Reaprendendo a escalar

Para quem ainda não está sabendo, o webmaster e ex-holdmaker deste site, por motivos profissionais, está morando no Rio de Janeiro deste o início deste ano. O site está sendo atualizado diretamente de um hotel do centro do Rio a partir das notícias que o pessoal vai mandando por e-mail. Quanto as agarras, os escaladores Thiago Balen e Matheus Correa assumiram toda a parte referente a fabricação e venda das agarras. A partir de hoje, eu só cuido da parte do site, por isso se alguém precisar alguma info sobre agarras, apoios, muro, etc, entre em contato pelo e-mail pedidos@agarrassauro.com.

Quanto as escaladas no Rio, o que eu sei é que eu vou ter que começar do zero novamente, já que escalar em granito é totalmente diferente de escalar nos negativos da Gruta ou do Salto. Lugar para começar tem aos montes, já que o Rio de Janeiro é conhecido como o maior centro urbano de escalada do Brasil. Aqui você pode, após um longo dia de trabalho, pensar: Que vou fazer depois do trabalho? Boulder na Urca? Uma escaladinha nas falésias do Platô da Lagoa ou entrar em alguma via do Pão de Açúcar? Independente da escolha é diversão na certa.

Escalando a 1a enfiada do Lagartão, Pão de Açúcar – RJ.

A primeira lição que aprendi aqui foi que o Rio de Janeiro é uma cidade chuvosa, principalmente nessa época do ano. E descobri isso da pior maneira possível. Estava na 4ª enfiada da via Cisco Kid, no terço superior do Pão de Açúcar, quando o céu desabou e fiquei feito pinto molhado na parada esperando a chuva passar. Moral da história, no dia seguinte fui voando comprar um anorak e desde então sempre ando com ele na mochila (e já usei mais de uma vez desde então….). Segunda lição: quem tem cabeça usa capacete. As vias tradicionais no Rio são assim: grampeação espaçada, esticões 3~6m são comuns. Os grampos estão sempre com aquele aspecto marrom, cor de oxidação (por causa da maresia) e algumas vezes meio para fora ou pior ainda, um pouquinho dobrado. Solução: Usar capacete, a final de contas as agarras quebram e não deve ser muito divertido cair numa rampa de granito. No mesmo dia que fui comprar o anorak tive que providenciar um capacete…. Terceira lição: Os cariocas usam uma graduação um pouco diferente daquela adotada pelos gaúchos, principalmente para as paredes. Uma via é normalmente graduada, por exemplo, assim: 5º VIIa E3 D2 160m. Traduzindo: 5º é o grau geral, mas o 5º daqui, principalmente em aderências e placas não é bem assim, principalmente se a terceira sigla (E3) for superiora a E3. O “E” alguma coisa refere-se ao grau de exposição. Então, qualquer coisa igual ou acima de E3 é garantia de cueca borrada e belos momentos de pavor (no último E3 que eu entrei, não tive dúvida, abandonei a via num pino torto porque achei melhor rapelar num pino torto do que tocar um esticão até a parada). A segunda letra, VIIa, refere-se ao grau máximo de um lance, ou seja, se não está mandando um VIIa, nem te apresenta para a via. (Ah, VIIa de rampa!) Bom, o D é o tempo para fazer a via e o último número, a extensão da via em metros. No início achava tudo isso meio frescura de carioca, mas depois descobri que é bastante útil, principalmente a letra “E” alguma coisa….

A vida é assim mesmo, um eterno aprendizado. Ainda estou aqui há apenas uma semana e tenho muita coisa para escalar e aprender. Aos pouco vou pegando e entrando no espírito da coisa.

Um abraço

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