Maratona de escalada

Final do dia no Grupo 3, Serra do Cipó-MG. Há 10 anos, sempre que vou ao Cipó faço essa foto, mas jamais consegui expressa numa foto a sensação de estar diante dessa pedra incrível.

Às vezes, ficava entediado no escritório pensando: poxa, que sol lá fora, quem me dera passar uns 5 dias escalando até não aguentar mais… Já pensou?

Pois é, virou realidade! Quarta-feira de feriado nacional, 5a feira de feriado local, 6a feira enforcada, sábado e domingo! Cinco dias de escalada e zero de descanso.

Foi com esse espírito que o bonde capixaba rumou à Serra do Cipó para simplesmente, escalar, escalar e escalar…

Saímos na 4a feira, às 4h da madrugada, eu e o Felipe (Alves) num carro, o Xerxes, a Luciola e o Sandro num outro e o Zé e a Tuta no terceiro. Rodamos 10h até o Cipó e chegamos por volta das 14h no Abrigo Cipó. E o que uma pessoa normal faria depois de 10h de estrada? Pois é, mas nós estávamos tão na pilha que botamos a mochila nas costas e com a desculpa de relaxar um pouco, fomos dar uma escaladinha no Grupo 3. Não preciso nem dizer que foi um desastre… Mas pelo menos demos “uma relaxada”.

Abrigo Cipó com o recém inaugurado chalé 3 à direita.

Luz da manhã.

Que preguiça…

Hibiscas.

No segundo dia, o Felipe saltou da cama às 6h e às 7h estava prontinho para o climb! Frenético total! Acho que às 8h todos nós estávamos a caminho do Grupo 3. Nesse dia fomos conhecer o mais novo setor do Cipó, o Perseguido (ou Perseguida). O setor conta com 5 vias (6o, 7o e 3 oitavos), todas acima de 25m. Todas as vias são incríveis, sem exceção! E o melhor de tudo, o setor ficar num corredor que venta muito e com sombra o dia todo. Tudo que nós queríamos naquele calor escaldante!

No terceiro dia, acordamos morgados! A perseguida acabou conosco! Tentei a Psicose (9b) sem sucesso e o Felipe batalhou a Pressão na Oposição (9b), também sem sucesso.

Felipe no primeiro crux da Pressão na oposição (9b).

Ah sim, na noite anterior deu a louca no Rebit e ele literalmente veio voando até o Cipó para se juntar a trip e tentar o karma dele, Morfina que também ficou para próxima vez… Mas em compensação o Zé e o Xerxes mandaram a Busanfa (8a) após um dia de muito trabalho!! Alias, foi o primeiro 8a do Xerxes! Difícil foi aguentar ele depois…

Tecnicamente a foto ficou uma b%$##, mas vale pelo registro do garotinho que deixou de ser coroinha.

Tá doendo? Xerxes relaxando após um longo dia de escalada.

No quarto dia, o Felipe já não foi o primeiro a acordar (foi o último), alias ninguém conseguiu acordar cedo. A galera estava na derrota total. Rastejamos para fora do abrigo e rumamos ao Sítio do Rod para um dia mais light, ou não…

Como eu estava com umas dores nas costas e no pescoço por causa de uma aterrissagem mal sucedida do dia anterior, tive que pegar mais leve e fiquei curtindo umas vias mais tranquilas e fazendo alguns registros.

Sandro Almeida trabalhando Heterosapiens (10b) com Drosa na segue.

Muito seco…

Rebit fechando a via Gaibous in the Laibous (7b). Sítio do Rod. Baita luz!

Galera fritando… Detalhe para o ânimo da galera após 4 dias de climb!

À noite, caimos para o Abrigo da Lapinha, um lugar muito maneiro que fica perto da Lapinha. Chegamos tarde no abrigo e saímos cedo no 5o e último dia de climb! Objetivo do dia? Lapinha! Desde a reabertura da Lapinha há uns meses atrás, há uma série de regras para poder escalar lá. Começando que o local abre apenas aos domingos se só pode entrar 40 escaladores por dia. Por isso tivemos que acordar cedo para garantir a vaga!

Abrigo Lapinha

Palha dourada.

Esquilinho comendo uma amora.

Como todos nos estávamos na capa da gaita, 3h foram mais do que suficientes para acabar com o resto de nossas energias, menos para o Felipe que tirou força de sei lá onde para mandar à vista a via Realidade Sobreposta (8b).

E depois de fechar com chave de ouro, só nos restou mais 10 horas de estrada até Vitória…

Sempre que vou ao Cipó fico me perguntando o que aquele lugar tem de tão mágico que atrai tantos escaladores do Brasil e do mundo inteiro. E toda vez que vou lá saio com uma teoria nova. Dessa vez eu acho que a resposta não está nas pedras ou nas vias, mas sim nas pessoas. Tive a sensação de que a magia do lugar está nas pessoas lá frequentam e que compartilham boas vibrações. Parece que lá é a terra da alegria e da felicidade. Não vi pessoas estressadas, tristes ou deprimidas. Parece que toda essa aurea de energia positiva contagia as pessoas e torna do lugar tão incrível.

Já dizia o Poder, de nada adianta você estar no melhor setor de escalada do mundo se você não estiver cercado de bons amigos!

Falando em bons amigos, lembranças e agradecimentos aos membros do bonde capixaba, a Rafa e o Barão e ao meu fiel guia Fred Viana que sabe escolher via, mas não sabe indicar bons restaurantes… E também ao Palito e seu fiel amigo Fio dental pela CIA e betas quentes.

 

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One Response

  1. Parabéns Naoki, mais uma vez com fotos sensacionais! Obrigado pelo click no que foi a via mais forte que já fiz em toda minha vida… Até agora! Valeu!!!

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