De volta à montanha

Afeto na última enfiada da via.

^ Afeto guiando a última enfiada da via Lídio Alvarenga em Guarapari. Detalhe para a pedra molhada! Um plus a mais!

Depois das férias, a volta aos trabalhos, ou melhor, à montanha!

O final de semana foi de muita instabilidade (climática) por aqui. O tempo estava uma inhaca só que tivemos que fazer um plano A, plano B, plano C… Fiz e refiz a mochila umas 3 vezes na 6a feira… Mas no fim das contas voltamos, eu e o Afeto para o bom e velho Laje das Pedras, em Guarapari para fazer a repetição da via “Lígio Alvarenga” e completar a quadrilogia.

A via “Lígio Alvarenga” foi conquistada em 2002 pelos escaladores Márcio Castilho, Flávio Leone e Luiz Pimentel e tem algumas peculiaridades interessantes que a tornam bem famosa por aqui. A primeira delas está no fato de a via possuir 2 lances de grande exposição. A via é graduada em E3, mas há quem diga que seja E4. Na verdade o lance é bem fácil, mas realmente um grampinho extra não faria mal a ninguém. O segundo fato interessante está na posição dos grampos. Em vários lances, os conquistadores chegavam escalando no lance, achavam um bom lugar para bater o grampo, e em vez de bater o grampo ali faziam um lance em buraco de cliff para ganhar altura e faziam o furo mais acima. Para quem repete, isso é a maior roubada porque sempre precisa costurar no veneno. Enfim, estilo são estilos, e há de se respeitar…

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Top da via com o tempo fechado. Os grampos estão enferrujados, mas estão em boas condições.

A repetição da via foi relativamente tranquila, tirando a garoa que caiu no meio da escalada e deixou a rocha um pouco mais úmida e escorregadia… Mas entre mortos e feridos batemos no cume em 1h 45 de escalada fast track.

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Tradicional foto do cume.

Nesse cume descobrimos várias coisas interessantes, ao melhor estilo Indiana Jones. Achamos o livro de cume, ou o que restou dele, o saco plástico usado para guardar o livro e a caneta, mas nada do livro. Com certeza foi consumido pelo tempo. Também achamos uma fita abandonada em uma laca de pedra. Acreditamos que seja o registro de uma conquista pela chaminé que fica logo à direita da via Lídio Alvarenga. Imaginamos que seja o registro da primeira conquista da pedra, mas não temos ideia de quem foi a conquista nem quando.

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Fita abandonada em um bico de pedra. Resquício de uma conquista?

De quebra, ainda repetimos a via “Sem querer querendo” para arrumar as paradas e deixar um livro de cume decente.

Valeu Afetones pelo climb!

Croqui da via Lídio Alvarenga.

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1a enfiada – A 1a enfiada é um II grau com um grampo antes da parada. É totalmente solável de tênis para começar a escalada encordado a partir da P1. Mas é melhor se equipar na base.

2a enfiada – Enfiada tranquila e bem protegida com um crux de 4o grau antes de chegar na parada. Um dos grampos da parada não está totalmente para dentro.

3a enfiada – Enfiada crux da via. Começa com um esticão técnico para chegar na 1a proteção (mal batida) para depois cair para esquerda e voltar novamente à direita, onde fica o crux da enfiada (bem protegido).

4a enfiada – Começa com um outro esticão, dessa vez mais fácil para costurar a primeira proteção da enfiada (expo) e depois segue tranquilo até a P4.

5a enfiada – Tecnicamente é bem fácil, mas tem um esticão final que exige bastante atenção por parte do guia. Lance mais exposto da via (E3).

Descida – É possível descer pela própria via (com duas cordas) ou caminhar pela mata até a parada final da via “Sem querer querendo” e fazer um rapel de 70m até a base para seguir a descida pela trilha.

Para ver o croqui da via na croquiteca da ACE, clique aqui!

Para ler o relato da repetição dessa via no blog do Baldin, clique aqui!

2 Responses

  1. Oi Marta!!! Tudo bem?
    Venha conhecer mesmo! É um lugar bem bacana! Abs

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