Escalada pós-folia, de volta às roubadas!

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DuNada guiando a primeira enfiada da via “Capela”.

Estava tudo combinado! No domingo, eu e o DuNada iríamos voltar a Guarapari para terminar a via Jardim Labirinto que tínhamos começado duas semanas atrás.

No domingo pela manhã, liguei para o DuNada e ele reclamou que estava passando mal. Dor de cabeça, dor de garganta, calafrio, dor de barriga, artrite, câimbra, torcicolo, apendicite… Enfim, cancelamos a conquista e eu voltei a dormir.

Mais tarde, usando a minha rede de contatos, enviei umas mensagens para ver quem estava escalando e eis que o Pedro “Vida Louca” me retorna.

Ah sim, preciso contar a história do Pedro “Vida Louca”!

Ontem, enquanto estávamos voltando da escalada, lá pelas tantas, eu e o DuNada começamos a falar sobre as artes que aprontávamos na escola. De repente, o DuNada se vira para trás e pergunta para o Pedro Graveto:

– Graveto, qual foi a maior arte que você fez na escola?

E eis que ele responde:

-Ah, uma vez cheguei atrasado na escola!

Caímos na risada e ele ainda completou em seguida:

-Pedro Vida Louca!

Quem conhece a figura, sabe que isso deve ser verdade…Que vida louca, Pedro!

Voltando a prosa!

Por descargo de consciência, mandei uma mensagem para o DuNada, que estava em estado terminal, falando que eu e o Pedro Vida Louca estávamos indo para Aracruz repetir a via Capela em Monte Serrat. Vai que o seu último desejo seja escalar uma via tranquila conosco.

E assim, num passe de mágica, do nada, o DuNada melhorou e topou entrar na barca… Muito mal contado…

Saímos por volta do meio dia de Vitória rumo a Aracruz (80km). Uma passarinha rápida para tomar um caldo de cana e por volta das 14h estávamos na base da via.

Essa via foi conquistada em 2010 pelo Baldin, Raul e André em 2 dias de trabalho. Para ler o relato da conquista, clique aqui! A via tem aproximadamente 240m de extensão, divida em 4 enfiadas, e está graduada em 4o grau um passada de 5o e E2/E3 de exposição.

Começamos a via com o DuNada abrindo a cordada e eu e o Pedro Vida Louco vindo de segundo.

O Pedro pegou a 2a enfiada, bem tranquila, até a P2 nas árvores e eu peguei a terceira enfiada.

A 3a enfiada é para ser o crux de E2/E3 da via com um belo de um esticão no começo da via. Embora o croqui não descreva, acredito que alguns friends ajudariam a eliminar o E2/E3 da via deixando ela um E2 bem tranquilo. Na sessão final, as chapeletas estão em zig-zague então um bom gerenciamento de corda é de extrema importância para diminuir o atrito. Ou entrar na via com uma corda dupla, como foi o nosso caso.

A 4a enfiada ficou novamente para o DuNada que ressurgiu das trevas. A enfiada segue driblando as bromélias e o crux  é achar as chapas que estão um pouco escondidas.

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Aproximação tranquila pelo pasto.

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DuNada e Graveto limpando a 3a enfiada.

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Graveto na 4a enfiada.

A partir dali, segundo o croqui seria uma caminhadinha básica até o cume por um costão com mato. Até estava sentindo um vazio por terminar uma via tradicional sem perrengue, mas estava enganado. Ninguém tinha me falado que esse trepa-mato final seria fácil. O trecho final é um trepa mato em mata fechada até o cume. Daqueles de querer parar e chorar. Mas já estávamos vacinados, menos o Vida Louca…

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No cume com a cidade de Aracruz ao fundo!

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Graveto contemplando a paisagem ou dormindo.

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Cume!

Depois de alguns percalços finalmente batemos no cume do Monte Serrat, onde tem uma pequena capela construída na década de 30. O visual do cume é muito legal, com uma visão de 360 graus de toda a região.

E assim fechamos a escalada pós-carnaval. Valeu Terminal DuNada! E valeu Pedro Vida Louca! E parabéns aos conquistadores!

Dicas para repetição:

  • A via fica na sombra à tarde. Uma dupla bem alinhada consegue escalar tranquilamente em 3h a via. Por isso, uma boa estratégia é chegar à tarde na via;
  • A face fica voltada para leste/nordeste, por isso bate bastante vento (norte);
  • Levar uma segunda corda de 60m caso tenha de abandonar a via. O rapel com uma corda de 60m é complicado;
  • No croqui oficial, fala que a 2a enfiada tem 2 proteções fixas, mas são 3;
  • Na terceira enfiada, alguns friends pequenos a médios eliminam o lance de E2/E3;
  • O livro de cume está escondido em algum lugar do lagartão final, nós não o encontramos.
  • A descida é feita por uma trilha bem demarcada que desce por um vale. Aproximadamente 45 min de caminhada.

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