Ronda Diurna

No último domingo, dia 18 de janeiro, Eric Penedo e eu realizamos uma pequena conquista no Totem do Vigia, em Guarapari (ES).

O plano original era conquistar outro totem, mas, como não encontramos o dono das terras, partimos para um alvo secundário em uma pedra que fica atrás da Pedra do Iguapé.

Lá, também não encontramos nenhum proprietário e presumimos que o dono morasse na cidade.

Passamos o drone para confirmar o potencial e concluímos que seria uma conquista tranquila — afinal, já que estávamos ali, por que não?

Foto: Eric Penedo.

Assim que chegamos à base, vimos que a fenda larga demandaria peças grandes. Então, enquanto o Eric abria a trilha pela mata, desci até o carro para pegar algumas peças extras.

Chegamos à base da pedra sem grandes dificuldades e logo o Eric assumiu a frente, conquistando uma fenda larga com um trecho negativo logo na saída. Mais acima, percebeu que precisaríamos de um Camalot #5 e resolveu descer. Assumi a ponta, troquei o #5 por uma dose de coragem e finalizei a enfiada ao alcançar a mata.

Saída da via.
Entalamento clássico!
Camalot e flores.
Olha ela ai de novo!

Assim que o Eric começou a subir, apareceu uma pessoa subindo o vale com um balde de sal na mão. Avisei o Eric de que alguém estava se aproximando e que seria melhor ir conversar com essa pessoa. Fiquei de longe, na P1, apenas ouvindo a conversa. No início, o diálogo foi um pouco mais tenso — afinal de contas, estávamos nas terras da pessoa —, mas logo o gelo foi quebrado e, no fim, o Eric já explicava como se bate um grampo na pedra.

Com a burocracia resolvida, o Eric subiu a primeira enfiada de segundo e içamos o material de conquista, pois vimos que dava para dar continuidade à fenda superior.

Eric chegando a P1.

A fenda de cima era o filé da pedra, localizada no dorso de um grande totem. Totens, em geral, são excelentes formações, pois costumam oferecer boas agarras e fendas.

Uma pequena caminhada pela mata nos levou à base da fenda frontal, e logo o Eric assumiu novamente a ponta para finalizar a conquista. Infelizmente, o totem perdeu inclinação logo acima e a escalada ficou mais fácil. Após cerca de 45 metros, finalizamos a via no topo do totem. Daria para seguir até o final da parede, mas a escalada já estava muito fácil, então resolvemos encerrar a conquista ali mesmo, até porque o calor estava castigante. Mais cedo, o termômetro do carro marcava 30 °C. Por sorte, a pedra tem a face voltada para leste, recebendo alguma brisa do mar.

Início da 2a enfiada.
Finalizando a conquista.

A via ficou ok. Está longe de ser um clássico, mas é uma boa opção para quem está iniciando na escalada em móvel. Infelizmente, o rack é um pouco mais exigente, sendo necessários dois Camalot #5 ou três #3 e um #5. Sem o #5, o lance fica mais exposto, e o #4 que protege o trecho não fica bem colocado — nada ideal para quem está aprendendo a se entalar.

A região de Guarapari possui grande potencial para a conquista de novas vias tradicionais. Esta foi apenas a segunda via tradicional conquistada na região, mas, pelo pouco que vimos, há muito potencial. É preciso, porém, procurar boas linhas, pois o granito é bem fino e, em muitos trechos, pobre em agarras.

Leia mais sobre a via na croquiteca.

Obra “A ronda noturna” de Rembrandt. A via não foi inspirada nessa obra, mas lembrei porque gosto muito desse trabalho.

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