Operação “Caixa de Pandora” – Três Pontões de Afonso Cláudio

^ Eric Penedo na 1a enfiada da via “Garganta Profunda”. Três Pontões de Afonso Cláudio.

Após dois finais de semana de esportiva em Calogi, eu estava sentindo falta de um “doce veneno”, de uma roubadinha tradicional! Assim, no último domingo, Eric e eu partimos para os Três Pontões de Afonso Cláudio para repetir a “via das Gargantas”.

Fomos à pedra com várias missões em mente. Para o Eric seria a primeira vez naquela montanha, ou seja, mais um cume novo para o currículo. Quanto a mim, seria a oportunidade para repetir e liberar a via que abrimos com o Sertã, Robinho e Gillan ao longo do ano passado (aqui e aqui). E de quebra queríamos deixar um livro de cume que nunca existiu (?) e ainda fazer a boa ação do dia resgatando uma corda deixada por um grupo de escaladores durante o rapel do Dedinho.

Partimos no estilo bate-volta. Saímos de Vitória no domingo às 4h30 e chegamos no cafezal às 7h20, após quase 3h de estrada para cobrir 160km.

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Primeira visão da pedra. Dá um nó na garganta…

Entramos na montanha por volta das 8h pela via “Inferno na Torre” repetindo as duas primeiras enfiadas da via, mais o trepa mato. Devido a seca e a passagem recente de outros escaladores, felizmente, o trecho de trepa-mato estava bem tranquilo. Quase não teve graça…

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Início do costão que leva à base da via “Inferno na Torre”.
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Grampo amarelo da “Inferno na Torre”. Essa palheta de alumínio… P1 da via.

Entramos na Garganta Seca (7o, E2, 50m) e mais uma vez tive a certeza de que essa via é uma das gemas da escalada Capixaba. Fenda perfeita, proteções boas, verticalidade e tijolamento na medida certa fazem dela um “must to do”!

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Eric batalhando na fenda da “Garganta Seca”.

Dali emendamos na via Garganta Profunda (7a, E1, 50m), uma linha pela face em proteções fixas que dá acesso ao cume pelo lado sul da pedra. A meta era liberar as enfiadas já que tínhamos passado apenas uma vez no ano passado durante a conquista. A primeira enfiada, uma enfiada curta de uns 8m, foi liberada sem maiores problemas, tirando as agarras pequenas da saída. Acredito que a enfiada seja um 7a/E1.

A próxima enfiada era para ser fácil, mas pelos mugidos do Eric não parecia. A enfiada foi liberado pelo próprio Eric e graduamos em 6o grau/ E2 com uma passagem sem pé no liso!

E por fim ficou faltando apenas a última enfiada que foi conquistada em A0 pelo Guillan. Fiz a frente mas acabei sucumbindo numa passagem. Não foi muito divertido cair perto do cume dos Três Pontões… Após uma pequena “jardinagem” apareceu uma agarra chave que deu uma boa facilitada e toquei o resto para cima. O Eric veio de segundo, mas também sucumbiu ao cansaço e à falta de pé.

Batemos no cume por volta das 14h30 e lá deixamos o novo livro de cume dentro de um pequeno totem. Estar no cume dos Três Pontões é sempre muito especial para mim. Sempre que chego lá penso nos primeiros conquistadores que estiveram naquele minúsculo cume em 1958!!! Aliás, foi no dia 16 de julho de 1958 que Hamilton Firme Maciel, Drahomir Vrbas, Patrick David White e Ricardo Batalha Menescal conquistaram esta montanha.

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Marmita no cume!
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Curtindo uma friaca no cume!

Descemos pela face sul por volta das 15h30 fazendo pequenas manutenções nas estações de rapel e após 4 rapeis de 70m estávamos na base da montanha para ver o espetáculo do por-do-sol na segurança do estacionameto.

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Como passamos o dia com apenas 2 barrinhas de cereal e banana seca resolvemos “filar” um rango no “Cantinho dos Três Pontões” e lá fomos nos no sítio do Itamar para fechar o domingão “patrolando” um maravilhoso pratão de comida caseira! Com certeza foi a melhor parte do dia!

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“Selfie” na montanha.

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Comentários

Uma resposta em “Operação “Caixa de Pandora” – Três Pontões de Afonso Cláudio”

Dia perfeito de climb! Montanha clássica, tempo frio e limpo.
Maior visual do cume, podendo avistar a Pedra Azul, Pedra do Garrafão, Forno Grande, Cinco Pontões, Caparaó, entre outros.
Essa marmita estava fazendo falta neste cume.
Valeu pela aventura! Abs

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