Calogi & Bloco dos Extintores

Calogi

Tempo atrás, a Yasmin me disse que um dia queria equipar uma via em algum lugar. Não é todo dia que alguém me procurado pedido “trabalho”. Talvez porque já sabem que conquistar é trabalhoso, oneroso e por vezes, sofrido. Ou não!

Uma coisa que não falta no Espírito Santo é pedra para conquistar, então quando alguém se voluntaria para equipar uma via, nem penso duas vezes e já vou passando a furadeira com um molho de chapeletas.

Durante a quarentena, fizemos uma manutenção na trilha de acesso ao Calogi, vi uma possível linha na parede lateral do bloco da “Batida” que dá acesso ao “Segundo andar”. E quando a Ya falou que “procurava trabalho” pensei justamente nessa linha por ser uma linha mais fácil para equipagem.

Manutenção da trilha de acesso ao Calogi.

Para quem tiver interesse em saber como funciona o processo de equipagem, segue o passo-a-passo:

1- Escolher uma linha (fiz isso previamente numa outra ocasião);

2- Preparar a base da via. Essa parte deixei para o Lissandro, pai da Yasmin (alinhar a base, montar contenção… Literalmente o trabalho sujo);

3- Descer pela linha pretendida para “mapear” as agarras e ver se ali realmente sai uma via;

4- Voltar ao topo para bater a parada e descer limpando/escovando as agarras;

5- Trabalhar a via em top rope para isolar as passadas e definir a posição das chapeletas;

6- Bater as proteções fixas;

7- E se sobrar energia, entrar na via para fazer o FA!

E assim nasceu a via “Maquineta Amarelinha” (4 proteções mais a parada) uma via boulderística com uma pimenta no final. Já o FA ficou por conta do Lissandro que provou as proteções batidas pela filha e sugeriu 7b para linha.

Com isso, segundo os meus cálculos, quebramos um jejum de quase 3 anos sem via nova no Calogi e chegamos a 79 vias/variantes.

Valeu demais Lis e Ya, que venham novas vias para todos nós.

Dados técnicos: todas as proteções são em inox; a parada é em argola (Smile Rings); e as chapas da Bonier eram do Amaral!

Yasmin equipando a via “Maquineta Amarelinha”.

Aproveitando que a furadeira estava lá, troquei a chapeleta do crux da via “Avalanche” (9c). Agora tem uma chapa inox da Fixe e “o tráfego aéreo” está liberado novamente!

Trocando a chapeleta velha da via “Avalanche”.

Segue o croqui atualizado!

Bloco dos Extintores

Na semana passada, o Eric e o André “Tesourinho” andaram explorando uma nova área de escalada na região de João Neiva e na ocasião conquistaram uma via e um projeto. Até ai tudo normal, senão fosse o fato dessas vias/projetos serem em móvel/misto. O Eric é um dos escaladores mais ávidos por caçar fendas pelo Estado e tem se especializando nesse ramo, e esse campo de boulder de João Neiva é um dos frutos dessa caçada.

É claro que quando vi as fotos da conquista nas redes sociais quis conhecer esse novo point, pois as fendas pareciam incríveis (na medida do possível).

No último domingo fui conhecer a área com o Eric e o Iury. O dia não estava propício para um dia num campo de boulder desprovido de árvores ou qualquer tipo de sombra. O calor estava intenso e só aguentamos passar o dia por causa do vento que ajudou a minimizar o efeito.

Pela manhã, aproveitando a sombra da pedra, abrimos um pequeno highball em fenda graduado em V0 (Caçador dos Sete Mares). Depois fomos para parte alta do morro onde repetimos a via “Bloqueio Criativo” (VI), uma via mista bem maneira de uns 20m que termina num cume careca.

À tarde, conquistamos uma bela fenda de mão de uns 5m batizada de “Jardim do Éden” (VI) por causa do jardim de espinho que tivemos que limpar para acessar a base do bloco.

Entalando no “Jardim do Éden”. Com mais crashpad é possível escalar sem corda. Foto: Iury.

Já no final do dia entramos num projeto mais perto da estrada. Trata-se de uma fissura frontal de dedo de uns 8m. Nessas bandas, onde as fendas são bem escassas e de baixa qualidade, quando achamos uma fissura como essa é motivo de festa. Pensando bem, não lembro de ter visto uma fissura de dedo tão perfeita quanto essa no Espírito Santo. De qualquer forma, o projeto caiu e batizamos a via de “Entalado e Chapado” (VI SUP).

Para saber mais sobre o local, clique aqui!

“Destravando” a via “Entalado e Chapado”. Foto: Iury.
Eric preparando a “pele” para o entalamento.

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Comentários

6 respostas

  1. Po japonês, já mudou os grau tudo? Meu croquizinho já caiu entao kkkk
    Independente do grau valeu a escalada de qualidade. Vamos regar a base das fendas, vai que elas crescem?! kkk Só falta tamanho pra ser clássico!
    Valeu a parceria, mucho sol, espinhos e cadenas! (faltou uma via pra esse nome)

  2. Vlw demais meus amigos o convite, fora o quedão no hiball nas palavras do Naoki “como uma jaca podre caindo” kkkk deu tudo de bom lugar muito bacana pra visitar no inverno kkkk.

  3. Vlw por nos encontrar, levar o facão e a Coca, salvou a equipe!

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