Recentemente publiquei aqui um banco de dados das vias de escalada do Espírito Santo. A partir desse banco de dados, elaborei uma lista das 40 vias esportivas clássicas do estado. Tentei fazer um apanhado das melhores vias esportivas por grau que considero as mais bonitas e representativas.
O universo amostral foi de 756 vias esportivas. Aqui, entende-se por esportivas as vias de uma única enfiada, independentemente do grau ou do tipo de proteção.
Vamos à lista por grau!

Quinto grau
Há 106 vias de quinto grau (V e V SUP) no estado, sendo as mais clássicas:
Sargento (V SUP) – Morro do Moreno – Vila Velha. Via histórica que marca o nascimento da escalada esportiva no estado.
Demolidor (V SUP) – Morro do Moreno – Vila Velha. Via em móvel que transcorre por um diedro. Inicialmente foi graduada em 7a.
Agarras Soltas (V SUP) – Morro do Moreno – Vila Velha. Um V SUP com cara de VI. Possui um crux bem definido no início e depois segue em agarrões.
Rapunzel (V) – Apeninos – Castelo. Via bem agradável em agarras grandes.

Sexto grau
Na casa do sexto grau, há 133 vias, das quais as mais clássicas são:
Noventa Graus (VI) – Morro do Moreno – Vila Velha. Um clássico do setor com uma pitada de pimenta.
Optimus Prime (VI) – Calogi – Serra. Excelente via de continuidade, sem crux definido, que tijola até os mais experientes.
Gran Reserva (VI) – Totem da Lajinha – Pancas. Via em móvel por um grande diedro em arco, toda protegida em peças pequenas.
Poseidon (VI) – Polese – João Neiva. Um clássico do setor. Escalada em agarra que exige leitura rápida.
Sereia (VI SUP) – Polese – João Neiva. Via estética que transcorre por cima de uma piscina. Tem um boulder interessante na saída.
Aurora Tropical (VI) – Pedra da Fortaleza – João Neiva. Via mista bem eclética, que exige um pouco de tudo — inclusive coragem.
Castelo Ra-Tim-Bum (VI SUP) – Apeninos – Castelo. A via mais repetida e clássica de Apeninos. São 30 m de puro desfrute!
Petit Céüse (VI SUP) – Cabeça de Elefante – Colatina. Uma via ímpar em gnaisse com buracos e lances em agarras.

Sétimo grau
Na casa dos sétimos, a mesa é bem farta, com 197 vias catalogadas:
As Aparências Enganam (7a) – Morro do Moreno – Vila Velha. A via mais clássica e frequentada do setor da Barriga. Muita gente escala apenas a primeira parte, que é um VI.
Castelo de Grayskoll (7b) – Apeninos – Castelo. Outra clássica do setor, com um crux bem definido no final que derruba muita gente.
Castelo de Areia (7a) – Apeninos – Castelo. Uma versão mais fácil de Castelo de Grayskoll. O crux é a virada de um teto no início.
Terceira Faixa (7c) – Apeninos – Castelo. Via negativa em agarras grandes. Fácil para o grau!
Poulmedo (7a) – Amarelos – Guarapari. A via mais clássica do setor. Escalada de continuidade em agarras boas, sem crux definido.
Ganesh (7c) – Elefante – Guarapari. Clássico do setor. Escalada curta e negativa em agarras.
Trem da Morte (7c) – Calogi – Serra. Mais um clássico de Calogi. Via de introdução ao Totem!
Hermione (7a) – Uliana – Venda Nova do Imigrante. Uma das vias mais impressionantes do setor pelo estilo da rocha. A escalada transcorre por uma espécie de pilar.
Twist Carpado (7a) – Capeta – Viana. Via de entrada do setor dos Capetas. Um pouco abrasiva e exposta, mas muito bonita.
Pede para Sair (7c) – Estacionamento – Viana. Escalada super completa, com vários crux em sequência.
Consequência de uma Sequência (7c) – Morro do Moreno – Vila Velha. Um 7c old school. Para algumas pessoas, pode ser 8a. Independente do grau, é uma bela via técnica.
Mimosa do 52 – Marechal Floriano. Belíssimo diedro em arco, todo em móvel, com um crux no final onde a fenda fica cega.

Oitavo grau
No mundo do oitavo grau, há 103 vias no estado, sendo as mais clássicas:
Café Doce (8a) – Furlan – Castelo. Uma via ímpar, com bela movimentação. Super fotogênica!
Chá Verde (8a) – Furlan – Castelo. Escalada que impressiona pela qualidade das agarras. Crux no final, que dá o grau da via.
Expresso da Meia-Noite (8a) – Calogi – Serra. O 8a mais famoso do estado. Escalada de pura continuidade, sem crux definido.
Linha Final (8b) – Calogi – Serra. Mais um clássico de Calogi. Via super popular, com um crux na última agarra.
Astronauta de Pedra (8c) – Uliana – Venda Nova do Imigrante. Escalada super agradável, com descansos e um final incrível em negativo.
Mestre Amaral (8b) – Uliana – Venda Nova do Imigrante. Via de continuidade com um crux no final. A melhor do grau no setor.
Matrix (8b) – Morro do Moreno – Vila Velha. Via longa e técnica, que exige bom jogo de pés.
Falcão Negro (8a) – Tonho – Vargem Alta. Escalada negativa em mármore — algo bem raro por aqui! Lembra o Cipó.
Flor do Brasil (8b) – Parede das Flores – Castelo. Escalada negativa a teto, um estilo pouco comum por aqui.
Exército de um Homem Só (8b) – Soído Vertical – Domingos Martins. Uma das melhores vias mistas nesta graduação. Crux no final, chegando na parada.

Nono grau
Na casa do nono grau, há apenas 35 vias, mas várias de excelente qualidade:
Capuccino (9a) – Furlan – Castelo. Sem dúvida, a linha mais estética da parede.
Avalanche (9c) – Calogi – Serra. Primeiro 8a francês do estado. Via super estética, com vários crux ao longo da linha.
Transmanchuriana (9a) – Calogi – Serra. Escalada de muita continuidade, com um boulder no final.
Batida Macabra (9a) – Calogi – Serra. Outra clássica do setor. Via bem diluída e de continuidade. Soft para o grau.
Linha Transiberiana (9a) – Calogi – Serra. Via longa de continuidade, com um crux bem definido no final. Já foi mais fácil, mas após a quebra de algumas agarras, o grau se consolidou.
Moagem Grossa (9b) – Uliana – Venda Nova do Imigrante. Via que exige bastante resistência e força para vencer o crux. Uma das únicas vias do setor sem quebra de sequência.

Para quem quiser saber mais sobre as tradicionais, tem esse post que falo das 50 clássicas do Espírito Santo!
Em 2013, escrevi um post parecido com as 10 vias esportivas do ES.
E ai, já mandou todas da lista?

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