Provavelmente a montanha foi “conquistada” por algum morador local mais atrevido que conseguiu acessar o seu cume pela face sudeste, subindo pela frágil linha de vegetação, sem o uso de equipamento de segurança, em uma data desconhecida, mas acredita-se que tenha sido durante a década de 60. Devido à sua importância estratégica (área de nascente do Rio Jucu), ainda na década de 60 foi criada, via decreto, a Reserva Florestal da Pedra Azul, sob administração do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo – IDAF Já o seu imponente “Lagarto”, que fica “estirado” na face oeste, foi conquistado ao longo de quatro investidas entre os anos de 1974 e 1976 pelos escaladores do Clube Excursionista Brasileiro (CEB), Antonio Dias, Amauri Teles Menezes, Francisco Berardi, Mario Alexandre Filho, Marcello Esposel de Paiva Xavier e Mário Luiz Arnaud. Na década de oitenta, os guardas-parques do IDAF (José Bellon, Carlos Alberto Canal e José Ângelo Cezati) “construíram”, na face sudeste da montanha, uma escadaria de ferro fixando aproximadamente 130 graus, no intuito de facilitar o acesso ao seu cume. Em janeiro de 1991 foi criado o Parque Estadual da Pedra Azul, ainda sob coordenação do IDAF. Nesta mesma década, em meados de 1996, os escaladores locais Gilberto Azevedo e Roberto Tristão iniciaram uma conquista pela imponente face leste da pedra, passando por um sistema de fenda muito óbvio que leva a uma sequência de buracos que cabem tranquilamente um carro dentro. Infelizmente, durante a conquista da via, o parque proibiu a prática da escalada no parque e a dupla teve que abandonar o projeto pela metade. Diz a lenda que a administração do parque não deixou nem a dupla voltar à via para recolher o resto do equipamento que ficou para trás. Inclusive, lá permanece até os dias de hoje. Desde então, a escalada na Pedra Azul ficou proibida a qualquer pessoa por quase 20 anos. Isso chega a ser um paradoxo, pois enquanto lá fora, os parques foram criados para proteger e usufruir do espaço, na Pedra Azul os maiores interessados não podiam nem chegar perto da pedra e tinham que buscar outras montanhas fora dos parques em áreas particulares. É claro que, mesmo com a proibição, algumas escaladas clandestinas aconteciam durante este período. Inclusive, em meados de 2005 foi conquistada uma via (Mulambo) na clandestinidade pela canaleta sul do maciço pelo escalador Gilmar Vieira com a ajuda de alguns “comparsas”. Reconquistar o “espaço roubado” foi um dos pilares para criação da Associação Capixaba de Escalada (ACE) em abril de 2004 que tinha como meta principal unir forças para buscar uma solução junto aos gestores do parque para liberação da escalada. O processo de negociação foi bastante desgastante e demorado, levando quase 15 anos entre idas e vindas, para que finalmente em 17 de agosto de 2015, fosse publicado no diário oficial, a liberação da prática de escalada pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA), gestora do parque desde 2007. Com isso, em uma ação inédita e conjunta, os membros da associação, em parceria com IEMA, reformularam a antiga escadaria, removendo todos os degraus e as substituindo por chapeletas de inox e alguns grampos, para estabelecer ali, uma via de escalada, devolvendo um pouco o espírito de montanha. Assim nasceu a nova “Via Normal” da Pedra Azul, graduada em D1, 3o , IV, E1, 295m. Uma via de 6 enfiadas toda protegida em chapeletas com densidade de proteção maior que a média. É importante salientar que o traçado da nova via sofreu algumas alterações em relação à escadaria original com o intuito de preservar a frágil vegetação da montanha.