Roadtrip RS – Céu (parte 1)

Tudo começou com uns pingos na barraca; eram por volta das 2h da madrugada. Em poucos minutos, os pingos ficaram mais intensos. De repente, um clarão iluminou a noite e num relance, vi a cara do Afeto assustado. Segundos depois, outro raio e dessa vez seguido de uma trovoada. Era o sinal que estava faltando para o mundo se acabar lá fora. Não passaria de uma tempestade de verão típica do Sul se não fosse o fato de nós estarmos numa barraca montada ao lado de um rio. No manual do escoteiro mirim do Tio Patinhas está escrito: não montar acampamento nas margens do rio, pois em caso de chuva, o rio poderá subir e alagar a barraca.

Acampamento após a chuva.

Não sei quanto tempo durou a chuva, nem sei se choveu muito de verdade, mas dentro da barraca a sensação era de que o mundo iria acabar antes do amanhecer.

Foi mais ou menos assim, talvez com um pouco de licença poética que começaram as nossas férias pelo Rio Grande do Sul. Não foi um cartão de visita muito legal, mas como estávamos em Coriporã (RS), sabíamos que as escaladas do dia seguinte não estavam comprometidas.

Cascata do Marin.

No dia seguinte, o Sol raiou como se nada tivesse acontecido na madrugada e André, Paula, Afeto e eu fomos escalar tranquilamente no setor principal.

Coriporã já é um setor antigo para mim, conheço desde 2004, mas mesmo assim eu queria voltar. Voltar para apresentar o setor para o Afeto e eu provar as novas vias da última safra.

Passamos dois dias escalando em Cotiporã, sendo que no segundo dia ainda tivemos o reforço do Pedra “Graveto” e seus amigos de Caxias do Sul.

Ao final, todos nós escalamos alguma coisa. Eu mandei o que tinha me proposto para mandar, “Dois Amores” (9a) – 2nd go (linda de morrer), e “Um minuto de silêncio” (9b) – 3rd go (intenso no Crux). O Afeto mandou, entre outras, a clássica “Eletroerosão” (9a) – 2nd go, e ainda tentou a “Dois Amores”, mas faltou um pouco de bateria.

André na via Eletroerosão (9a).
Waterline.

Cotiporã serviu para lembrar que escalar forte dois dias dormindo em barraca e sem uma boa infraestrutura é pesado. Com certeza sob condições normais as cadenas sairiam mais fluidas, mas faz parte do jogo. Condições ideias sempre serão exceção a regra! E é para isso que inventaram a “raça”!

Logística é tudo.
Estamos nos alimentando bem!
Entardecer no Marin.

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