Primeira escalada de 2017, primeira resolução do ano! Checked!

^ Pedra do Iguapé, Guarapari, ES.

Primeiramente, feliz ano novo a todos os leitores do blog (como se fossem muitos…)!

Para este ano tenho como meta principal quitar todas as minhas dúvidas “verticais”. Ao longo dos anos tenho deixado algumas pendências que ficaram de lado, mas botei na cabeça que quero chegar ao final de 2017 com todas as dívidas sanadas!

E nada como começar o ano resolvendo de cara uma pendência de quase dois anos!

Para primeira escalada do ano o Gillan, pela enésima vez, me convocou para voltar à via “Diamante e Mendigo” para terminar uma história que ficou mal resolvida.

Em março de 2015 tentamos escalar esta via, mas por um erro logístico acabamos chegando muito tarde na base da via e fomos pegos pela noite na última enfiada, faltando menos de 20m para chegar no cume. Como não achamos os grampos escondidos à luz das lanternas, tivemos que baixar dali mesmo, rapelando em grampos velhos até a base para encarar uma trilha na noite. Roubada master plus!

Aquela experiência foi um tanto quanto traumática. Calor, grampo velho, esticão, rapel no escuro, estafa física e mental… Por isso, toda vez que o Gillan me convidava para voltar lá, arrumava uma desculpa esfarrapada, mas como prometi que esse ano seria o “ano da quitação”, quando ele me mandou o zap-zap no início da semana aceitei o convite. Acho que nem ele acreditou quando respondi: Bora!

Separando os equipos para escalada. Um rack típico para escalada tradicional no Espírito Santo.

Dessa vez, estudei melhor os mapas, analisei novamente os croquis e concluímos que poderíamos sair às 10h de Vitória para conseguir concluir a via com tranquilidade. Um dos problemas dessa via é que a pedra fica com a face voltada para leste com sol pela manhã e sombra apenas no meio da tarde. Aliado a isso, o verão deste ano, naturalmente está castigante. Entrar numa parede tomando sol na nuca é quase suicídio. Por isso, assim como da primeira vez, optamos em entrar no meio da tarde para pegar a sombra sob o risco de não conseguir terminar a via de dia.

Ao contrário da primeira vez, acertamos o caminho e em 1h estávamos estacionando o carro no haras que fica na base da pedra para pedir passagem. Mochila nas costas e às 11h30, na pior hora do dia, começamos a aproximação. Como já conhecíamos a trilha sabíamos o que tinha que fazer. Ou não… Após 50m na mata inventamos de contornar um bambuzal e ai o negócio começou a desandar. Nessa história acabamos saindo muito da trilha e quando fomos ver estávamos nos afastando da via… Infelizmente a mata nessa é muito ruim, com muitos cipós, galhos e irregularidades, por isso cada passo é muito sofrido. Isso sem contar os solos básicos de 30m de tênis…

Em suma, o que era para ser uma aproximação conhecida se tornou uma aventura de uma hora e meia…

Aproximação tranquila sob o sol do meio-dia! Puro desfrute.

Por volta da uma hora da tarde finalmente chegamos na base da via e pela posição do sol, ficou claro que ele não iria embora tão cedo.  Dava para ver direitinho aquela “fumacinha” de quando a pedra fica muito quente. Puxei o meu telefone para conferir um aplicativo chamado TPE que vê a orientação do sol e conclui que nessa época do ano, o sol iria demorar mais do que o esperado para sumir atrás da pedra.

Esperamos mais um pouco e às 14h nos equipamos e entramos na via sob um sol escaldante de verão.

Nessa época do ano o sol se põe às 19h30. Fazendo uma conta simples, se quiséssemos chegar de volta na base com luz era imperativo que partíssemos até as 14h…

Entramos alternando enfiadas, eu pegando as enfiadas ímpares e o Gillan as pares. Assim cada um poderia guiar as enfiadas que na primeira repetição foi de segundo.

Tentei escalar o mais rápido possível para ganhar tempo, mas quando o assunto é aderência, as coisas não funcionam bem assim.

Gillan na 1a enfiada da via. E o sol fritando…

Assim que chegamos na P2, finalmente fomos agraciados pela sombra da pedra. Aliando a isso, um vento moderado ajudou a refrescar o ambiente e finalmente pudemos escalar em “modo desfrute”.

No final da 3a enfiada, já na sombra da pedra! Ufá!
Escalada com vista para o mar. Dá uma vontade de estar à beira mar curtinho a vida… Sqn… Á esquerda, a face oposta da Lage de Pedra, outro point de escalada tradicional.
Gillan no início da 4a enfiada.

Por volta das 17h30, finalmente chegamos na fatídica P4. Dali já dava para sentir o cheiro do cume. Bastava vencer um pequeno vertical e depois parecia que a pedra perdia inclinação, facilitando o terreno. Foi nessa enfiada a 2 anos atrás fomos pegos pela noite e tivemos que descer.

Pela sequência, a última enfiada seria a minha. Segundo o croqui original dos conquistadores (cariocas) tem dois grampos escondidos e um trecho final exposto, finalizando em uma parada natural. Na primeira investida, lembro que nem conseguimos achar os grampos, por isso fiquei um pouco preocupado no início, mas assim que subi uns 5m achei o primeiro “grampo escondido” e logo em seguida avistei o segundo “grampo escondido”. Ufa! Nada como a luz do dia para facilitar as coisas… No entanto, o link entre o primeiro e o segundo grampo não parecia muito trivial, no croqui dizia IVo SUP, mas já sabia que essas graduações estavam “sub-graduada” então tive que levar à sério o tal 4o grau. Vencido o “4o SUP” com cara de 5o SUP exposto, vinha a parte descrita no croqui como “EXPO”. Essa era a minha segundo preocupação depois dos grampos escondidos, porque a via tem vários trechos expostos, mas nenhum deles tinha sido pontuado no croqui. Por isso achei que esse lance final seria realmente exposto, mas para minha alegria, o EXPO foi o trecho mais tranquilo de toda via, com certeza há lances mais expostos abaixo.

Por volta das 18h, após 4h de escalada, finalmente batemos no famigerado cume da Pedra de Iguapé!

Foto para posteridade! Essa deu trabalho!

Vencida a primeira parte, vinha a segunda, a descida. Tiramos algumas fotos e tratamos de sair logo dali. Ao fundo, já dava para ver o sol despontando para trás das montanhas anunciando que mais um dia estava indo embora.

De um lado o mar, do outro, o mar de montanhas…

Como a descida era um crux tratamos de descer logo dali. No fim acabamos usando uma rota diferente da sugerida pelo croqui original (vide na página da pedra a trilha) e por volta das 19h30, com um restinho de luz conseguimos chegar de volta no haras para comemorar a escalada com um copo de água gelada!!! A minha água já tinha acabado no cume…

Descida pelo costão e a linha da via por um outro ângulo.

Eu não tenho muita certeza, mas acho que essa foi a 3a ou a 4a repetição da via e a primeira depois de dez anos. Infelizmente o tempo e a proximidade com o mar deterioraram um pouco os grampos, mas já vi coisas piores. Por isso a recomendação é sempre levar os móveis para reforçar, principalmente, as paradas.

Postagens relacionadas

Comentários

Uma resposta

  1. Massa demais, essa linha é cinco estrelas! Uma pena mesmo que a “infraestrutura” da via não está das melhores, mas o veneno que não te mata te fortalece hehehe

    Que 2017 venga com muitas realizações! Valeu Naoki-san, abss!

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: