Nem tudo são flores

Os leitores do blog devem achar que quando nós saímos para conquistar tudo são flores. Passamos alguns perrengues, mas no final, chegamos no cume. Só que isso não é verdade. Às vezes, somos solenemente expulsos da pedra com o rabo entre as pernas. Como foi o caso de ontem…

O objetivo do dia era começar a conquista de uma via na Pedra do Congresso em Castelo com o Afeto, DuNada e o Dudu. Numa outra ocasião tinha vislumbrando um grande sistema de fendas nesta pedra que parecia bem promissora. Então, no último sábado fomos dar uma conferida na tal fenda.

Resumidamente, a tal fenda não era bem uma fenda, mas sim uma variação na composição granito que conferia a rocha um aspecto fendado. E as fendas que tinha visto de longe eram fraturas fechadas onde mal cabia um piton lâmina.

Por descargo de consciência, conquistamos os 40m iniciais em um trecho misto até um grande platô onde foi possível fazer uma avaliação mais ampla da pedra. A via tem chance de seguir, sempre buscando as fendas isoladas, mas a muito custo. Como tivemos o gosto de sentir como seria essa busca na 1a enfiada, optamos por abandonar a tentativa por ali mesmo.

Desistir de uma empreitada nunca é muito fácil. Concentramos esforço, investimos tempo e dinheiro e dar a meia volta antes mesmo de começar a escalar de verdade foi um pouco frustrante, mas faz parte do esporte. Não podemos ter tudo que queremos nesta vida.

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Estacionamento vip! 10m de aproximação e o tamanho da encrenca.

Como prêmio de consolação conquistamos um pequeno totem de uns 40m que fica ao lado da via. Como as fendas são uma raridade por aqui, não pensamos duas vezes, carregamos o rack com os móveis e partimos para a conquista.

A via, ainda sem nome, ficou com aproximadamente 40m de extensão e é toda protegida em móvel. Somente na parada há 2 chapeletas com malha para descer da via.

A primeira vista, a linha parecia ser relativamente fácil. Tudo indicava que o crux ficava na saída, num trecho de fenda de meio corpo que gradualmente ia diminuindo até se transformar em uma fenda de mão. De fato, a saída ficou desconfortável e mal protegida, mas crux mesmo ficou para o final da enfiada, nos últimos 6m, onde a pedra ganha maior inclinação.

Em termos de dificuldade, daria um 7o grau, mas pelo que andei aprendendo um pouco sobre graduação de fenda em Yosemite, essa fenda não deve valer mais do que um 5o SUP/6o… Eta coisa difícil!

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Na fenda sem nome. Trecho de Camalot #4, antes do crux. Foto: Caio Afeto.

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Na seção final. E o sol do meio-dia fritando! Foto: Caio Afeto.

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Linha da via. A parada fixa fica no final do totem.

Para repetir a via é necessário 2 jogos de Camalot do #.75 ao #4. O ideal é ter 3 Camalot’s #4 para proteger bem a saída. Também foi usado um #6 que não ficou bom na saída, mas faz se necessário para “proteger” o crux.

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Saindo de fininho com a Pedra do Congresso ao fundo. Foto: Caio Afeto.

Não foi um dia de escalada épica, mas valeu pelo aprendizado e para rever os amigos de longa data!

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Quando esses caras se encontram, não dá para esperar coisa boa! Foto: Caio Afeto.

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