Sorte no Azar

^ Sarah na primeira enfiada da via “Sorte no Azar”, Pedra Bela Aurora, Colatina.

No último domingo, Dia das Mães, Zé Márcio, Sarah e eu fomos fazer a 2a repetição da via “Sorte no Azar” na Pedra Bela Aurora em Colatina.

Antes, preciso explicar os “desnaturados” que foram escalar em pleno Dia das Mães. A minha mãe mora no Rio Grande do Sul e nunca foi de dar bola para datas; o Zé fez uma mega articulação na família para que a comemoração ocorresse à noite, assim ele teria o dia livre; a Sarah jogou o melhor “miguê” de todos! Falou para mãe que foi ela quem a introduziu no esporte e por isso tinha que entende-la, mas prometeu que passaria semana com ela em Vila Velha (atualmente está morando no Rio).

Mesmo sendo uma via tranquila com apenas 6 enfiadas e crux de 5o SUP, por prudência, saímos de Vitória às 5h da manhã de domingo. Não existe montanha fácil, existe dia fácil. Como o Zé já tinha tentado escalar a via numa oportunidade anterior e teve que baixar devido à chuva, toda a logística ficou com ele. Eu basicamente só dei uma olhada no croqui e baixei o no celular.

Por volta das 9h da manhã chegamos na base da via, após 2h30 de viagem (com parada para o café da manhã) e mais meia-hora de caminhada por um pasto muito suspeito que parecia ser infestado de carrapatos (por sorte não peguei nenhum).

A Pedra Bela Aurora é um grande monolito granítico que se sobressai no relevo da região e chama muito a atenção. Pelo fato dela ficar às margens da rodovia de quem vai em direção a Pancas, chama mais ainda a atenção. Eu mesmo já imaginei uma linha nessa pedra, mas devido a falta de fendas, acabei descartando…

Pedra Bela Aurora vista da estrada que leva a Pancas e região dos Pontões Capixabas.
A pedra mais de perto. A via transcorre pela aresta da esquerda.

Os escaladores Fred “Ibiraçu”, André “Tesourinho” e Sandro Souza acreditaram numa linha na aresta da face sul e ali iniciaram uma via em meados do ano passado. E após 2 investidas concluíram a via e batizaram de “Sorte no Azar” em referência às investidas frustradas devido à chuva.

“O nome foi por causa de uma quase picada em uma cobra, que por sorte foi evitada por dois passos pro lado, sem que o Tesourinho tivesse visto. E por uma pifada do meu carro, que apesar de nos ter deixado na estrada, aconteceu ao lado de um posto de apoio da Eco Via”. Sandro Souza

Entramos na via por volta das 9h da manhã, tocando o costão  (180m) em solo até a P0. Como estávamos em três com uma corda dupla, acordamos que cada um guiaria duas enfiadas seguidas. Assim, a Sarah começou os trabalhos mandando as duas primeiras enfiadas e logo em seguida o Zé pegou mais duas. Para mim sobrou as últimas duas: o melhor e o pior da via. Fiquei com a enfiada crux e o trepa-nem-tanto-mato com ortiga…

Aproximação.
Se está quente? Zé Márcio no início da 3a enfiada da via.
Sarah e Zé subindo a 5a enfiada da via.
Fazendo a segue na P5. Foto: Zé Márcio (sim, ele levou uma câmera)

Por volta das 11h30 batemos no cume sob um sol castigante que foi amenizado, em parte, pela leve brisa que soprava de vez em quando. Como a via acaba um pouco antes do cume propriamente dito, resolvemos pegar o livro de cume e subir até o topo para contemplar a vista e fazer um lanche na sombra de uma árvore. Após assinarmos o livro e fazer a foto do cume, resolvemos iniciar os 8 rapeis (6 da via + 2 costão) até a base. Afinal de conta, o Zé tinha que voltar para janta! O Zé guardou o livro de cume na mochila para descer até o local onde ele ficaria guardado e fomos em direção ao rapel. Quem conhece o Sr. Zé sabe que o forte dele não é a memória. E o final vocês já podem imaginar. Assim que terminamos os 8 rapeis só ouvi ele xingando o mundo! Ele esquecera de tirar o livro de cume da mochila e deixa-lo no cume! E agora o mesmo estava na base da via!!! Pensamos em tudo que poderíamos fazer, desde voltar ao cume até dizer que não encontramos o livro de cume e que os macacos deram um fim nele! Aliás, o livro de cume sumir por causa dos macacos que vão “xeretar” a caixa é muito comum por essas bandas.

O fato é que o livro de cume voltou até Vitória e agora ele está aqui. Caso você volte à via ou saiba de alguém, favor contactar o Zé para levar o mesmo de volta ao seu devido lugar.

Quer mais betas sobre a via? Clique aqui!

Foto no cume.
Caixa de cume!
Região de Pancas a partir do cume da Pedra Bela Aurora. Aquele pontão proeminente é a Pedra da Agulha.
Descendo!
Rio Doce.

[su_note]No dia 23/09/2017, os conquistadores da via retornaram à via e redirecionaram os grampos simples utilizados no rapel para uma linha mais reta no início do costão.[/su_note]

Comentários

Uma resposta

  1. Hehehe 😛 meu migué funcionou! Tal mãe, tal filha. Conseguimos uma barquinha para a missão do retorno da lata de coração! Foi azar na sorte. Confundi a história da conquista com as tentativas de ir à via. Obrigada pela parceria!

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