Roadtrip RS – Extremo Sul – (parte 4)

Às 4h30 o meu despertador toca. Lá fora ainda está escuro. Assim que consigo raciocinar, penso porque eu liguei essa desgraça no meio das férias. Ai lembro que botei a despertar porque queria fazer umas fotos do amanhecer na Casa de Pedra em Bagé.

No dia anterior saímos de Caçapava do Sul e em menos de 2h estávamos na Casa de Pedra. Essa é uma área de escalada muito diferenciada sob vários aspectos. Embora a rocha seja a mesma de Caçapava, um conglomerado, o estilo de escalada é bem diferente. Além disso, o complexo fica num local bastante ermo e sem infraestrutura, longe da civilização e muito perto da natureza. Um verdadeiro paraíso para quem busca ficar off grid. Para mim é o lugar mais bonito do Rio Grande do Sul e o meu preferido para acampar. Vim para cá a primeira vez em 2000, eu acho, depois voltei só mais uma vez em 2006, num encontro. Desde então o local teve um boom de conquista de novas vias, tanto esportivas, quanto tradicionais. Por isso, sempre quis voltar, mas se nem para Caçapava que é mais perto estava conseguindo, imagina Bagé.

Chegamos na região sob um calor sufocante de uns 30 graus Celsius com um vento norte quente, indicando que logo logo o tempo mudaria. Passamos na sede da fazenda para informar a nossa intenção e pagar uma taxa de R$ 10,00 por pessoa/dia. Essa é uma área de escalada que sempre andou na berlinda na relação escaladores versus proprietário. O histórico de problemas de acesso vem de longa data e por vezes o point ficou fechado. E parece que novamente o local está sob risco, não por causa dos escaladores, mas sim devido a roubo de gado. No entanto, no fim das contas, acaba sobrando para nós… Por isso, escalar em Bagé exige responsabilidade, mais do que isso, não basta fazer apenas sua parte, precisa fazer mais, precisa sempre pensar no coletivo se não quisermos perder essa área.

Nosso acampamento por 3 noites.
Floresta da Casa de Pedra.

O dia estava tão insuportável que assim que chegamos fomos descansar para escalar apenas no final do dia a via “Papagaio Pirata” (VI, 60m, E1, D1) no Pico do Morcego, outra via clássica que está entre as 50 tradis do Brasil. Como eu já tinha escalado em 2006, a repetição foi bem tranquila e de quebra pegamos um por do sol incrível no cume. Talvez o mais bonitos da viagem!

Afeto na saída (variante) da Papagaio Pirata.
Pedro na última enfiada da Papagaio.
Entardecer em Bagé.
Curtindo o por do sol no cume do Pico do Morcego.
Livro de cume.
Graveto tomando esporro no cume.
Churras!

A minha vontade de desligar o despertador e voltar a dormir era grande, mas quando eu coloco uma coisa na cabeça é difícil mudar de ideia. Peguei o material fotográfico e sai para um local que eu tinha visto no dia anterior como o melhor lugar para uma foto do nascer do sol. Assim que amanheceu ficou claro que uma tempestade estava a caminho. O céu estava dramático e dinâmico do jeito que adoro. Ao Sul, dava para ver os relâmpagos iluminando o amanhecer. Sai da primeira posição e fui buscar um lugar mais alto para tentar fotografar os raios. A medida que o tempo ia passando, o vento ficava cada vez mais forte, até chegar num ponto que não conseguia mais manter o tripé em pé. Era sinal de que eu tinha que me mandar de volta para barraca.

Tempestade a caminho!
Raios e trovões, chuva a caminho!

Assim que botei o pé no acampamento, o mundo desabou lá fora e choveu com vontade por algumas horas. Por sorte algumas esportivas de Bagé ficam em setores tão negativos que nem com uma chuva dessas molham, então fiquei bem tranquilo e fiquei só curtindo a chuva passar.

Grazi na via Raptor (7a), setor T-Rex.
Textura do conglomerado.
Velociraptor (9b). Foto: Caio Afeto.
Tucano curioso.
Aron tomando um voo básico.

No segundo e terceiro dia escalamos basicamente no setor T-rex com toda galera local que esteve presente. Foi muito legal escalar nesse setor incrível e rever amigos de longa data para compartilhar betas e jogar conversa fora. Saíram, dentre outras: Mastrodonte (7c) para o Graveto; Pterodáptio (8b) para o Afeto; e Velociraptor (9b) – 3o go – e Dente de Sabre (9b), 5o go, para mim. No final ainda passamos no setor da Chorreira e ainda fizemos toda travessia pelos cumes dos conjuntos para fechar a trip.

Se não bastasse, ainda no último dia, o meu despertador tocou novamente às 4h30 e repeti o ritual fotográfico em busca do clique perfeito!

Amanhecer na Casa de Pedra.

Agradecimento ao Derek que escalou conosco e nos passou todos os “bizus”. Em breve estarei atualizando as informações da Casa de Pedra na croquiteca.

Conexão ES – RS.

Comentários

3 respostas em “Roadtrip RS – Extremo Sul – (parte 4)”

Show de histórias, como sempre! Continue se divertindo, madrugando para fotos fantásticas e passando a vibe geral para a comunidade.
Abraço.

Incrível, Naoki. Foi um prazer escalar com vcs nesse fds!

Vou deixar meu registro de gratidão pela viagem!!! E pensar que eu quase voltei para ES antes hahahahah

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