Pirâmide de graduação

Este post é só para expor o meu ponto de vista, ou filosofia, sobre alguns aspectos referentes à graduação e evolução. Não é uma verdade absoluta, longe disso. É apenas uma opinião pessoal para gerar uma discussão e, quem sabe, servir de inspiração (ou não) para algumas pessoas.

Uma das primeiras coisas que eu aprendi (entre as várias) quando comecei a me dedicar mais à escalada esportiva foi a tal da pirâmide de graduação.

Quem é usuário do 8.nu sabe mais ou menos do que estou falando.

A minha pirâmide é essa:

No eixo das ordenadas está o grau (aqui em francês) e na abcissa a quantidade. Em preto o à vista, em laranja à flash e em vermelho o red point.

Vale lembrar que para a pirâmide ter alguma utilidade, tem que contabilizar somente o score dos últimos 12 meses. Não adianta puxar o score dos últimos 5 anos e querer fazer uma análise. A escalada esportiva é cruel…

Testando a pirâmide em Arco. Foto: Roni Andres

A teoria diz o seguinte: para você evoluir mais rápido na escalada e atingir o seu primeiro 5.14 (ou seja lá o que for), você precisa ter uma boa base. Ou seja, a base da pirâmide tem que ser larga. Se a sua base for muito estreita, as chances de subir um grau serão bem menores em relação a quem tiver uma base mais larga.

Por exemplo, analisando o meu gráfico: se eu quiser mandar hoje um 8a o melhor que tenho a fazer é melhorar mais a minha base de escalada, mandar mais vias de 7c, 7c+ e alargar toda a base (considerando a base como 7a). Assim, em médio prazo terei muito mais chance de mandar “rapidamente” um 8a trabalhado.

Então, só de olhar para o meu gráfico, eu sei que atualmente não estou em condições de mandar um 8a. Posso até mandar um 8a, mas terei muito mais dificuldades do que se eu tivesse uma base mais sólida.

Há outra relação bem interessante entre à vista, grau trabalhado (até 4 tentativas = 1 dia) e grau super-trabalhado (>2 dias de trabalho).

Mais uma vez analisando o meu gráfico, sempre com base no histórico dos últimos 12 meses. O meu grau máximo à vista é 7b (em preto). Se eu somar mais 3 letras, daria 7c+, logo o meu grau trabalhado seria 7c+ (até 4 tentativas ou 1 dia). Assim, eu sei que teoricamente tenho condições de mandar um 7c+  em poucas tentativas. E se eu somar mais 2 letras, que daria 8a+, esse seria o meu grau super-trabalhado. Ou seja, se eu me dedicar alguns dias num 8a+, teoricamente terei alguma chance de mandar uma 8a+.

Também tem uma relação com a escalada flash. A relação é simples: se estou mandando um 7b à vista, há grande chances de mandar um 7b+ à flash. Basta somar um grau.

Bom, números são apenas números, mas ao longo dos anos essa relação tem se mostrando bem realista para o meu caso e tem servido muito bem para saber até onde posso ir com a minha escalada. A minha pirâmide atual não está lá grandes coisas, mas está dentro do que estou falando. O à vista em 7b, um flash em 7b+ e o trabalhado em 7c e 7c+. Esse 7c e 7c+ foram na 4a e 2a tentativa respectivamente.

Também para as trips tem sido muito úteis. Não adianta, por exemplo, eu ficar me iludindo e achando que numa trip  irei mandar um 8a+ na segunda tentativa com esse atual desempenho. A pirâmide diz que tenho grandes chances de mandar vários 7a+ à vista, quem sabe um 7b, e alguns 7b+/7c trabalhado. Essa é a realidade.

Vale lembrar que essa relação não saiu do meu imaginário nem das minhas experiências. Está documentado na literatura e é advogado por vários escaladores de renome (como por exemplo: Alex Huber).

E por último, outra ideia que aplico nas minhas escaladas: Nunca repetir uma via! Ok, têm algumas vias que são lindas demais e vale a pena serem repetidas, mas na medida do possível tento não repetir uma via. Mandou a via, está mandado e pronto! O aprendizado está feito. Tem que partir para outra via. Achar que se você mandar 10 vezes um mesmo 7b vai mandar um 7b+  à vista é ilusão, porque o que contabiliza no final é o grau à vista. Até porque o seu lugar é o grau à vista. O fato de um dia ter mandando um 8a após meses de trabalho, não o torna um escalador sólido daquele grau. No meu caso por exemplo, eu me considero atualmente um escalador de 7a+, porque sei que tenho um certo domínio no à vista sobre esse grau. Não me considero um escalador de 7c+ porque isso é quase um ponto fora da reta. Para eu ser um escalador de 7c+ tenho que estar mandando no mínimo um ou dois 7c+ à vista. Cruel a vida né?

E se não tiver vias do seu grau na região? Sem pânico, é só abrir! ; )

Bons ventos e kmon para o topo da pirâmide!

Este post tem 4 comentários

  1. Muito bom esse teu texto Naoki!
    Eu ainda tô bem longe de construir uma pirâmide assim, mas realmente vejo que é importante fortalecer a base. Pode ter certeza que foi uma inspiração a mais ler isso!

  2. é verdade…. na real, bom para parar e pensar.
    Bom texto, parabéns… “bora pro Ita”! Alargar a base….

  3. Olá Naoki,

    Por curiosidade, que lente você está usando, para a foto acima? Outra foto espetacular é aquela do buraco do padre! Parabéns!

    Abs., Rodrigo

  4. Valeu Rodrigo!
    Essa foto foi tirada com uma D90 + Sigma 10-20mm a 20mm. Abs

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Fechar Menu