Campeonato Brasileiro de Boulder (ABEE) 2017: que comece o mi-mi-mi!

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No último sábado, dia 8 de abril, aconteceu no ginásio de escalada Casa de Pedra em São Paulo (SP), a etapa única do campeonato Brasileiro de Boulder 2017 organizado pela Associação Brasileira de Escalada Esportiva (ABEE). O evento contou com a participação de mais de 100 atletas de todo o Brasil que testaram a sua força, inteligência e agilidade nos boulders montados pelos route-setters André Berezoski e Marcelo Balestero.

Anna Shaw no boulder 5 da semi-final. Foto: Kazunari Arima.

A categoria PRO foi dividida em 2 etapas, com uma semi-final pela manhã, onde os atletas tiveram que se virar para mandar os 5 boulders propostos dentro do formato oficial da IFSC. E à noite, aconteceu a grande final, onde os 6 melhores atletas da semi-final tiveram que encarar mais 4 boulders para decidir o campeão brasileiro de 2017.

À tarde, entre e a semi-final PRO e a final, aconteceu a bateria única da categoria Amador, Sênior e Paraclimb no formato festival.

Após uma final super disputada, tanto na categoria masculina quanto na feminina, o gaúcho Pedro Nicoloso e a mineira Patrícia Antunes sagraram-se os grandes vencedores.

Para ver o resultado completo visite o site da ABEE!

Os 13 finalistas.
Davi Silva fechando o boulder 2 da final.
Camila Macedo no boulder 2 da final.
Patrícia Antunes no boulder 3 da final.
Eduardo Silva e Luana Riscado no boulder 4 da final.
Felipe Ho fechando o boulder 3 da final.
Campeã Patrícia Antunes comemorando o boulder 2 da final.
Pedro Nicoloso fechando o boulder 3 e rumo ao título!

O mi-mi-mi

Conforme já reportado neste blog, este ano resolvi voltar às competições. Por isso, desde o início do ano comecei um treino visando esta competição. Não treinei totalmente dedicado, nem me matei por isso, mas tentei manter o foco imprimindo uma boa disciplina de treinamento no muro da ACE. Infelizmente, faltando 2 semanas para o evento, dei de mal jeito no pulso esquerdo fazendo algum boulder. Quando se está na casa dos trinta e com mais de 20 anos de escalada nas costas, as lesões são bastante recorrentes. Faz uns 10 anos que sempre escalo com alguma lesão. Ela não consegue mais sair de mim, fica apenas migrando de um lugar para o outro. Confesso que essa lesão baixou a minha moral e na reta final tive que colocar o pé no freio e me concentrar em curar a lesão. É claro que uma distensão no pulso não se conserta em duas semanas, por isso acabei tendo que competir do jeito que estava. Esparadrapo no pulso, deixar aquecer a munheca para diminuir a dor e kmon!

Voltar para aquele ambiente da reclusão foi muito legal. Lembrei as incontáveis vezes que a gente ficava preso no banheiro, embaixo do sol quente ou qualquer canto que arrumavam para ficarmos durante intermináveis horas. Já fiquei mais de 12h no isolamento… É claro que hoje em dia as coisas estão bem melhores e ninguém mais mofa num banheiro sujo enquanto faz barra na porta. Hoje tudo é programado minuciosamente com horário bem definido!

Mesmo participando sem compromisso, na hora do vamos ver, confesso que o nervosismo apertou um pouco. Tentei manter a concentração lembrando que eu já era galo velho nessas coisas e que nada poderia dar mais nervosismo do que um “esticão da morte” num rampão de granito.

Entrei no 1o boulder e captei no meio daquela barulheira toda um som muito familiar em japonês! Era a minha mãe!!! Pronto, acabou a tranquilidade e o nervosismo voltou novamente.

No início do ano, quando comentei para minha mãe que iria participar do evento, ela disse que também precisava ir a São Paulo fazer umas compras. Assim, acabamos coincidindo as datas para que pudéssemos nos encontrar no mesmo final de semana do campeonato. Além da minha mãe, o meu irmão, a minha cunhada e a minha esposa também foram me ver no campeonato!!! Ou seja, pelo menos estava com uma boa torcida a meu favor!

Logo de cara no primeiro boulder cheguei até o crux, mas vi que o movimento iria exigir uma flexibilidade que no meu auge dos trinta (e tantos) anos eu não tinha mais e acabei não fechado o boulder.

No segundo boulder aconteceu a mesma coisa. Um pé direito alto na agarra de mão insistia em não querer subir.

No terceiro boulder pensei: pronto! Esse eu mando! Era um boulder de equilíbrio em volume, um estilo que eu curto demais, além disso tinha umas passadas de pé bem delicadas que eu estava calejado com os granitos do Espírito Santo. Cheguei tranquilo no crux e na hora de dominar a última agarra, peguei a agarra final com as duas mãos e não consegui dominá-la com consistência e fui à lona…

É claro que o juiz não ia validar o boulder, mas vai explicar isso para minha mãe que foi para cima do juiz cobrar satisfação!!!

Eu não vi a cena, mas a Paula disse que foi uma cena engraçada. Mexeu com o meu filho, mexeu comigo! hahaha

Bem perdido nos volumes. Foto: Kazunari Arima.

No quarto boulder cometi um erro muito primário. Quando fiz a leitura vi uma agarra logo na saída do boulder que por nada neste mundo conseguia dominá-la. Na segunda entrada vi uma segunda agarra no lado e não consegui entender o motivo dela estar lá. Só mais tarde, assistindo o vídeo, vi uma terceira agarra que não tinha visto. Por isso eu não estava conseguindo fazer a saída…

No 5o e último boulder, quando vi as agarras, logo notei que eram as mesmas usadas no campeonato do Chile (?). Aquilo me deu uma motivação extra para tentar mandar pelo menos um boulder! Mas assim que fiz a leitura, vi uma pega invertida para mão esquerda que me deixou muito preocupado, pois sabia que se eu pegasse nela veria estrelas por causa do pulso lesionado! Fiz uma leitura alternativa e fui! (mas é claro que não deu certo). Sem muita escolha, parti para a leitura correta, vi a galáxia inteira na invertida mas consegui passar. Catei a agarra final e de repente estava no chão! Não sei bem o que aconteceu, mas acho que o pulso fraquejou e caí da agarra final, perdendo o meu prêmio de consolação… Depois disso, após tentar 5 boulders, as minhas energias estavam na reserva e não consegui mais nada.

Assim acabou a minha participação no campeonato… Um pouco frustrante, mas ao mesmo tempo muito motivador, afinal de contas, a derrota é sempre uma boa motivação para seguir em frente!

Gastando as últimas energias no boulder 5 da semi-final. Foto: Kazunari Arima.

Agradecimentos

Inicialmente, e obrigatoriamente, preciso agradecer a Paula que me ajudou na logística de todo o evento, providenciando as passagens, a hospedagem e toda programação, além da barulhenta torcida! Basicamente eu só precisei ir lá e escalar! Muito luxo! Também preciso agradecer a minha mãe que tentou me ajudar persuadindo o juiz. A voz de uma mãe no cangote tem um efeito avassalador! Além disso, agradeço a torcida do meu irmão e da minha cunhada! Foi “muito motivador” ouvir o meu irmão falando:  “Essa tu manda fácil!”, e eu ficava pensando:  está brincando comigo?! Não sei nem como começar esse negócio!

Faz-se necessário agradecer também a impecável organização do staff da ABEE que cuidou dos mínimos detalhes para que o evento acontecesse em perfeita tranquilidade. Quem já ficou no back de um evento sabe o quão trabalhoso é fazer a engrenagem rodar sem empecilhos.

Agradeço também ao excelente trabalho dos route-setters, pois são esses os caras que fazem o show acontecer. Eles são os maestros da orquestra e nós, os atletas, apenas os músicos que seguem o ritmo!

E tudo acabou em pizza! Literalmente!

Vídeo

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3 respostas

  1. “o movimento iria exigir uma flexibilidade que no meu auge dos trinta anos”…30 anos? não seria trinta e tantos? Mas parabéns pela motivação!

  2. Nada melhor que lembrar de um “esticão da morte” para se acalmar em qlqr situação kkkk

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