Entre conquistas e repetições

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Zé na 1a enfiada em móvel da via “Xixi na Cama” com o Cinco Pontões ao fundo.

Na semana passada, enquanto descíamos a Pedra Pontuda em meio a escuridão ficava repedindo para mim mesmo: semana que vem Calogi! Amarelos! Pode ser até Morro do Moreno! Só não quero mais isso para mim!!! Mas não resisti!

Sexta-feira, pé na estrada novamente!!!

No sábado, eu, Sandro e Zé Márcio voltamos novamente à Parede dos Sonho para tentar concluir a via que começamos no mês passado, onde na última investida, conquistamos 3 enfiadas curtas até a base de uma grande fenda. Como não deixamos corda fixa na parede porque isso dá azar, repetimos a via novamente e demos continuidade aos trabalhos. O nosso wide-boy Sandro assumiu a ponta e mandou bala na tranqueira da fenda cega. De baixo, parecia que ia entrar várias peças grandes, mas assim que ele botou a cara na fenda, descobriu que a fenda estava mais para píton lâmina do que para um Camalot #6!!! Enquanto o Elvis pegava solto, ele foi tratando de ir largando o peso extra como um avião prestes a fazer um pouso de emergência.

Entre sufoco e garganta seca, Sandro foi ganhando terreno até encontrar a P4, comum a via Sonho Molhado. Repetimos a 5a enfiada da Sonho Molhado até a P5 e em vez de seguir pela Sonho Molhado para o cume, começamos uma outra linha paralela. Assim, tocamos uma travessia à esquerda em busca de uma face mais limpa em agarrência, conquistando mais 60m de via até o “Platô do Pôr-do-sol”. Esse trecho, ao contrário da Sonho Molhado, é muito mais seguro (E2) e mais agradável (nada de trepa mato) e segue por uma linha bem estética de uns 55m.

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Zé na 3a enfiada da via.

Do platô do pôr-do-sol até o cume, uma pequena aderência de uns 20m nos separava. Como acabamos chegando nesse ponto com os últimos raios de sol, concluímos que era melhor descer pela via dando uma melhorada nas proteções do que fazer o cume e deixar a via do jeito que estava. Assim, duplicamos a P6 e colocamos mais duas chapas na 4a enfiada, eliminando assim o lance de E3/E4.

Atualizado em 25/02/2015 – Para informações mais atualizadas, clique aqui!

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Vista do “platô do pôr-do-sol” com o Cinco Pontões ao fundo.

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Parede dos Sonhos em noite de lua cheia.

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Jogo dos 7 erros.

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Em algum lugar de Itaguaçu.

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Já no domingo, acordamos com as galinhas, jogamos tudo para dentro do carro e rumamos ao norte do estado em direção a Águia Branca. Após 120km de muita estrada de chão e rodovia precária chegamos na base da via Toboágua. Essa via foi conquistada no mês passado pelos escaladores José Márcio, Thiago Karapeba e Gillan GVT. E a nossa intenção era fazer a primeira repetição da via e substituir as chapas simples da parada por chapa com argola.

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Linha da via.

Como o nome da via sugere, a via transcorre por dentro de uma grande calha d´água efêmera. Logo, por passar muita água, as agarras da via são super polidas. Bom para os dedos e ruim para os pés! Outra peculiaridade da via é que como ela transcorre pela calha não há a menor possibilidade de você se perder na via. Basta subir sempre pela calha aberta entre os gravatás e bromélias.

A via começa com um “pequeno” solo de uns 50m até a P1. Esse trecho inicial é só um aperitivo para o que vem pela frente. Diz a lenda que uma outra cordada não conseguiu nem chegar na P1 porque a pedra estava levemente úmida. A 2a enfiada é o filé da via. Uma longa enfiada de uns 55m de agarrência em granito polido protegido com apenas 7 proteções. Embora a enfiada seja graduada em Vo SUP, para o guia a enfiada tem cara de 6o grau devido a exposição e pela continuidade que vai tijolando o pé.

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55m de solo básico para começar a via.

A partir dali, a via perde inclinação e tudo começa a ficar mais tranquilo. A 4a, 5a e 6a são bem tranquilas até chegar num grande platô antes do cume.

Na saída do 7a enfiada tem um pequeno lance atlético em agarras e depois volta o granito polido em aderência até a P7 e depois mais um trecho fácil e cume!

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No platô antes do cume (P6). Bom lugar para repor as energias e curtir o visual.

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Sandro na 7a enfiada. Se o bicho pegar, é só sair da via e pisar* nos gravatás. Fica a dica!

Como a montanha é um enorme domo de granito, vale a pena explorar o cume. Demos uma banda pelo cume na companhia das cabras que dão nome a pedra e descemos antes do anoitecer.

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Explorando o cume da Pedra da Cabrita. Ao fundo a cidade de Águia Branca encravada no mar de de granito.

Como a via transcorre pela calha, o rapel também é facilitado. Tenho a impressão de que a descida dessa via seja a mais tranquila de todo o ES. Por aqui, descer rapelando pela via é sinônimo de corda presa em gravatá, corda embolada e rapel demorado. Mas não na Toboágua, onde a corda desce suave pela calha sem prender em nada. A prova disso é que nós três descemos os 360m da via em menos 50 minutos.

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Sol se pondo no horizonte durante o rapel.

E mais rápido do que a descida é a caminhada até o estacionamento. Em menos de 5 minutos estávamos no carro e prontos para mais 4h de estrada até Vitória!

Valeu demais Zé e Sandro, grande presença!

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