Abertura da Temporada de Escalada 2019 – Como foi

Renan na via Aresta Bope (7b)

Aconteceu no último final de semana, dias 8 e 9 de junho, mais uma edição da Abertura da Temporada de Escalada em Castelo, evento organizado pela Associação Capixaba de Escalada – ACE.

Vale lembrar que este evento foi postergado para o último final de semana por causa da chuva que “desabou” no Estado há duas semanas. E pelo visto, desta vez a palavra “abertura” parece que fez jus, pois no último final de semana, a temperatura despencou e bateu o recorde do ano com mínima na casa dos 6 graus Celsius na região serrana. Para quem não sabe, a “Abertura da Temporada” é um evento festivo criado para “comemorar” a chegada da melhor época do ano para escalar na região, embora aqui no Espírito Santo a temporada seja de 365 dias.

Amanhecer na região do Forno Grande.

O evento

No sábado, parte dos participantes foram conhecer o cume do Pico do Forno  Grande que teve sua abertura “oficial” no evento. O Pico do Forno Grande com 2053m de altitude é a maior montanha do Estado fora do Complexo de Caparaó e é visível de diversas montanhas da região. Por anos, o acesso ao cume esteve fechado pelo Parque Estadual e esse ano, após muita negociação entre a administração do parque e a Associação Capixaba de Escalada, finalmente foi reaberto ao público geral. Vale lembrar que os agendamentos ainda não estão ocorrendo, por isso o acesso ainda está fechado para o público. Está faltando alguns detalhes técnicos, mas logo logo estaremos lá.

Pico do Forno Grande.

Outra parte da galera desceu para parede de Apeninos para escalar as “vias com agarras” que lá abundam. Para quem está acostumado a escalar em granito liso, lá é o paraíso das agarras gigantes.

Já no outro lado da cidade, em Estrela do Norte, a dupla Ghiany e Baldin foram repetir a via Planeta Vermelho (440m) na Pedra dos Planetas.

É para lá que eu vou!
Dante na via Castelo Ra-Tim-Bum (VI).
Segue atenta!
Breno na via Castelo-Ra-Tim-Bum (VI).

Já a noite, a concentração foi no Lazer Furlan, onde a galera comeu até não aguentar mais a deliciosa janta que é uma das marcas registradas de lá. De bucho cheio, foi hora de ouvir um pouco a palestra institucional da ACE mostrando um pouco seu trabalho em prol da escalada. Na sequência, ainda tivemos a apresentação de boas-vindas do diretor do Parque do Forno Grande, senhor Rodolpho; uma apresentação do espaço Boulder Vix; distribuição de brindes e o tradicional bingo “cantado” pelo Andin.

Clique na foto para ampliar!

O resto da noite ficou por conta da integração entre os participantes regado a muita cerveja artesanal, pinga artesanal, vinho e um destilado de banana que rolou solto entre as mesas. Só sei que a meia-noite teve midnight climb e gente indo dormir às 4h da manhã.

Domingo

Já no domingo, o dia começou com aquele café da manhã que tira qualquer um da dieta e uma aula de yoga com a instrutora Simone para começar o domingo mais relaxado.

Depois da foto oficial, quem conseguiu foi escalar nos blocos que ficam atrás do camping e só retornaram mais tarde para o workshop de improviso organizado pelo Baldin.

Clique na foto para ampliar!

Foto oficial do evento.

De todas as edições, esse evento foi, com certeza, um dos melhores que já tivemos. A percepção que eu tive que nesse evento teve mais escaladores, pois nas outras edições a proporção entre escaladores e não-escaladores era bem equilibrada.

Ano que vem estaremos fazendo 10 anos de Furlan, será uma data especial que precisa ser comemorada em grande estilo. Se a animação da galera for como a desse ano, certamente teremos um grande evento em 2020!

Lazer Furlan.

Pedra Pontuda

Na semana que antecedeu ao evento, o Zé Márcio lançou no grupo do Whatt uma ideia muito legal. Ele se ofereceu para guiar duas pessoas que não tivessem experiência em escalada móvel para escalar a Normal da Pedra Pontuda durante o evento. Achei legal a ideia e também me coloquei à disposição, pois eu já tinha repetido essa via e sempre quis voltar lá novamente só por curtição. A escalada é relativamente fácil, mas exige um carro 4×4 para facilitar a aproximação e material móvel.

Pedra Pontuda.

Por muito tempo, uns 15 anos, não tive material móvel, pois estava aquém do meu orçamento, mas sempre tive bons amigos que me emprestavam ou me levavam para montanha. Só fui ter o meu próprio material móvel nos últimos 10 anos, então acho bacana passar adiante o que os outros fizeram por mim e mostrar o maravilhoso mundo da escalada limpa.

Entre imprevistos e desistências, no fim das contas a coisa ficou assim: O Fred, Tesourinho e Ronald fecharam um trio, usando parte dos meus móveis e do Zé. E o Zé que iria guia-los teve que abortar a missão por causa de uma pequena cirurgia nos dentes e ficou de Uber levando e trazendo o trio. Na outra dupla, passei mais um jogo de móvel para Jana e a Riva que fecharem uma segunda dupla. E eu catei o que sobrou para escalar com a Maisa, fechando assim a 3a a cordada.

Em 11 anos de Espírito Santo, essa foi a primeira vez que dividi uma montanha com mais de duas cordadas. Sei que em muitos locais, isso é super comum, mas por aqui isso é raridade. Aqui, nós temos o privilégio de sempre ter uma via inteiramente à disposição só para nós.

Para evitar tráfego, o primeiro trio saiu mais cedo e nós chegamos mais tarde na base da via. Acho que chegamos por volta das 11h45 e encontramos a primeira cordada começando a segunda enfiada.

Jana puxando a 1a enfiada.

Expliquei rapidamente para as meninas alguns macetes sobre os móveis e toquei na frente. Depois desci um pouco pela corda fixa e fiquei de olho na segunda dupla com a Jana puxando a frente. A escalada não é difícil, mas como não tem proteções fixas, a orientação é um pouco mais complicada, principalmente para quem não está acostumado a farejar a linha da via.

Riva chegando no cume.

Nesse ritmos, tocamos a escalada e chegamos no cume por volta das 15h após 3h de escalada. Após um descanso e aquela foto oficial no cume iniciamos a descida enquanto víamos ao longe, no cume do Forno Grande, a turma que subiu a montanha.

Cume!
Foto do cume.
Maisa no primeiro rapel.

Compartilhar experiência sempre é muito bacana, ainda mais com as meninas com quem treino toda semana no muro da ACE. Elas foram muito bem na escalada, mantendo um bom ritmo, mesmo tendo contato com os móveis pela primeira vez. Pelo visto foram picadas pelo mosquitinho da tradicional móvel!

Entardecer na Pontuda.
A tal hora mágica, quando tudo fica bonito.

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