• Alhambra ao entardecer.

No ano passado, mais ou menos nessa mesma época, a minha mãe comentou que gostaria de voltar ao Japão pela última vez, mas estava um pouco reticente em ir só. A cinco anos atrás, ela foi sozinha, mas dessa vez, por causa da idade, estava com medo e perguntou se eu poderia acompanhá-la. Respondi que não teria problema, afinal de contas, quantas coisas ela já fez por mim?

Pouco tempo depois, ela falou que nessa mesma viagem gostaria de dar uma passada na Espanha para conhecer Alhambra. Ela viu um documentário na TV japonesa e queria muito conhecê-la. A minha primeira reação foi: sem chance! Espanha está totalmente fora de mão do Japão. E “Al” o que? Tive que consultar o meu amigo Chico para tentar saber do que se tratava, porque “Alhambra” se fala “A-lambra”. Depois, descobri que se tratava de um forte fica localizado na cidade de Granada, distante a 400km da capital em direção ao Mediterrâneo. Mais uma vez, tentei argumentar com ela que seria contra-mão, mas não teve jeito. Eu que me vire para montar a programação. 

Madrid

No início do mês, partimos para capital espanhola num longo voo de 12h desde São Paulo e lá ficamos alguns dias para descansar da longa viagem e aproveitar para conhecer a cidade. Madrid nunca chamou a minha atenção, afinal de contas, as melhores escaladas da Espanha estão na região da Catalunha, mais à leste. Mas como estávamos ai, vai que a cidade me surpreenda…

Catedral de Santa Maria em Madrid. Foto de longa exposição.

Para essa viagem, levei a Fuji Xpro2 que comprei em meados do ano com as objetivas: 16mm f/2.8, 35 f/2 e 50 f/2.

Pelas ruas decoradas e coloridas de Madrid.

Madrid é Ok. Não faz muito o meu estilo, mas valeu a pena conhecê-la. O destaque ficou por conta do Museu do Prado, onde estão as principais obras do pintor espanhol Goya (que por sinal nasceu no mesmo dia que eu!). Fotografia e pintura têm uma relação muito próxima, embora possam parecer distantes, por isso, sempre que posso, gosto de ver trabalhos importantes para buscar inspiração.

Praça Maior em longa exposição. Madrid – Espanha.
Entardecer na Praça Maior. Madrid.
Vida noturna. Madrid – Espanha.

Alhambra

Deixamos Madrid e fomos para Granada conhecer o palácio/fortaleza de Alhambra. Por sorte, meses atrás ficou pronto o trecho final da linha de trem que liga Madrid a Granada e chegamos na cidade em pouco menos de 2h (400km).

Na minha ignorância, achava que Granada fosse uma pacata cidade do interior da Espanha. Que nada! Granada é uma cidade viva, jovem e acima de tudo muito alegre. É uma cidade cosmopolita, uma mistura do oriente com ocidente, do antigo com o novo, uma salada de fruta cultural muito interessante.

Bairro de Albaicín em Granada à noite.
A caminho de Alhambra.

Conhecer o palácio de Alhambra requer planejamento e organização. É preciso comprar os ingressos com, no mínimo, três meses de antecedência e marcar um horário para conhecer as dependências do palácio que exibe diversos elementos da arquitetura islâmica. 

A nossa visita ficou para às 15h, mas às 11h já estávamos no forte para conhecer os outros ambientes que não exigem hora marcada e às 14h30 fomos para fila. Como a quantidade de pessoas é limitada a 400 por dia, se você perder o horário, perde a vez e perde de conhecer um dos lugares mais incríveis da Espanha. 

Palácio de Luis V. Um “negócio” nada a ver que destoa na paisagem…

As dependências do Palácio de Alhambra são realmente tudo que eu li antes. Um lugar difícil de descrever, de uma beleza única. A arquitetura tem tantos detalhes que você precisa respirar fundo, sentar num canto e deixar os olhos se levar por cada pedaço.

Pátio de Comares no Palácio de Nazaríes. Ao fundo, a Torre de Comares.
Detalhe das decorações.
Palácio dos Leões. Foto quadrada para manter a mesma proporção usada pelos arquitetos mouros.
Cúpula da Sala dos Reis.
Detalhes.
Panorâmica da fortaleza e palácio de Alhambra.

Para quem tiver mais interesse sobre o assunto, tem um documentário muito legal da National Geographic sobre Alhambra.

Depois de Alhambra, voltamos para Madrid e de lá, mais um voo de 13h nos levou até o Japão, cruzando as intermináveis e monótonas tundras do norte da Rússia. 

Da janela do hotel, o amanhecer em Madrid.

Nippon

No Japão, nós não tínhamos nenhum plano concreto. Deixei a minha mãe decidir e fazer o que ela bem entendesse. Afinal de contas, a minha função seria carregar as compras e levá-la para os lugares.

“Naoki, quero comer sushi!”

“Naoki, preciso comprar papel de seda!”

“Naoki, vamos na feira, me leva!”

No fim, ainda passamos para visitar alguns parentes, tanto por parte da minha mãe, quanto do meu pai. Para a maioria da pessoas, visitar um tio, um primo ou os avós são coisas corriqueiras, mas para mim, é quase um encontro de uma vida. A última vez que vi um dos meus tios foi a 35 anos.

Templo de Yamaguchi.
Cenas do cotidiano em Ushiroda.
“Sampô”, passeio em japonês.
Pelas ruas de Tokyo.
Noite chuvosa em Tokyo.

Além disso, nesses encontros familiares tive a oportunidade de vivenciar um pouco a rotina de vida nipônica, como por exemplo, montar a cama no tatami, tomar banho de ofurô ou comer um peixe assado recém pescado.

Trem bala.
Vulcão Sakura-dima em Kagoshima.
Arrozal em Kagoshima.

Em poucas e rasas palavras foi isso. No fim ficaram as lembranças das paellas na Espanha; dos passeios de trem com a minha mãe e a vida simples do interior do Japão.

Em Kagoshima com os Arima’s.

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