Mona Lisa, ou seria mão lisa?

_DSC8519

 Aproximação tranquila.

No domingo, a instabilidade sob o estado persistiu e tivemos que pensar em algo menos “molhável” possível. Nada muito longe, nada muito comprometedor, nada muito pesado, nada muito alto, nada muito arriscado… Mas nada de ficar em casa. Mas também cautela máxima quando tudo conspira para ficar em casa curtindo o tempo chuvoso.

Conversa vai, conversa vem e eis que o DuNada tira de sua cartola um projeto pessoal que estava guardado lá no cantinho da memória, a cachoeira de Alfredo Chaves!

Há uns dois anos, o DuNada e o Chuck começaram essa via, no lado direito da queda d´água, batendo alguns grampos de inox na mão grande. Mas todas as vezes que eles iam lá, sofriam com o calor implacável e eram obrigados a baixar antes da hora.

Na última investida, com a Evie, o DuNada conseguiu bater só um grampo antes de ser vencido pelo calor e levar para casa de brinde uma bolha (de queimadura) no cotovelo.

_DSF5136

Autor no lance final da 1a enfiada. Foto: Caio Afeto.

Mas no domingo tudo ia ser diferente, a começar pelo tempo mais agradável, quase chuvoso, e pela furadeira nossa de cada dia.

Assim partimos eu, Afeto, DuNada e Joshua rumo à Cacheira Alta de Alfredo Chaves para concluir o projeto.

A pedra dessa via tem uma característica muito peculiar que a faz única no estado. A via transcorre à direita da queda d´água, fora do curso pereno. Provavelmente, nessa parte da pedra, deve escorrer água somente durante as cheias catastróficas que atingem uma meia dúzia de vezes ao longo do ano. Agora imaginem isso ao longo de milhares de ano. Por isso, o gnaisse desse lugar é extremamente polido. Lembra muito um calcário sovado de tão polido que é. Agora, imaginem desespero: um gnaisse que já não tem agarra ser polido.

Foi mais ou menos esse espírito que concluímos a conquista da via Mona Lisa. Uma via muito peculiar com aproximadamente 100m divididos em 2 enfiadas de 55m e 45m respectivamente. Embora a escalada seja um pouco diferente, a dificuldade não passa de um Vo grau e o grau de exposição não mais que um E2. Ou seja, é uma excelente opção de escalada para aquela tarde de domingo preguiçoso, pois a cachoeira fica a apenas 1h30 de Vitória.

De quebra, no lado esquerdo da cachoeira, ainda tem a via “Sombra e água fresca”, uma via de 4o grau bem tranquila de uns 130m de extensão.

Segundo o Afeto e o DuNada, que já repetiram a via, a nova via não tem nada a ver com a “Sombra e água fresca” em termos de estilo de escalada.

_DSC8561

Cachoeira Alta de Alfredo Chaves.

A via é toda protegida em grampo de inox (12mm) com apenas duas chapeletas de inox na 2a enfiada. Todas as paradas estão duplicadas. Não há livro de cume. Também não é possível de sair por cima da queda como acontece na via “Sombra e água fresca”.

Equipo para a repetição:

  • 8 costuras (curta);
  • 2 cordas de 50m;
  • Material para parada.

É isso ae equipe, valeu por mais uma conquista!

Croqui

Mona_lisa_1

1a enfiada – A 1a enfiada começa num lance que por vezes pode estar um pouco úmido, mas que logo acima fica melhor. Depois é só ir seguindo a linha dos grampos até a parada. 50m

2a enfiada – Continua reto para cima seguindo a linha dos grampos. A passada no negativo parece difícil, mas é mais fácil que a seção anterior. 45m.

Descida – Dois rapeis de 50m até a base.

Postagens relacionadas

Comentários

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.