Bate-volta

  • Foto: Poul.

As escaladas no Espírito Santo possuem algumas peculiaridades que diferem de outras áreas do Brasil. Uma delas é a distância entre as montanhas. Embora o Estado seja bastante montanhoso e farto de escaladas, elas ficam bastante esparsas. É claro que temos alguns “núcleos” de escalada, como Pancas, Castelo, Itarana, mas não é a regra.

Quando queremos fazer uma via tradicional, ou precisamos fazer uma logística de dois dias, sendo um dia para aproximação e o dia seguinte para escalada ou partir para um esquema “bate-volta”. Ou seja, sair de casa cedo e já deixar avisado que não tem hora para voltar. Não é o mundo ideal, nem o mais seguro, mas as circunstâncias da vida nos levam a ter que escalar muito neste estilo por aqui.

De todos os bate-voltas que já fiz, eu acho que Afonso Cláudio foi o meu recorde. Foram 150km de serra para ir, a escalada, e mais 150km de volta até Vitória. Mas não é preciso rodar tanto para encarar vias tradicionais bacanas por aqui. Abaixo, listo 10 vias tradicionais, fora do circuito Vitória e Vila Velha, que rola fazer num esquema de bate-volta mais light.

Ao norte da Capital:

1- Calogi (Serra) – Distante a apenas 1h da capital, o Calogi é o principal point de escalada esportiva do Estado, mas Calogi vai além, ainda tem algumas vias tradicionais com menos de 200m que são uma boa pedida. Dentre elas, a mais repetida é a via Quebra Coco (3o, V, E2, D1, 160m) que foi a primeira via ser conquistada. Leia mais aqui sobre a via.

Luana no crux da via Quebra Coco

2- Caminho da Sabedoria (Ibiraçu) – A 1h de Vitória e com uma aproximação super tranquila de 5 minutos pode se escalar essa via tradicional em móvel relativamente curta (5o, V SUP, D1, D2, 65m). A via não fica numa montanha, mas sim uma parede e o grande chamariz dessa via é o uso constante de proteção móvel numa parede mais vertical. Leia mais aqui!

Jana na travessia da 2a enfiada.

3- Trem Fantasma (Ibiraçu) – Essa é uma via clássica da região que já entrou em várias listas. Embora a aproximação seja tranquila, a via é bastante exigente (5o, VII, D2, E3, 350m). E é bastante comum as cordadas mais desavisadas desistirem no meio sem completar a escalada. Veja mais sobre a via no Guia Capixaba Escalada.

4- Mont Serrat (Aracruz) – (Capela, 4o, V, D2, E3, 230m) Essa deve ser a via mais ao norte desta lista. A via transcorre pela face norte da Pedra Mont Serrat que é um atrativo turístico da cidade de Aracruz. A via segue em aderência em sua grande totalidade e no final tem um trecho de “vara mato” que leva ao cume. Leia aqui sobre a repetição da via.

DuNada no início da via.

5- Pedra do A2 (Ibiraçu) – A via “O pecado mora ao lado” (3o, IV, E3, D1, 195m) fica numa pedra as margens da BR-101, aos fundos do Motel A2, que sempre rende boas piadas. A escalada é bem tranquila, assim como a aproximação. Só é preciso ter certo cuidado para não entrar numa via inacabada que fica bem à direita da pedra.

Ao sul da capital:

6- Lage das Pedras (Guarapari) – Na parte sul, a Lage das Pedras é a pedra mais próxima que conta com várias vias tradicionais, sendo a via “Lídio Alvarenga” (4o, VI, D1, E2, 155m) a mais conhecida. Recentemente a via foi regrampeada e agora ela está em boas condições. Vale a pena pelo visual. Leia mais aqui!

Xerxes na 3a enfiada.

7- Pedra do Iguapé (Guarapari) – Essa é uma via antiga dos escaladores do Rio, batizada de “Diamante Mendigo” (5o, V SUP, E3, D2, 220m). Embora fique perto de Vitória, exige uma aproximação longa pela mata fechada e a escalada é mais exigente. Principalmente nas últimas enfiadas, mas é uma boa pedida para uma escalada de meio turno. Leia mais aqui.

Gillan na travessia da via.

8- Cachoeira Alta (Alfredo Chaves) – Nas laterais da Cachoeira Alta transcorre uma via em cada lado. Na esquerda há uma via mais fácil (Sombra e Água Fresca, 3o, VI, D1, E3, 130m) e na direita uma via mais exigente em aderência (Mona Lisa, 4o, V, D1, E2, 95m). Mas o legal dessas vias é que sempre rola uma banho de “cachu” no final.

Na via “Mona Lisa”. Foto: Caio Afeto

A oeste da capital:

9- Luz no fim do túnel (Domingos Martins) – De todas as vias desta lista, a via “Luz no fim do túnel” (5o, VI, D1, E2, 140m) é a mais repetida. O acesso à via é bem tranquilo e a escalada bem agradável. Vale a pena começar por essa!

Trem passando pela “base” da via.

10- Pedra Escravada (Cariacica) – Essa é uma via relativamente recente que foi conquistada no ano passado. A via, Mirante da Ilha (4o, V, E3, D2, 200m), possui poucas repetições, mas segundo o Eric, um dos conquistadores, o melhor da via está no visual que se tem da Grande Vitória. Essa via está na minha lista!

Boa quarentena!

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