Top 9 – Vias tradicionais do Espírito Santo

Esses dias rolou uma discussão por e-mail sobre as melhores vias tradicionais do Espírito Santo. Achei o assunto bem interessante e resolvi fazer uma lista “por fora”.

A lista é baseada apenas na minha experiência. Não repeti todas as vias do ES para ter uma visão mais ampla. Segundo meus cálculos escalei apenas 50 vias tradicionais no estado, dentro de um universo de aproximadamente 200 vias. Por isso, a lista abaixo não é representativa, mas acho que poderá ser útil como um guia para quem estiver interessado em dar um rolê por essas bandas.

Se você estiver interessado nas vias esportivas, tem uma lista neste link que eu fiz em 2013.

Segue a lista!

Ah, a ordem dos fatores não altera o produto!

 1 – Plano de Manejo (5°, VI, A0 E1 D1, 165m ) – Morro do Penedo – Vila Velha.

DSC_0103

Aproximação antes de embarcar no barquinho.

Há duas coisas tornam essa via especial: Visual e a aproximação!

A via foi conquistada, na verdade equipada, pelos escaladores Roney DuNada, Porko e Chuck Nóia em 2010 e transcorre pela face norte da montanha com uma visão privilegiada de todo o Canal de Vitória.

Como a via começa a partir do canal, para acessar a base da via, é preciso pegar um barco para chegar na base e começar a escalada. Só essa parte da travessia de barco é uma emoção à parte e já vale o passeio.

O ruim é que se você desistir da escalada por algum motivo, tipo chuva, você precisará ser resgatado de barco.

A via em si é uma escalada típica do estado com muito lance em aderência e alguns esticões para os mais desacostumados.

A via é uma ótima opção para quem estiver sem tempo para viajar ao interior e quiser curtir um pouco o ambiente de montanha mais perto da capital.

Outra dica bacana é escalar ao entardecer para curtir um por-do-sol que é muito bonito. Além disso, o Penedo recebe iluminação artificial durante a noite, o que ajuda um pouco no final.

Penedo

Linha da via. Os lances que estão escritos “expo” foram posteriormente melhorados com a colocação de mais grampos.

Para ver o croqui, clique aqui!

2 – Luz no fim do túnel (D1 5º VI E2, 140m) Pedra do Pontilhão, Domingos Martins.

Luz no fim do túnel, ES
Luz no fim do túnel, ES

Essa via é considerada a via tradicional mais repetida do estado, segundo o “livro de cume”. Há uma série de fatores que tornam essa via tão apreciada pela galera. (1) A via fica relativamente perto da capital. Em menos de 2h você consegue chegar até a base da via. (2) A via é relativamente fácil e bem protegida, fazendo com que seja a primeira via tradicional de muita gente que está começando; (3) Visual ímpar da região com uma aproximação bem característica. A via fica na encosta de um grande vale cortado pelo Rio Jucu, que proporciona uma bela paisagem. Além disso, na aproximação você precisa atravessar um túnel de trem. E o mais legal de tudo, se tiver sorte, poderá ver um trem passando enquanto escala a via. Se tiver azar, vai pegar o trem enquanto estiver caminhando dentro do túnel. Ai, corra!

Conquistadores: Oswaldo Cruz de Almeida Junior, Sarah Abner Castro dos Santos, Jerônimo Aguiar.

Para ver o croqui: http://www.ace-es.org.br/scripts/croqui.asp?via=212

3 – Trem Fantasma (5º, VII, D2 E3, 350m)  – Ibiraçu

IMG_4423

A Trem Fantasma foi conquista em 1999 pelos escaladores Zé Márcio e Renato Souza e é considerada até hoje “uma via de prova”. Ela não é uma via com visual incrível, muito pelo contrário, fica perto de um trilho de trem. Os primeiros trens são até legais de ver passando, mas é tanto trem passando que uma hora enche o saco.

Mas o que faz dela uma via famosa por aqui é que muito tentaram e poucos terminaram. Talvez seja uma das vias com maior índice de insucesso devido, em parte, a dificuldade técnica da escalada. E isso fez com que a via ficasse de certa forma bem famosa.

Para ver o croqui: http://www.ace-es.org.br/scripts/croqui.asp?via=1

4 – Chaminé Cachoeiro (5o, VI, E3, D3, 300m), Pico do Itabira – Cachoeiro do Itapemirim

DSC_0087

O Espírito Santo é a terra dos famosos pontões e suas chaminés vertiginosas que cortam a pedra de cabo à rabo. Dentre os inúmeros pontões, o Pico do Itabira em Cachoeiro do Itapemirim, com a famosa chaminé sul é a mais conhecida de todas.

Assim como qualquer chaminé não é uma escalada fácil, por vezes é mais ralação do que escalada. Por isso mesmo, a via não recebe muitas repetições, mas não deixa de ser um clássico da escalada capixaba.

Escalar a Chaminé Cachoeiro é como respirar a história do montanhismo capixaba e brasileiro. Acho que o grande barato dessa escalada é você estudar toda a história da conquista da via antes de entrar nela. Assim, quando você estiver escalando a via, vai se lembrar que a mais de 50 anos, homens valentes passaram pelo mesmo lugar usando equipamentos rudimentares para os dias de hoje.

Conquistadores: Gilberto Neves Pimentel, Mauro Villela de Andrade, Patrick David White

Chamine_cachoeiro

5- Paredão Lubrina, Pedra do Córrego (4º, VI, E2, D2, 350m) Pancas

_DSF1072

Essa via foi aberta em 2013 por um grupo de escaladores do Paraná que vieram passar as férias no Espírito Santo. A principal característica desta via é que ela transcorre, em boa parte, por um veio de cristal (veio pegmatítico). Ou seja, você sempre escala em agarras (e grandes), o que não é comum nessa região.

Em termos de beleza cênica, o local não tem nada demais. Apenas uma paisagem típica do interior do Espírito Santo (cafezal a perder de vista). A montanha também não tem um cume bem definido. Você chega num cume sujo. Mas o que torna ela TOP mesmo é a qualidade ímpar da rocha que garante algumas boas horas de puro desfrute.

Conquistadores: Alexandre Langer, Daniel J. Casas, Izabela P. Cardoso

Para ler o relato da conquista: http://ecosdamontanha.blogspot.com.br/2014/09/pontoes-capixabas.html

6- Xixi Molhado (4º, VI, E2, D2, 280m), Parede dos Sonhos, Itarana

_DSF5523

O Espírito Santo é um estado abençoado em termos de montanhas, mas por outro lado, as montanhas carecem de fendas e fraturas. Por isso, uma montanha bem fendada é coisa rara por aqui. E uma das montanhas com um bom sistema de fendas é a Parede dos Sonhos em Itarana. A via Xixi Molhado (uma mescla das vias Xixi na Cama com Sonho Molhado), corta este belo sistema de fendas de cabo à rabo, proporcionando uma escalada de excelente qualidade. Além disso, entre uma sequência de fenda e outra, há belas seções de escalada em agarras de transição.

Embora o cume seja acessível a pé, o visual é magnífico com uma vista privilegiada dos Cinco Pontões.

2015.02.21_Parede_sonho1

Para ler mais sobre as vias da Parede dos Sonhos, clique aqui!

7- Nornal (4°, V, D1, E2, 160m), Pedra Pontuda, Castelo

_DSC1581

A Pedra Pontuda é uma das várias montanhas que compõem o complexo granítico do Forno Grande, na região de Castelo. Ao lado do Pico do Forno Grande (2053m), a Pedra Pontuda é um dos picos mais proeminentes da região.

A via normal de acesso ao cume foi conquista em 1978 pelos escaladores Francesco Bernardi, Jessé Ferreira e Mário Arnoud. A escalada é bem tranquila, sem maiores dificuldades e é protegida com material móvel intercalada com alguns grampos históricos.

O principal atrativo desta montanha é o ambiente de montanha, já que o montanha tem uma altitude de aproximadamente 1500m, o que lhe confere um ambiente único na região.

Para curtir ao máximo esta montanha, o ideal é escalar ela durante o inverno e curtir o belo pôr-do-sol do seu cume.

Para saber mais sobre a via, clique aqui!

8- Batata Quente (D1, E2, 7o, 150m), Pedra São Cristóvão, Castelo

_DSF8860

A Pedra São Cristóvão é uma pequena pedra localizada no interior do município de Castelo. Quando visto pela face leste, esta montanha se mostra imponente e intimidadora, mas é na face norte que está a via “normal” que dá acesso ao cume da pedra.

A via é relativamente curta, não mais que 150m de extensão, no entanto a escalada é bem intensa. Três das cinco enfiadas estão graduadas em 7o grau constante em aderência.

Além da dificuldade técnica da via, outro atrativo desta pedra é o visual único do cume desta montanha. Do cume desta montanha é possível ver praticamente todas as principais montanhas da região, além do sempre onipresente Pico do Forno Grande.

Para saber mais sobre a via, clique aqui!

9- Inferno na Torre (5º, VI, A1, D2, E2, 300m), Três Pontões de Afonso Cláudio, Afonso Cláudio

Três Pontões, ES.

Os Três Pontões de Afonso Cláudio é, com certeza, uma das pedra símbolo do montanhismo capixaba.

A via Inferno da Torre, transcorre pela face sul até o cume do famoso “Dedinho”, um dos 4 pontões que compõem a montanha.

Esta via foi aberta em 1996 pelos escaladores locais Roberto Tristão e Gilberto Azevedo após várias investidas. Inclusive o nome Inferno na Torre surgiu porque durante uma das investidas, num bivaque planejado, o fogareiro da dupla explodiu e causou um pequeno incêndio que logo foi controlado.

A escalada em si é bastante exigente e variada, o que exige um longo dia na montanha. Mas o esforço é compensado pelo incrível visual que se tem deste minúsculo cume.

Para ler mais sobre essa e outras vias dos Três Pontões, clique aqui!


 

Eu sei que algumas pessoas não concordarão com esta lista. Para ser sincero, acho que nem eu concordo 100%. Mas é uma pequena amostra do que o ES tem a oferecer. E posso garantir com toda a certeza de que há dezenas de outras vias com a mesma qualidade!

One Response

  1. Gostei das dicas. Muito boa. Tenho interesse de subir o pico de Itabira

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.