Caçapava do Sul, em busca de resposta

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Por do sol em Caçapava do Sul.

Esses dias me peguei perguntando por que eu gostava tanto de voltar a Caçapava do Sul para escalar.

A primeira vez que fui para aqueles lados foi no feriadão de Carnaval de 1996. E desde então tenho voltado com certa frequência, na medida do possível, para provar o conglomerado roleta-russa. Aquela trip de 1996 foi muito especial para mim, pois foi a minha primeira roadtrip, onde passei vários dias escalando e tomando muitas picadas de marimbondo. Aprendi muito, conheci muita gente nova e tomei gosto pelo local.

Durante a época da faculdade, visitei a região várias vezes para estudar a geologia da região e tive a oportunidade de conhecer mais a fundo a região sob uma outra perspectiva, a perspectiva geológica!

Mas Caçapava não era especial porque foi a minha primeira roadtrip, nem porque conheci a geologia da região a fundo. Tinha algo a mais que não sabia o que era.

Nesse feriadão de Carnaval, 19 anos depois da primeira visita, voltei novamente a Caçapava decidido a descobrir o mistério.

Busquei uma parceria pelo Facebook e conheci o André Gaia, um carioca que fala “doix” e “bah’ na mesma frase!!! Vai entender. O garoto começou a escalar faz 3 anos e já está mandando vias de nono grau, mas o que mais me surpreendeu nele foi o fato dele dar muita gana na escalada à vista. São raros os escaladores que valorizam a escalada a vista e ele é um dois poucos que leva muito a sério esse negócio de “não largar o osso” e ir com “sangue nos olhos” até o fim. E foi assim que ele mandou o seu primeiro 8a à vista ao mandar a via Paranoia na Pedra da Baleia.

Os dias em Caçapava foram incríveis como sempre. Escalada, churrasco, escalada, churrasco e assim vai. Voltei com o André, Bode, Cassiano e companhia para a Pedra do Leão, Baleia e Lua para provar algumas vias novas e repetir algumas clássicas.

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O importante é não sair da trilha! A caminho da Pedra da Baleia “por uma trilha nova”!

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Sr. Manuel à cavalo mostrando a trilha para os guris novos! Ao fundo, a Pedra do Leão.

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Noite estrelada no Galpão de Pedra, ao fundo a Pedra do Leão.

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Eduardo Isaías Filho (Bode) na via Lobisomem do Alvoredo (8a), Pedra do Leão.

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Textura do conglomerado. Muito cuidado onde pega! Os seixos podem se soltar sem aviso prévio! Que medo!

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Aranha fêmea (grande) com o macho (menor). Nada como fazer a trilha com um biólogo!

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Via Láctea, a nossa casa. O risco contínuo é um avião.

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Croqui da Pedra da Baleia.

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Cassiano na 13a Sinfonia (7c), Pedra da Baleia.

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Conglomerado. Pedra da Baleia.

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Equipamento utilizado na conquista. Pedra da Baleia.

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Fragmento de cerâmica indígena (?).

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Voltando da pedra.

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Cavalo curioso.

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Cassiano aquecendo num 6o grau na Pedra da Lua.

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André Gaia trabalhando um 8a (?) na grutinha da Pedra da Lua.

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Cassiano tentando à “flash” um 7c na caverninha da Pedra da Lua.

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Cemitério de osso. Pedra da Baleia.

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Caverna da Pedra da Lua.

Ao final de 4 dias bem baixado no Galpão de Pedra, sendo tratado como um membro da casa pelo Sr. Manuel e família fui entendendo que o que faz as escaladas de Caçapava tão especial é que lá, o tempo não anda na mesma velocidade do mundo. Por isso é tão legal voltar lá.

É claro que algumas coisas mudaram ao longo dos anos, novas vias, novos escaladores, novos setores… mas parece que a essência se mantém preservada. É como se eu pudesse voltar no tempo e reviver um tempo que já não existe mais. É como se eu voltasse a virar um guri arteiro, escalando sem compromisso, fazendo arte e rindo de piadas idiotas. Como nessa foto abaixo onde o Bode lacrou a minha (e a do André) barraca com arame só porque nós desmontamos e empacotamos a barraca dele uns dias antes.

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Quem tem amigo assim, não precisa de inimigo!

Um grande abraço a toda galera que esteve lá no Galpão nesse feriado de Carnaval!

4 Responses

  1. Eu???? Não de nada sobre essa barraca… Valeu a parceria e as boas risadas.

  2. Belo post Naoki! Valeu mesmo pela parceria e incentivo! Quando voltares para esses pagos, dá um toque que combinamos algo. Forte abraço!

  3. Grande Naoki excelente matéria! Muito obrigado pela parceria na escalada e pelos ensinamentos!

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