Rio Grande do Sul

História do Montanhismo Gaúcho

Por Eduardo Cesar Tondo

Texto publicado originalmente na extinta Revista Headwall, No 8, 2003.

A história do montanhismo no Rio Grande do Sul começou na década de 50, quando o então pintor de paredes Edgar Kittelmann ingressou no Clube Excursionista Farroupilha (CEF) e passou a acompanhar suas excursões. Até então, poucas atividades com características de escalada de montanha eram praticadas no Estado devido a falta de material apropriado ou conhecimento técnico específico. Foi na conquista da via Sul do Pico dos Corvos, no conjunto do Itacolomi, em Gravataí, que o pai da escalada gaúcha começou sua longa trajetória de escaladas.

Naquele tempo, a subida estava sendo tentada pelos membros do CEF, com o auxílio de escada, porém o trecho mais difícil da via SUL, conhecido como Pedra do Covarde, necessitava de um pouco mais de coragem foi aí que Seu Edgar, como é conhecido do no RS, entrou em ação. Ainda sem experiência no montanhismo, porém acostumado a subir escada devido a profissão de pintor, Seu Edgar se ofereceu para tentar superar a parede, a qual estava impondo receio nos demais companheiros da empreitada. O trecho foi superado pelo então jovem de aproximadamente 20 anos e em 1952 o Pico dos Corvos foi escalado pela primeira vez pela face sul.

Em seguida, diversas escaladas foram realizadas, principalmente motivadas pela paixão pelas montanhas que nascera em Seu Edgar, a qual até hoje pode ser vista em seus olhos ao falar de assuntos relacionados ao montanhismo, ciclismo ou canoagem. Mesmo apresentando resquícios de paralisia infantil, esse pioneiro do montanhismo foi responsável pela escalada de diversas montanhas no Estado e também foi quem, a partir de catálogos de materiais de escalada vindos da Alemanha, fabricou centenas de equipamentos como mosquetões, pinos botas com cardas, estribos, martelos e outros.

Juntamente com companheiros, um deles outro ícone da escalada gaúcha, Luis Cony, fundaram o Clube Gaúcho de Montanhismo (CGM) em 1976, o qual veio a ser a escola de muitos montanhistas do RS. A partir daí, o montanhismo gaúcho ganhou força em termos de técnica, conhecimento e motivação, dentro de uma atmosfera “alpina” onde as escaladas eram feitas utilizando diversos estribos, cordas pintadas com tinta de tecido e roupas estilo “tirolês”.

Os escaladores do CGM aumentaram cada vez mais o número de conquistas por todo Estado, espalhando vias por lugares como Sapucaia, Morungava, Montenegro, Canela, Caçapava e Bagé, as quais foram a base para o desenvolvimento de muitos campo escolas do RS.

Muito em virtude desse desenvolvimento e com a influência da escalada esportiva e demais estilos específicos do montanhismo, nos anos 90 houve grande avanço no esporte em termos de abertura de vias de maior dificuldade, desenvolvimento de campeonatos e eventos, treinos específicos, cursos de escalada, etc.

Em seguida veio a fase atual, na qual vê-se claramente o aperfeiçoamento do nível técnico dos escaladores, das vias de escalada, e da organização do esporte através de associações regionais como as de Caxias di Sul, Bento Gonçalves, Santa Maria, Esteio, Caçapava do Sul, Bagé e outras, e da Federação Gaúcha de Montanhismo.