Xpro2 e Armadillo Boulder

  • O canal de San Antonio, TX.

A postagem de hoje está dividida em duas partes, com dois assuntos bem distintos, mas que tem a ver com a proposta do site: fotografia e escalada!

Xpro2

Não vou falar quantos anos eu tenho, mas eu sou da época dos filmes. A minha primeira câmera foi uma compacta de filme. Eu colocava um rolo de 36 poses e aquilo durava meses… Depois migrei para uma compacta digital da Sony e há a uns 10 anos, comprei a minha primeira reflex digital. Anos mais tarde, migrei para uma fullframe da Nikon e em 2014, comprei uma mirrorless da Fuji. Desde então tenho fotografado bastante com a Fuji x100s/f e a fullframe acabou ficando um pouco de lado. Em parte porque quando saio, não saio só para fotografar, normalmente vou viajar e/ou escalar e preciso levar muito equipamento. Por isso, acabo optando por uma câmera menor para poupar peso, afinal de conta, tudo isso vai nas minhas costas.

O barato da x100 é que a câmera tem um jeitão retrô com vários comandos manuais. Você basicamente regula todos os parâmetros girando um dos vários dials. Pode parecer banal, mas isso é muito bacana, dá mais prazer ao ato de fotografar.

No entanto, nos últimos tempos tenho sentido falta de algumas distâncias focais para fotografar, mesmo usando alguns adaptadores, a x100 acaba limitando um pouco.

Pensando nisso e aproveitando uma viajem aos EUA, comprei uma Xpro2 que é basicamente uma x100 com objetivas intercambiáveis. Como há rumores de que este ano será lançada a Xpro3, os preços deram uma boa melhorada, mas ainda assim foi um investimento caro. Em termos de objetiva, comprei uma 35mm (50mm equivalente) para começo de conversa, mas a ideia é ir comprando outras objetivas primes no futuro. Eu sempre fotografei com primes por uma série de razões e por sorte a Fuji tem um bom lineup nesta linha.

Por hora, segue algumas fotos de street que fiz na cidade de San Antonio em Texas, onde passei a semana. Clique na foto para ampliar.

Armadillo Boulder

Nesta mesma ida a San Antonio fui conhecer um ginásio de escalada que tem na cidade. Já conheci alguns ginásio de escalada do Brasil e também de fora, mas esse, disparado, foi o melhor que já fui.

Armadillo Boulder.

Cheguei lá e logo fui pedindo uma diária livre na recepção. A moça olhou para mim e disse:

– É a sua primeira vez aqui?

– Sim.

– Então vai naquele totem onde tem os iPads e faça o cadastro.

Enquanto caminhava para o totem ficava pensando como era o esquema na ACE… Que inveja branca.

Depois, voltei à recepção e dessa vez um cara me atendeu. O cara deve ter reparado no meu inglês macarrônico e perguntou de onde era.

Falei que era do Brasil e ele logo emendou em português:

– Muito prazer, TC.

O cara falava português. Ok, era meio enrolado, mas tava melhor do que o meu inglês. Logo, ele se propôs a mostrar as instalações do local e fui conhecer o muro.

Noite cheia no ginásio.

Como na maioria desses ginásios, os boulders eram marcados por cores com dificuldades que iam de V0 até V6. Como estava começando a noite, resolvi provar um V3 numa placa vertical para aquecer. Pra que…

No segundo movimento em um abaulado estranho com movimentação estranha dei de mal jeito no pescoço e fiquei todo torto. E o pior, não mandei o boulder.

Olhei para os lados para certificar que ninguém estava me vendo e sai de fininho.

Dei mais uma volta e fui no setor mais negativo, onde os problemas eram mais familiares. Mandei sem grandes dificuldades alguns boulders e fui entrando no ritmo. A essa altura estava me sentindo um “pinto no lixo”. Descia de um boulder e já entrava no outro. Escalei freneticamente por umas 2h como se não existisse amanhã até começar a me sentir exausto. 

Dei um tempo, bebi alguma coisa e fiquei sentado num canto vendo a movimentação. O muro estava lotado, acho que tinha mais de 100 pessoas, de criança a adulto, todos se divertindo.

Voltei para o segundo tempo. Agora estava com a meta de tentar mandar todos os boulders acima de V5. Por volta das 21h estava um trapo e ainda tinha um longo caminho pela frente. Já estava ali há 3h e precisava ir embora. Fiquei naquele: só mais 10 minutos até às 21h40, quando já não aguentava mais cair.

No dia seguinte, eu estava pregado na cama. Não conseguia caminhar direito de tão dolorido. Os boulders de equilíbrio e tensão corporal no vertical tinham acabado comigo.

Escalador num V6 de equilíbrio.

Descansei um dia e no dia seguinte voltei ao ginásio para tentar terminar o projeto de mandar todos os boulders. Para minha alegria e tristeza descobri que em dois dias, os route setters tinham criado mais problemas e a medida que ir descobrindo os cantos do ginásio não parava de aparecer novos problemas que eu não tinha visto. 

É claro que o meu rendimento foi pífio e sai de lá sem conseguir fechar a meta, mas me diverti bastante, o que foi o mais importante. E o mais importante para mim, sai de lá muito motivado e com muitas ideias para o modesto muro da ACE.

O V5 mais difícil do mundo! As agarras em alça servem para descer do boulder.

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