Santa Joana, o retorno

No último sábado, Eric e eu retornamos ao totem de Santa Joana em Itaguaçu para dar um “pegue” na via Inconsciente Coletivo.

Essa via foi aberta em 2014 pelo Sandro e “Porko” e até hoje não tem cadena completa das duas enfiadas, somente a primeira enfiada foi liberada, sacando, em 2016.

De 2016 para cá, muitas fendas rolaram na minha vida, então sempre tive muita curiosidade em voltar à via para entender o que mudou de lá para cá na minha escalada.

Durante os preparativos para a escalada do final de semana, resolvi ler um post que fiz sobre a cadena da primeira enfiada em 2016. Confesso que fiquei bem preocupado e apreensivo em relação ao retorno, pois, na época, tive que dar muita gana.

Mas, independente do resultado, queria voltar para calibrar a graduação dessa via, pois nos últimos 9 anos fiz algumas viagens ao exterior e pude melhorar a minha calibração em relação ao grau de escalada em fenda.

Uma das primeiras coisas que notei na volta foi que as fendas do Espírito Santo são, em geral, mais difíceis de proteger. As fendas são muito “cracachentas” e difíceis de assentar as 4 castanhas de primeira e isso acaba consumindo muito tempo. Fendas de Indian Creek ou até mesmo de Yosemite, são muito mais fáceis de colocar a peça. Se a peça entrou um pouco mal, basta arrastar um pouco para cima ou para baixo e pronto, bomber! Aqui não, se não ficou legal, precisa tirar, procurar outro lugar e gastar um tempo para garantir que todas as castanhas estejam bem assentadas. 

Tudo isso pode parecer parte do jogo, mas isso acaba consumindo um tempo precioso que, na somatória final, faz muita diferença. Na via Inconciente, por exemplo, a saída é uma sequência de 10m de #.5 onde escalar rápido é estratégico, mas sacar as peças é bem macetosa.

O esforço para colocar as peças, teoricamente, não entra no grau de dificuldade, embora faça parte da dificuldade da escalada. Por isso, graduar as nossas vias comparando com as vias da gringa acaba ficando um pouco mais difícil.

Em 2017, fiz uma trip para Indian Creek com Rodrigo e o meu highpoint foi um 7c trabalhado (Puma) e um 7b, Kool Cat, à vista.

Em 2023 e 2025 fiz mais duas trips para Yosemite. Em 2023, mandei à vista um VI SUP (5.10c), Lunatic Fringe de 40m. E em 2024, a Mac Daddy, meu primeiro e único 5.11 (VI SUP) em Yosemite.

Comparando as 34 vias que mandei nessas três trips com a via Inconsciente, acho que 8a esteja um pouco supergraduado e talvez, um VII seja mais coerente. Acho que a sensação de 8a vem do tempo gasto para colocar as peças e, é claro, pela falta de prática nos entalamentos.

Outro fator que conta, mas que não entra na matemática, é o peso extra. Essa via tem 45m de extensão e precisamos levar muitas peças grandes. Na última entrada, levamos 4 jogos do #.5 ao #4 mais dois #5, além das costuras e outras coisas. Isso dá um sobrepeso de 5kg. Fazer uma fenda de dedo com 5kg na cintura faz toda a diferença. Talvez o segredo seja subir mais leve, com menos peças, mas isso implica em ter que esticar mais, principalmente no final, onde se escala mais torado, mas é, sem dúvida, um ponto de melhoria a ser considerado.

Rack para escalada. Foto: Eric Penedo.

Sobre o nosso dia de escalada. Assim que chegamos, entrei sacando na via, mas rolou o clássico flash pumping e desci após uns 10m, ao final do trecho do #.5. Depois, o Eric foi até um pouco mais para cima e também desceu. Puxei a corda e toquei para cima novamente. Faltando uns 10m fiquei com medinho e pedi para travar. Subi o resto, até a P1 e chamei o Eric que subiu, segundo ele, vendo estrelas. Como a ascensão não estava “on” e pelo fato de estarmos bem cansados, resolvemos descer dali e encerrar o dia.

Essa é, sem dúvida, uma via que merece mais visitas. Até onde sei, ninguém voltou à via após 2016. Também espero voltar em breve, até porque tem via nova no pedaço. 

 

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