“Porko” na via do Lagarto.

” Japa, me leva para escalar!” 

Foi assim, na tora, que o “Porko” me abordou na última terça-feira durante o treino no Muro da ACE

Quando eu comecei a escalar, lá pelos idos dos anos noventa, eu preciso admitir, eu era um pentelho! Filava a comida dos outros, mendigava uma ponta de corda e sempre me metia na “barca” dos outros. E nunca, ninguém me negou nada. Sempre que pedia, as pessoas me levavam para escalar. Por isso, agora que estou no “outro lado”, não nego uma ponta de corda à ninguém. 

Assim que fechei a escalada com o Porko, comecei a procurar alguma parede que pudesse atender os nossos anseios. Mesmo estando no outono, o calor não está dando trégua (>30 graus Celsius). Já saímos do período que estava impraticável fazer “parede” e agora estamos na época que o calor tira o prazer de estar na montanha. Pensando nisso, pesquisei por alguma via que ficasse na face sul ou oeste para escalar o máximo de tempo possível na sombra e quiçá, sair antes de o Sol bater na pedra. 

Uma via que preencheu esse requisito foi a via do Lagarto no Complexo do Itabira em Cachoeiro de Itapemirim, uma via aberta pelo famoso escalador local “Kinkas” e sua esposa Valéria em 1996 (de Kichute…).

Essa via tem poucas repetições e não há muitas informações disponíveis. Conversei com o Sandro, a Lu e a Patrícia que repetiram a via mais recentemente (4 anos atrás) e consegui alguns fragmentos de “betas” e aos poucos fui montando mentalmente um croqui da via.

Como a escalada seria em Cachoeiro, convidei o DuNada (que mora lá) para fechar a cordada de “peso” e assim, fechar a barca do final de semana.

Complexo do Itabira. A pedra do Lagarto é a da direita.

No último domingo, saímos Porko e eu de Vitória às 4h30 da madrugada rumo à pedra. Chegamos por volta das 6h30 na propriedade que fica na base e ali ficamos esperando o DuNada… Como estávamos com sono, resolvemos tirar um cochilo e nada do DuNada… Acordamos às 7h15 e começamos a caminhada, pois o dia prometia ser abafado e quente. Em menos de meia hora achamos a base da via e por volta das 8h começamos a escalada. E nada do DuNada…

Amanhecer no Itabira e o Sol querendo mostrar sua cara.

Como a via começa numa espécie de grota, as agarras estavam um pouco estranhas por causa da umidade e também por causa do sereno da manhã. Levei um tempo para me acostumar com a rocha e a umidade do ar. Como não tínhamos um croqui tivemos que ir catando os grampos no faro. Na segunda enfiada, provamos belas sequências de crux’s bem interessantes (um total de 3) até chegar na P2. Para mim, essa é a melhor enfiada da via.

A partir dali, a via perde um pouco de inclinação, então conseguimos tocar com certa fluidez até a base do lance em artificial no trecho mais vertical da via. A essa altura do campeonato, ficou claro que o objetivo do “Kinkas” ao conquistar essa via era buscar a linha mais reta e desafiadora da parede. Se pudesse escolher entre uma passagem mais fácil e uma mais difícil, ele escolhia a segunda. Tentei liberar o lance do A0, mas acabei caindo e nem quis forçar muito a passagem. Fiquei com medo dos grampos de 23 anos. Dei uma roubadinha e toquei pela “cristaleira” até a P4.

Porko curtindo as “ondinhas”.

A partir dali, parece que o “Kinkas” ficou com preguiça de bater grampos e a escalada ficou mais complicada, lances expostos em agarras “onduladas” foram da tônica da escalada, com direito a grampo que só entrou a “cabecinha”. E quando parecia que tudo estava acabado, ainda tinha uma aderência final para ficar esperto. Daquelas de olhar para cima, baixar a cabeça e escalar sem pensar. Escalei tão compenetrado que ainda consegui pular um raro grampo…

Faltou bater o grampo…

Chegamos no cume por volta das 10h30, após duas horas e meia de escalada. Procuramos o livro de cume sem sucesso, fizemos um lanche rápido e começamos a descida, já que a essa altura, o Sol estava nos castigando suavemente.

Placa no final da via.
Foto e lanche no final da via.
A cidade de Cachoeiro de Itapemirim.

A descida foi super tranquila, 3 rapeis de 60m e um de 30m nos levou ao chão em poucos minutos. Mais 10 minutos de caminhada e já estávamos de volta no carro e pensando onde seria o nosso almoço de domingo. E nada do Dunada…

Rapelando.

Pensamos em ir na casa do DuNada filar um churrasco, mas acabamos parando em Iconha para matar um bifett à quilo e depois tocamos o pé na estrada para chegar cedo em casa de ganhar uns créditos com as suas respectivas.

Quem quiser repetir a via, sugiro ver este link, onde coloquei todos os betas da via.

Croqui da via.

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6 Responses

  1. Hahaha via do Kinkas… pode esperar o wasabi! Parabéns à cordada e valeu pelos betas Japa! Essa ta na lista faz teeempo

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