Tagline

Tagline, ou retinida em português, refere-se a uma corda mais fina, em geral, de 5mm a 7mm, usada como corda auxiliar para escalada. Inicialmente, essas cordas eram bastante usadas em conquista e em grandes paredes, onde é preciso ter um sistema de ligação entre o guia e o segurança para envio de material.

Nos últimos anos, as retinidas também começaram a ser usadas no rapel em conjunto com a corda principal para rapéis mais longos.

Comecei a usar esse sistema a partir de 2017, quando comprei uma tagline de poliamida de 7mm para o rapel. Assim, em vias que exigiam duas cordas de 60m para o rapel, levava uma corda normal e a tagline, poupando um pouco de peso (1,5kg).

Alternativamente, poderia levar uma corda dupla que faz a mesma função, mas nas conquistas sempre é desejável ter uma linha de conexão para içar material extra. Assim, a retinida poderia ter uso duplo, coisa que não é possível com uma corda dupla ou gêmea.

Comparação de peso usando diferentes configurações de corda para usar num rapel de 60m com duas cordas. Dado obtido usando IA, considerando valores médios de cordas de escalada.

Infelizmente, a minha primeira tagline não durou muito. Por ser uma corda mais fina, ela é mais frágil e acabou sofrendo um dano na capa durante a escalada e tive que aposentá-la prematuramente.

Depois comprei uma tagline um pouco mais fina de 6mm, também de poliamida. Essa já durou um pouco mais.

Em 2021, comprei uma tagline da Petzl, a PURline. Essa tagline foi uma das primeiras cordas fabricadas para essa finalidade, pois até então, todo mundo, incluindo eu, basicamente comprávamos cordeletes de 6mm a 7mm a metro e usávamos improvisadamente.

A PURline é fabricada com fibras de HMPE (comercialmente chamadas de Dyneema e/ou Spectra) que garantem maior resistência a abrasão e a carga com baixíssimo peso (20gm/m – 6mm). Além disso, a dyneema é uma fibra quase sem elasticidade, o que é excelente para esse tipo de funcionalidade, pois um dos grandes problemas das taglines de poliamida é a elasticidade. Na hora de puxar a corda, a elasticidade (6-8%) é indesejável, porque é preciso dar algumas braçadas para tensionar a corda para finalmente puxar a corda. E toda vez que pára para descansar, se soltar a corda, perde a pré-tensão.

Conquistando com uma tagline.

Outro problema dessas cordas de 6mm é a falta de pega na hora do manuseio. Puxar um cordelete de 6mm é muito desconfortável; por isso, é preciso sempre levar algum bloqueador para auxiliar na hora de puxar a corda, principalmente no começo, quando a corda fica mais pesada. Em geral, uso o Microtraxion ou o Basic, ambos da Petzl.

Semanas após comprar essa corda, usei ela para escalar a via Chaminé Brasília, na Pedra da Agulha. Ela foi usada como hauline para içar as nossas mochilas, pois o guia sempre subia sem mochila. Como a escalada estava planejada para dois dias, levamos bastante peso e a tagline aguentou muito bem as quinas e a abrasividade do granito.

Anos mais tarde, em 2024, usei a mesma corda da mesma forma, durante a escalada no Half Dome. E mesmo após anos de uso, ela se saiu muito bem, provando que a fibra é bastante resistente à abrasão. Um fato interessante é que essas cordas possuem validade de 10 anos pelo fabricante.

Em 2025 troquei a PURline pela RADline. Fiz um dos piores escambos com o Porko. Ambas são taglines parecidas que usam tecnologias semelhantes, mas com propósitos e preços diferentes. Teoricamente, para o tipo de escalada que faço pelo ES, o PURline seria o mais indicado, já que o RADline é mais voltado para rapel e resgate em ambiente com gelo e neve.

Puxando a tagline durante o rapel.

Ainda usei muito pouco a RADline, mas já notei algumas diferenças. A RADline é mais macia que a PURline. Prefiro corda mais dura porque embola menos; Por outro lado, a RADline tem um pouco mais de pegada. Na sua construção, segundo o fabricante, é adicionado um material que dá mais pegada, facilitando o manuseio. De fato, ela é menos lisa do que a PURline, mas mesmo assim, ainda uso um bloqueador para puxar a corda.

Caos na parada.

A montagem do sistema de rapel usando cordas de diâmetros diferentes também requer certa atenção.

Basicamente, há duas formas de montar um rapel: (1) usando o método normal, unindo ambas as cordas e descendo normalmente como se fossem duas cordas do mesmo diâmetro, com o freio passado nas duas cordas; (2) e bloqueando a corda mais grossa e rapelando por somente uma corda, a mais grossa. Usando a tagline apenas para puxar a corda.

Por aqui, sempre uso a primeira técnica, embora haja alguns pontos de atenção. A depender da dimensão do olhal por onde passa a corda, a corda fina poderá passar pelo nó, invertendo o sistema.

Esq.: sistema de rapel com bloqueio; Dir.: Sistema sem bloqueio. Fonte: Petzl

A segunda técnica funciona melhor, mas pode trazer problemas na hora de puxar a corda, então tenho usado esse método somente quando as condições permitem. Onde o rapel possui muitos pontos de atrito, o volume extra do mosquetão poderá se prender em algo, impedindo a recuperação.

A questão da emenda é bastante discutida, mas uso o nó de azelha com arremate e nunca tive problema.

Nó para emendar cordas com diámetros diferentes. Fonte: Petzl.

Há um ponto de atenção que precisa ser considerado na hora de escolher essa combinação: nesse sistema, sempre puxamos a tagline. Se ao terminar de puxar a corda, a corda ficar presa e precisar escalar novamente até chegar na corda, você estará em apuros, pois só terá a tagline. Lembre-se disso! Pensando nisso, a Edelrid tinha uma tagline homologada para “escalada de recuperação”, justamente para esse tipo de situação, mas aparentemente saiu de linha.

Comentários

4 respostas em “Tagline”

No sistema sem bloqueio, existe a possibilidade de puxar a corda dinâmica simples, mesmo assim você prefere puxar a tagline?

Sim, é possível, mas como não vi em nenhum lugar que é recomendável, não faço isso.

Me tira uma dúvida, no primeiro método o freio corre igual nas duas cordas? Ou ele avança mais pela corda mais fina?

Às vezes avança e pode dar problema. Qdo eu suspeito que isso poderá acontecer eu uso o segundo método.

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