Escalando em Arco

Gustavo Hachul aquecendo em Massone, Arco.

Bom, chega de fotos de museu, igreja, ruela, montanha e comida…. Vamos ao que interessa: as escaladas e as fotos de escalada!

Antes de tudo, a primeira desculpa: Eu sempre digo, não tem como fazer direito duas coisas ao mesmo tempo, ou você escala ou fotografa… E num lugar como Arco não tem como querer ficar fotografando com tantas vias à disposição. Por isso a galeria fotográfica está capenga. MAS para salvar a pátria estavam lá a minha patroa que fez várias fotos legais e o guia/segurança/anfitrião/escalador e fotógrafo Andres para fazer vários registros legais!

Já falei que Arco é demais? Que tem falésias que não acabam mais? Vias de todos os tipos, graduações e estilos? Pois é, Arco é incrível! Não tem como descrever, é impossível descrever a sensação de escalar no final do dia, com o sol se pondo no horizonte, você diante daquela muralha de calcário de 30m, com várias oliveiras na base e com o alto astral dos amigos.

Diante das opções de escalada em Arco, com certeza escalei pouco, ou quase nada. Conheci 5 escolas (no guia têm 50 + os secretos): Drena, Belvedere, Fattoria Degli Struziu, Calvario e Massone. Cada uma com uma história peculiar e um estilo de escalada característico.

Drena foi o meu primeiro contato com o famoso calcário italiano. É uma falésia relativamente nova que fica perto de Arco. O setor fica embaixo do Castelo de Drena, um lugar que lembra muito o Salto Ventoso. Talvez porque, no dia que fomos lá, o tempo estava péssimo. Parecia Salto Ventoso no auge do inverno.

O setor conta com poucas vias, mas todas bem intimidadoras, bem super-mega-extrapiombo!!! Como o tempo estava ruim, só tinha esse lugar para escalar, ai o Andres achou melhor escalar em Drena para começar os trabalhos (sei…). Azar para mim, porque tive que aquecer na primeira parte de um 9a (a via mais fácil é um 8b ou 8c) e depois entrar direto num 8c. Sem essa de adaptação! Toma o que te mandaram!!! Valeu Andres! Não vou reclamar, a via é muito legal, ainda mais porque a sequência crux passa por umas chorreras (canas) bem massa, coisa que nós não temos muito por aqui. Aliás, bem estranho escalar nessas canas, entrei pelo cano a primeira vez.

Drena, chuva e frio.

Naoki Arima escalando em Drena. Foto: Roni Andres.

Num outro dia fomos para o setor Belvedere, também bem pertinho de Arco. O lugar é belíssimo! Faz jus ao nome! Nove de cada dez fotos das escaladas de Arco foram tiradas nessa “pequena” falésia. Nesse dia fomos, eu, a Paula, o Andres e o Roberto, um italiano típico! Gente boníssima. O tio conquentão, com cara de 30, corpo de 25,  trabalha como guia-alpino e esbanja uma vitalidade de dar inveja a muitos garotões por ai.

Belvedere é fotogênico! Pena que no dia o sol estava um pouco contra, mas em compensação, as vias estavam uma delícia! Vias negativas, bem protegidas e com mosquetão no final! Quer mais?

Escalador desconhecido em Belvedere, Arco. Ao fundo, o famoso Lago di Garda.

Roni Andres aquecendo em Belvedere com o guia-alpino Roberto na segurança.

Antes de sair para um passeio cultural pelo sul da Itália, ainda demos uma passadinha numa falesia pertinho da casa do Andres (Fattoria Degli Struziu). Tão pertinho que fomos a pé. A primeira vista, de longe, você não dá nada, mas depois que chega perto, vê que é uma joia rara no meio do calcário. O setor é pouco divulgado, por isso as agarras ainda estão com textura. Aliás, nesse setor o próprio Andres equipou e está equipando algumas vias. Mesmo com milhares de vias, esse gringo continua equipando e desbravando falésias novas. Esses gringos de Caxias…

Um fato interessante que chamou muito a atenção nesse lugar: Segundo a ética local, é praxe quando alguém estiver equipando uma linha, deixar uma corda fixa abandonada para indicar que alguém está trabalhando/equipando a linha. Detalhe, além da corda fixa, tinha na base, uma capa de corda com uma corda dentro  e outro saco com as chapas. Assim, jogados na base. Segundo o Andres eles estavam lá já há bastante tempo. Como pode? Ninguém meter as mãos?!!! (pensamento de brasileiro?) Ah, se fosse no Brasil…

Dir escalando em Fattoria Degli Struziu.

Na última semana ainda conheci outro setor chamado Calvario. Sim, esse também é perto de Arco… Dessa vez o carro foi cheio! Além de nós três, foi ainda a Dir, o Bruno (Caxias) e o Gustavo (SP). Esses dois molequinhos estavam participando do mundial juvenil em Edimburgo e continuaram o rolé pela Europa matando aula. Os meninos são bem motivados e fortes. É a nova geração chegando e mostrando a sua força.

Gustavo, Bruno, eu, Paula e Andres em Pueblo, Massone.

Calvário é um setor antigo, que estava fechado até há pouco tempo atrás. Um parênteses: Lá funciona assim: Todas as falésias ficam em terras particulares. Como a escalada é considerada atração turística da cidade, a prefeitura e a associação dos escaladores fazem uma negociação com os proprietários das terras. Detalhe, tudo isso mediante pagamento de um cota ao proprietário pelo “inconveniente”. Já viu uma coisa dessas? Imagina a prefeitura de Ivoti-RS pagar uns R$ 5000,00/ano  para o Sr. Behne para os escaladores terem acesso as pedras!!!! Lá funciona assim! É como ter um campo de petróleo em casa.

E por último, Massone!!! A Meca da escalada italiana. A falésia mais famosa da Itália e por consequência o mais crowd de todas. E quando falo crowd não é coisa do tipo Cipó no Carnaval. É gente mesmo!!! Não tive o desprazer de pegar um dia assim, mas nos dias que estivemos lá já tinha bastante gente.

Massone!

Mas as vias fazem jus a tudo isso. TODAS (que entrei) são incríveis!!! Claro, tirando o polido das agarras (parecia que tava segurando na pia ou no vaso do banheiro…)! São vias e mais vias (mais de 150), uma ao lado da outra. Vias de 20m a 35m verticais, negativas, teto… Tudo, absolutamente tudo!

Bruno Milani escalando em Massone.

Um setor que vale destaque é o Pueblo, onde fica a famosa via Underground (11c). Esse setor é incrível. Vi as vias mais negativas e longas da minha vida!!! Vi o inacreditável, o inimaginável, coisa que nem no meus sonhos se concretizavam.  A Reini’s Vibes (8c+) que o Patxi Usobiaga passou à vista é interminável!!! Não tem noção aquilo. É como se pegasse a Super-Heroi  e rotassionasse a 45 graus!!! Confesso que sai de lá perplexo!

Bom, se é para ficar olhando tudo isso que ficasse em casa né? Para os mais humildes e mortais sempre tem um 7b+ perdido nas bordas da cueva. Essa via, Troppo Leicht, com certeza está entre as 5 melhores vias que eu já escalei na minha vida. Depois entrei numa outra via clássica, mais dura, mas válido pelo valor histórico. Shaved Beaver (7c+) foi equipado pelo lendário escalador François Legrand. A via é igualmente bem negativa com um crux que destoa totalmente ao estilo da via, uma sequência da “canas” terríveis. Adoro entrar em vias clássicas, abertas por ícones da escalada. A via cheira história; tem um ar especial; cada agarra tem uma história. O interessante é que estilo da via reflete um pouco o espírito da época (o espaçamento entre as proteções e as agarras fabricadas/trabalhadas). Muito legal escalar um pouco a história da escalada esportiva.

Naoki Arima naTroppo Leicht, setor Pueblo. Sim, depois de anos troquei a minha calça oficial de escalada, mas a camiseta vermelha continua a mesma…  Foto: Paula Dariva.

Bem, sobre as escaladas foi mais ou menos isso. Desculpe o tamanho do post, acabei me empolgando um pouco… Eu também odéio posts longos… É um saco ler né? Obrigado pela paciência.

Outra hora contarei resto!

Negativo? Um pouco… Coisa pouca… Setor Pueblo, Massone.

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Este post tem 4 comentários

  1. Isso que é trip heim…que lugares perfeitos!
    Muito boas as fotos Naoki!!! x)

  2. Muito bom o post, e confesso que achei até pequeno… quando o texto é interessante vc lê tudo e quer lê mais… heheheheh. E parabéns pelas fotos tb, muito boas.

  3. grande naoki! muito bom o post e as fotos entao, nem se fala.
    as fotos das cidades me deram a impressao de que a itália ficou mais bonita desde que eu estive lá, hehe
    só uma coisinha: “cinquentao com cara de trinta e corpo de vinte e cinco”? bah, te puxou na veadagem, hein…
    grande abraço, meu irmao!
    chico.

  4. Putz… Sabia que alguém ia falar isso. Qdo escrevi pensei nessa possiblidade…. Abracao!!!

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