Tuolumne, primeiro dia

 

Sunset em Tuolumne visto do Lembert Dome. Literalmente perdi o fôlego por essa foto!

Nada prepara você para Yosemite, a não ser ele mesmo!

Essa frase define muito bem o que é escalar em Yosemite. Para ele, o que você é, o quão escala, quantos campeonatos venceu, de nada vale porque em Yosemite todo mundo é igual e todo mundo precisa começar do zero a escalar.

Mesmo me preparando durante um ano para essa trip, eu sabia que isso não seria 100% útil, talvez tenha influenciando uns 20%, o resto tive que aprender por lá mesmo porque nada prepara você para Yosemite! Desde coisas básicas como técnica de escalada, uso de proteção móvel, logística e estratégia de escalada são coisas que você não aprende fora, você aprende em Yosemite.

Pensando nisso, começamos a nossa trip por um lugar “menos punk” chamado Tuolumne que fica fora do vale de Yosemite, mas ainda dentro do Parque Nacional de Yosemite, na parte alta do parque a mais ou menos 2500m de altitude numa vasta pradaria onde os domos de granito ornam a paisagem.

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Lembert Dome em noite de lua cheia.

A nossa estadia de uma semana por Tuolumne era para ser adaptativo, mas já chegamos chutando o balde e no nosso primeiro dia de escalada resolvemos encarar o pico mais cobiçado de Tuolumne, o Cathedral Peak!

Tecnicamente a escalada não oferece grande dificuldades (5.6) mas requer uma aproximação de 3h em aclive constante, mais uma escalada de 2h a 3h (a depender do trânsito) e mais uma caminhada de volta de 3h. E tudo isso acima de 3000m de altitude.

Cathedral Peak

_DSC0545Cathedral Peak ao entardecer. A linha da via transcorre pela aresta da esquerda (Southwest Buttress).

Acordamos cedo, não lembro a hora, mas era antes do sol nascer. Estava muito frio, as pradarias estavam congeladas, não saia água da torneira porque tinha congelado durante a madrugada. Um frio fora do comum para essa época do ano. Então, o jeito foi caminhar para fazer calor e assim partimos rumo à base do Cathedral Peak, o nosso primeiro objetivo da trip. A caminhada foi bem puxada, 4h com direito a meia hora de perdida. O terreno, sempre em aclive, não dava arrego. O ar, rarefeito pela altitude. E nós, brazucas ofegantes! Um somatório de viagem longa, jet lag,  cansaço, altitude… Muitas desculpas para explicar a respiração ofegante, mas tudo compensado pela emoção e motivação de escalar aquele pico.

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Zé Márcio guiando a segunda enfiada da via Southwest Buttress (5.6).

Chegamos na base da montanha e logo fomos procurando a linha da via, Southwest Buttress. Quando não se tem chapeletas marcando a linha, tudo fica mais complicado. Depois de um tempo, achamos a linha da via e já fomos tocando para cima. Essa via, assim com a grande maioria das vias de Yosemite não possuem proteções fixas nem mas paradas. Nem no cume da via tem proteção fixa, por isso é preciso descer desescalando e protegendo para “rapelar” da via. Escalada clássica mais pura impossível!

Mesmo sem fôlego, mandamos a via em um pouco mais de 3h de escalada. Cheguei no cume muito mal por causa da altitude, sol forte, desidratação e tudo mais. E assim fiquei lamentando as dores no cume enquanto esperávamos o Zé o Sandro chegarem. De repente, aparece um senhor de idade no cume! Não um senhor, um vovô mesmo! Um vovô de 83 anos!!!! Ele também fez a mesma caminhada que nós, escalou a mesma via que nós, estava ofegante como eu, mas estava lá. Mal conseguia caminhar direito, mas escalava direitinho. Fiquei imaginando, o cara é quase três vezes mais velho que eu e está feliz da vida no cume. Na hora, engoli o choro, parei de me lamentar e parti para luta.

De quebra ainda levamos “de brinde” a Eichorn’s Pinnacle pela North Face (5.4) que fica ao lado do Cathedral Peak para fechar com chave-de-ouro o primeiro dia de escalada.

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Eichorn’s Pinnacle visto do cume do Cathedral Peak.

Depois disso foi só encarar uma outra descida de 3h até o carro antes de anoitecer e tentar descansar um pouco para o dia seguinte.

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Noite de lua cheia para comemorar a nossa chegada.

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Floresta de pinheiro ao entardecer.

Continua…

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