Fujifilm 500mm

Faz muito tempo que não escrevo nada sobre fotografia. Pelo que andei olhando, a última postagem sobre o assunto foi em 2019, quando escrevi sobre a câmera Fujifilm X-Pro2

De lá para cá, muitas coisas aconteceram nesse segmento, mas nunca me senti muito motivado nem confortável para escrever mais sobre o assunto. 

Desde que este site nasceu, em 2007, uma das propostas era falar, além de escalada, sobre fotografia. O mundo deu muitas voltas e os blogs foram substituídos pelo Instagram e pelo YouTube — e, mais recentemente, pelo ChatGPT. Atualmente, praticamente ninguém mais consome blogs. O meu se mantém de pé, em parte, por causa dos croquis; pelo menos é o que as estatísticas dizem. Hoje ninguém escreve por escrever; quem produz conteúdo, produz para monetizar, e os blogs já não monetizam como antes. 

O cenário da fotografia também mudou muito nesses quase 20 anos. Se no início, nos idos de 2007, a fotografia estava em voga, hoje praticamente ninguém usa câmera fotográfica: tudo é no celular, tudo é vídeo. A fotografia nos moldes antigos acabou se tornando quase um nicho. Quando olho em volta, quase ninguém sai para a montanha com uma câmera na mão. 

Deixando a nostalgia e a “choradeira” de lado: depois da X-Pro2, migrei no ano passado para a X-T5. Ela também usa um sensor APS-C, mas entrega 40 megapixels, além de melhorias como a agilidade no foco e o estabilizador óptico. 

Trabalhar com arquivos de 40 megapixels trouxe um novo problema: o tamanho dos arquivos. Como cada foto consome muito espaço, quando comprei a câmera, tive que adquirir um novo drive de armazenamento de maior capacidade. 

No segmento das objetivas, sigo com a ideia de fotografar com objetivas prime (fixas). Atualmente, as zooms estão tão boas quanto as primes, mas o processo e o mindset que as fixas exigem me atraem muito mais. Sem dúvida, nossa mente funciona de forma diferente ao alternar entre usar prime e zoom. 

Minha aquisição mais recente — e a motivação para fazer este post — foi uma objetiva de 500mm f/5.6. Objetivas com distâncias focais grandes e aberturas claras são, sem dúvida, onerosas. Aliás, esse foi um dos motivos para eu ter saído do sistema Nikon e migrado para a Fuji. Dentro do cenário atual, se eu tivesse seguido na Nikon, não teria a menor chance de adquirir um conjunto que me entregasse um alcance equivalente a 750mm (considerando o fator de corte do sensor APS-C) com essa portabilidade. Não que essa Fuji de 500mm seja baratinha, mas ela é muito mais palpável. 

Tucano no final do dia.

Na internet, há diversos reviews e especificações sobre ela, mas os pontos que eu destacaria são o peso e o foco. Se comparada a objetivas normais, ela é super pesada; mas, dentro do seu range de distância focal, é muito leve e permite fotografar sem o auxílio de tripé ou monopé. Para mim, o peso é sempre crucial, pois, além do equipamento de fotografia, sempre carrego o material de escalada. 

Fotografando a lua de casa com um teleconversor de 2x.

O foco é outro ponto de destaque. É claro que está longe do que um conjunto de corpo e objetiva de ponta entrega, mas, pelo custo-benefício, está mais do que adequado. Quando montada na X-T5, a velocidade de focalização e a precisão são bem satisfatórias. É claro que, sob algumas condições desafiadoras, o foco se perde, mas, no geral, o desempenho é muito consistente. 

Coruja buraqueira da UFES.

Outro ponto interessante é que, com uma distância focal tão grande, há uma curva de aprendizado que não é trivial, principalmente para objetos móveis, como aves. Tenho dedicado bastante tempo e esforço para aprender a enquadrar com eficiência e parametrizar corretamente para cada cena. Confesso que às vezes é frustrante, mas é um desafio instigante. 

Por hora, seguem algumas fotos tiradas com a 500mm na X-T5.

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