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Xerxes na 1a enfiada (em móvel) da via “Ascendência Térmica”.

Na semana passada, durante a conquista da via “Nem tudo está perdido”, tomei um chá de cadeirinha na P1. Enquanto curtia o sol, ou enquanto o sol me curtia, uma linha me chamou a atenção. Distante a apenas alguns metros da via, identifiquei um pequeno totem que não era visível da base e vi uma possível linha que seguia até encontrar uma outra fenda mais acima.

No último final de semana, eu, Zé Márcio e o Xerxes voltamos ao tal totem na esperança de abrir mais uma linha estética na região de Itarana.

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Crossfit matutino! Abrir caminho para o carro passar! A chuva da última 6a feira deixou um rastro de destruição na região.

O tal totem se confirmou, mas se mostrou sujo com a fenda obstruída por cipós. Então, optamos por começar a via um pouco mais afastada, para evitar a parte úmida da rocha, para em seguida, voltar ao totem por uma sequência de “via ferrata natural” até ganhar o cume do mesmo.

Dali para cima, começamos a buscar a tal fenda que eu tinha visto na semana passada, mas nada da tal fenda. Então o jeito foi botar a furadeira nas costas e partir pela face. Após esticar 60m de corda, parei a apenas uns 25m do cume!!! Bati a parada e chamei a galera. O Xerxes assumiu o trecho final e por volta do meio-dia batemos no cume após 3 enfiadas.

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Zé começando os trabalhos da via Ma-caca. Ma-caca é um jogo de palavra entre macaco e caca (merda, cocô, shit) pois encontramos, em alguns trechos da via, muitas fezes de macaco!

Ficamos olhando um para a cara do outro e pensando: já acabou? Cadê a tal fenda? Quando vamos começar a escalar?

Descemos da parede com um gostinho de quero mais. Assim, achamos que seria uma boa repetir a via Ascendência Térmica, já que o Zé e o Xerxes (!) ainda não tinham provado a via.

Partimos para a base da via devidamente protegidos contra os carrapatos que habitam o pasto da base, tocamos o solo pelo costão para ir aclimatando e iniciamos a escalada em si pela grande fenda frontal de 60m.

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Soladinha para começar a via! E a vontade de dar uma bica nessa pedra? Kkkkkkk!

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Xerxes, de camisa de seda, mandando a 1a enfiada da via.

Sob um sol escaldante, o Xerxes assumiu a ponta da corda e foi tocando a fenda, sem falar nada! E assim fomos alternando as enfiadas, enquanto assistíamos ao espetáculo do pôr-do-sol ao fundo. Como sabíamos que essa via não exige rapel, nem nos preocupamos muito com a segunda parte da escalada, a descida. Só tivemos que dar um gás no final para chegarmos na última enfiada com um mínimo de luz para achar as 2 chapas que protegem os últimos 60m da via, mas infelizmente não deu tempo e tive sair catando as chapas escuridão a dentro… A vantagem de escalar no escuro é que a gente não consegue dimensionar o esticão então vai escalando sem medo, mas a desvantagem é que não sabemos muito bem para onde estamos indo…

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Zé no começo da 2a enfiada. O trecho mais bonito da via.

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Ao fundo, o show da natureza, o sol se pondo exatamente atrás dos Cinco Pontões!

Quando cheguei na parada final, um pouco antes do cume, ouvi uma voz vindo de cima!

– Vocês vão sair por cima?!!

Como assim? Tem outro jeito? Então respondi!

-Sim!!!

Era o dono do bar da rampa de voo (Rampa José Bridi) que nos viu de longe foi perguntar por nós. Caso não saíssemos por cima ele iria fechar o bar e ia embora!!!! Não!!!!

Para quem não sabe, essa escalada tem uma particularidade interessante. A via acaba no cume de um morro onde fica uma rampa de voo e um pequeno bar. Assim, enquanto que na maioria das vias chegamos no cume com a água na rapa, ali tem um pequeno bar nos esperando com cerveja, refrigerante, pastel e tudo mais!

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O bar!!!! E está aberto!!!!! A visão do paraíso e do alívio!!!

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Rampa José Bridi em noite de lua (quase) cheia e a bandeira da Itália (?!).

Assim que ouvimos o aviso, tratamos de subir correndo para pegar o bar aberto e fechar a escalada com uma Coca bem gelada (para o motorista) e uma ceva suada (para os caronas).

Ah, o Xerxes, ao ver o bar soltou: esse bar não é estranho para mim! Eu acho que já escalei essa via!

Croqui

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1a enfiada – Começa à direita (15m) do diedro, numa parte mais branca da rocha. O crux da via está nesta saída. Logo em seguida, após a 2a proteção faz uma travessia à esquerda até encontrar o diedro. Usar os cipós para progressão e proteger nas árvores. Parada natural. 55m

2a enfiada – Segue pela face protegendo em chapa até a parada. 55m

3a enfiada – Com o cume logo acima, sobe reto em direção a uma grande árvore sem proteger em nada. Parada natural. 25m.

Rapel – Da árvore descer reto em direção a um platô que fica fora da via (55m). Depois mais uma rapel de 60m cravado até a base da via.

Equipos para repetição

  • Duas cordas de 60m;
  • 5 costuras;
  • Fitas longas.

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