Vale Perdido

No início de abril surgiu um burburinho entre “os ratos de Calogi” sobre a descoberta de um novo setor de escalada. Não demorou muito para que surgissem algumas vias neste setor e a história se espalhou rapidamente.

O descobridor foi o Eric Penedo que deu “uma pescoçada” nuns blocos que ficam a caminho do Setor Excluídos e achou um conjunto de uns 6 blocos com aproximadamente 12m de altura no meio da mata.

Quando ele me contou a história não acreditei. Um, porque eu passei por ali umas 5 vezes e nunca imaginei que pudesse ter blocos tão grandes. E outra que o Poul já andou varrendo aqueles cantos em busca de boulder e também não viu nada. Pensando agora, fico imaginando quantos blocos desses tem por ai e nós nem sabemos disso. É claro que esses blocos não nascem do nada no meio da mata. Um olhar mais geológico ajuda a sugerir locais com maior potencial para encontrar blocos na floresta. Mas no fim, o que resolve mesmo é sair “batendo perna” com facão na mão.

No último sábado fui conhecer o setor com Alekinho, Alexandra e Yasmin. O setor é um aglomerado de blocos perdidos, sendo que, até o momento, todas as vias se concentram no maior bloco com três faces. Interessante é que cada face possui uma característica peculiar, sendo a face negativa a mais impressionante de todas. Outra aspecto interessante é que o bloco saiu rolando do conjunto principal num tempo geológico muito distante e ficou “repousado” numa posição diferente da original, conferindo uma textura diferente da parede principal.

Neste dia equipamos mais duas vias e iniciamos outra. Com isso, o setor, batizado de Vale Perdido, já conta com 11 vias, sendo que destas cinco ainda são projetos. E segundo Alekinho que equipou as mais duras, uma delas seguramente será o primeiro 10b ou 10c do Espírito Santo.

Com as recentes conquistas neste bloco, segundo meus cálculos, Calogi possui mais de 100 vias (contando variantes e tradicionais). 105 para ser mais exato. Inclusive, o Alekinho batizou um projeto duro de “Centenário” fazendo menção a este número.

Segue a lista de todas as vias do pico.

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Segue o croqui do Vale Perdido.

O estilo de escalada varia de acordo com a face, as vias são curtas com crux definido. A rocha é um pouco abrasiva e ainda muito suja, mas em geral as agarras são “agarras” e não cristais ou pequenas protuberâncias, como se vê nos outros setores.

Dentre as vias que provei, uma em particular chamou a atenção pelo estilo de escalada. A Psicoterapia (7b), uma fenda frontal negativa de uns 12m totalmente protegida em móvel. Coisa rara por esses lados. É claro que quando falo fenda não é aquela fenda estilo Yosemite, muito menos Indian Creek. É fenda em gnaisse, no Calogi. Ou seja, colocações estranhas onde você mescla escalada em fenda cheia de cristais “canibais” com agarras por fora, exigindo “esportividade”, habilidade de entalamento e manha para colocar bem a peça (e rezar para não desarmar).

Outro destaque ficou por conta do projeto de dois dígitos que o Alekinho está trabalhando, uma sobreposição de dois boulders duros, V7 mais V9 com um descanso mais ou menos no meio. Realmente algo bem impressionante de se ver e quiçá escalar!

Alekinho malhando o projeto.

Comentários

4 respostas em “Vale Perdido”

Naquela mata eu acho que ainda tem muitos blocos como esse e muitos boulders. Eu andei só lá na base do setor excluídos, em um pequeno trecho, tipo uns 10% de toda essa mata.

Se tem boulder até ali perto da casa azul, então deve ter muita coisa ainda…

Irado japa!
Na verdade quem descobriu o pico foi o Alekinho mesmo, ele que se embrenhou no mato e achou o corredor principal.
Eu fui com eles logo em seguida pra abrir as primeiras vias.

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