Hoje faz exatos 10 anos que deixei o estado do Rio Grande do Sul, minha terra natal, e fui morar durante 8 meses no Rio de Janeiro e depois em Vitória (Espírito Santo), onde resido até os dias de hoje.

O tempo passou, ou melhor voou, e num estralo já se passou uma década. Muitas coisas aconteceram nestes 10 anos e hoje posso dizer que só coisas boas aconteceram durante este período. Com certeza não tenho o que reclamar e se eu pudesse voltar no tempo, não faria nada diferente, pois tudo aconteceu naturalmente perfeito.

Ainda lembro claramente aquele dia 2 de janeiro de 2007. Deixei para trás a minha mãe, a minha namorada (que hoje é esposa), os meus amigos e embarquei num longo voo de 2h30 até o Rio de Janeiro com o meu colega de profissão “Anjinho”. Desembarcamos no aeroporto de Galeão e pegamos um “frescão” até o centro do Rio de Janeiro. Por volta das 16h, o busão parou bem na esquina da Av. Presidente Vargas com a Rio Branco e “saltamos” ali. Aquele desembarque foi particularmente chocante. Nunca estive no Rio de Janeiro e ser lançado bem no miolo da cidade foi muito impactante, contrastante. Catei a mochila carregada até o talo de material de escalada, algumas peças de roupa e me dirigi ao hotel que ficava ali perto.

Rio ao entardecer…

Em maio daquele mesmo ano, fui conhecer o Espírito Santo a trabalho. Passei longas duas semanas na cidade de São Mateus e num final de semana, aluguei um carro e rodei até a capital para conhecer a escalada Capixaba a convite do meu conterrâneo Maurício Sartori que me acolheu por aqui (gratidão eterna por aqueles dias!). Foi também naquela ocasião que conheci um garoto novo que segundo os escaladores locais era “a promessa da escalada capixaba”, o Caio “Afeto”. Escalamos juntos no Morro do Moreno e na recém descoberta Falésia do Capeta e desde então, nos últimos 10 anos estamos juntos por esse interiorzão do Espírito Santo.

Conhecendo o conceito de “abrasividade” na falésia de Viana. Foto: Caio Afeto.
Bravando e desbravando as montanhas do Espírito Santo. Essa foi para conhecer uma falésia secreta em Cachoeiro. Que roubada…

Em agosto daquele ano, mais uma mudança a trabalho, dessa vez para Vitória, Espírito Santo. Lembro com muita clareza que numa 5a feira recebi a notícia de que na próxima 2a feira teria que me apresentar em Vitória. Foi um corre-corre para arrumar as coisas até sábado, quando embarquei com todas as tralhas para Vitória. Recordo que eu tinha tanta tralha, principalmente material de escalada, que tentei embarcar com a minha furadeira à bateria como bagagem de mão, mas o pessoal do aeroporto achou que eu poderia parafusar uma bomba no avião e não me deixou levar na cabine e tive que despacha-la…

Nestes 10 anos, escalei muito por aqui, fiz grandes amizades, conheci lugares que nem no meu imaginário poderia cogitar. Mas de todas as viagens que eu fiz por esse estado, uma em particular me marcou e lembro com bastante frequência até os dias de hoje. Em 28/02/2009, sai de Vitória sozinho para procurar pedra pelo interior do estado. Fiz uma lista de lugares que gostaria de visitar, começando pela região de Cachoeiro do Itapemirim. Depois rodei pelos lados de Castelo, onde como sempre, fui muito bem acolhido por uma família na região de Caxixe para passar a noite. No dia seguinte, dei uma esticada até Afonso Cláudio e depois voltei para casa. De fato, não achei nada que estava procurando, mas naquela viagem cai nos encantos dos granitos capixabas.

Granito da região de Caxixe.

Quanto ao futuro, o que sei é que nada sei. A dez anos atrás não seria capaz de prever nem 1% de tudo que aconteceu, então nem me preocupo com o futuro. O que sei é que, se os próximos 10 anos forem como foram os últimos 10, serei um cara feliz.

Obrigado a todos que me acompanharam nessa caminhada nos últimos anos!

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