essa queda não arrasta o segue e possívelmente não corte a corda do guia (casos em que o grau de exposição seria E5). Sugerimos um grau de dificuldade de 5a, podendo ser 5sup e grau de exposição E4 (comparo essa enfiada com a “Ovelha não é pra mato” ou a “Pior estilo da arte” e mais perigosa que qualquer outra enfiada que já escalei na Canastra). Indispensável levar no rack uma dose de sangue frio e outra de sangue de barata!!!

A sétima enfiada é o “filé” via! Um grau de dificuldade entre 6sup e 7a. Sugiro estar escalando 7a a vista em móvel para ir sobrado. Reto acima da parada dá pra ver o primeiro grampo, meio enferrujado. Um pouco abaixo, cabe um camelot #3 e um #4 no buraco de geodo, o que protege a dominada do diedro onde está o grampo. Esse grampo protege a dominado do balcão acima. Logo protege em outro grampo. Aí começa o “veneno”! Sobe pela esquerda do grampo pela aresta, que é o lugar mais fácil, um 6a. Uns 4 metros acima do grampo e um metro abaixo da próxima possibilidade de proteção, acabam as agarras. Aí tem que fazer um trabalho de pés e equilibrío para erguer-se até essa proteção em peças micro (eu usei os microcamelots C3). Daí para cima, fica mais fácil e um metro acima protege melhor ainda com microfrinds (usei Aliens e um camelor #0.3), dominando tranquilo o platô pela direita. Logo acima estão as árvores para a parada e rapel. O cume está um pouco mais acima. Essa passa exposta é um 6a, com lances de equilíbrio – ou seja, tu não consegue garantir que não cai apenas estando forte – acredito ser um E3 porque em caso de uma queda de 6 a 8 metros, certamente haverá choque com platôs ou pontas de pedra. Perigo! Beta que vale a integridade física: depois do segundo grampo, o diedro justo acima do grampo te chama – mas não tente escalar por ele, pois ali não tem agarras boas – preste a atenção na aresta/parede da esquerda, que tem boas agarras…somente depois de ganhar altura suficiente para proteger que usei o diedro para os pés.

Levamos 4 horas para escalar a via e uma hora rapelar. Cordadas mais rápidas podem reduzir esse tempo pela metade com as informações abaixo. Acreditamos que não necessita mencionar gradução de tempo, pois é possível fazê-la em meio dia.

Beta 1: uma corda de 70 metros é sucesso, pois nenhuma enfiada supera os 30 metros. Assim, é possível rapelar sobrado com uma corda de 70 metros.

Beta 2: equipo. Utilizamos um jogo de nuts, um jogo de camelots do 03 ao 4, repetindo do 03 ao #2. Talvez o #4 seja desnecessário, não lembro de nenhuma passagem que ele foi usado. Várias fitas foram utilizadas. Levamos apenas 4 expressas, mas duas são o suficiente.

Beta 3: vá leve! Levamos uma mochila com roupa, lanternas, muita comida e 2,5 litros de água para os dois. Dispensaria muita comida um litro de água para escalar mais rápido. Talvez até a mochila.

Beta 4: entre na via com duas cópias da descrição da via que está disponível no site do Bridi. A propósito, nunca entre numa via dessas sem croqui, dois de preferência!

Beta 5: Na escalada, juntar a 2 e a 3 enfiada é possível com corda de 60 metros. As outras tavez o arraste seja o impeditivo. Nós fizemos todas as enfiadas, escalamos 7 enfiadas.

Beta 6: Na descida, rapelar da P6 para a P4. Para isso talvez seriam necessárias duas cordas de 50. Perdemos muito tempo por causa do mato para rapelar da P5 para a P4, que são apenas 15 metros. Depois percebemos que a P6 fica justo acima da P4 e permite um rapel direito. Quem fizer esse rapel, por favor verifique quantos metros para ver se dá para rapelar com uma corda de 60 ou 70 metros.

Boas escaladas!!!

Alexandre Altmann e Filipe Hartmann – em 28 de agosto de 2011.

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02- Porca Troia

06- Eta coisa marvada

07 - Bugio Solando

Descrição das enfiadas

1a enfiada – O início da via Bugio Solando fica à direita da via Ronco do Bugio, mas a maioria das pessoas começam pela Ronco do Bugio e mais a cima diverge à esquerda para entrar na via Bugio Solando. O início da via é marcado por chapeletas que podem ser vistas do chão. Não confundir com uma via inacabada à direita que passa ao lado do totem. A primeira enfiada tem aproximadamente 40m e é toda protegida com chapeletas e grampos. Os grampos estão de cabeça para baixo, por isso o ideal é laçar os grampos com uma fita (60cm), em vez de passar a costura diretamente. A parada fica num pequeno platô. III grau de dificuldade. 

2a enfiada – Enfiada crux da via. Começa dominando um bloco e depois segue para cima e depois em diagonal à esquerda protegendo em grampos de 1/4 e depois num grampo mal batido. O 4o grampo está bem escondido num batente, mas se seguir em diagonal à esquerda irá encontra-lo sem dificuldades. Depois desse grampo, a via corta um pequeno teto escuro, não confundir com o teto laranja, e segue até a parada que fica num platô. Esse lance é bastante longo, inclusive a virada do teto é com o grampo bem distante. É recomendável que esteja guiando V ou VI confortavelmente para não passar muito veneno. VI grau, 30m.

3a enfiada – A via começa no platô e sai à direita por um piton velho. Mais acima à esquerda é possível ver outro piton. Depois basta seguir pela aresta para ganhar um platô. Esse trecho pode ser totalmente protegido em móvel (#.4-#.75). No platô há um grampo e depois segue pelo mato até o Platô do Almoço. Parada Natural. V grau. 30m.

4a enfiada – Começa num bloco e segue pela direita até um grampo que é visível do chão. A dominada é pela esquerda para ganhar o lance e depois segue pela esquerda até uma pequena viradinha onde há mais um crux. Depois a via segue pela aresta, bem protegida, até o cume. Essa enfiada também pode ser feita em móvel, requer peças médias, até #3.

Descida – Da P4 descer até o Platô do Almoço (30m). No platô caminha à direita até uma árvore onde há uma parada dupla. 30m abaixo, em linha reta, há outra parada dupla com argola. Deste ponto, mais um rapel de 30m leva à P1 da via Ronco do Bugio. Da P1, descer pelo lado esquerdo, em direção ao início da via. É possível descer com apenas uma corda de 30m, mas é preciso desescalar um pouco no final.

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Equipo

  • 1 corda de 60m;
  • 8 costuras, sendo algumas longas;
  • fitas avulsas com mosquetão para laçar os grampos;
  • móvel opcional (recomendado).

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http://www.yoolerehihi.com/punkrockclimbing/canastra/vias/bugiusolandlo.htm

50 Vias Clássicas no Brasil. 2017. Flávio Daflon e Cíntia Daflon.

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Pico da Canastra, o retorno

Desde que saí do Rio Grande do Sul há 10 anos, religiosamente, todo feriadão de Carnaval volto à querência amada para descansar um pouco. O bom

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