Roadtrip RS – Sol (parte 2)

Saímos de Cotiporã e fomos para Mecca, o “Centro do Universo”, o epicentro da escalada esportiva gaúcha do início do século: a Gruta da 3a Légua em Caxias do Sul!

A Gruta é uma área de escalada que surgiu na década de noventa e atualmente conta com mais de 50 vias com dificuldades que chegam na casa do “onzimo”. Inclusive foi lá que nasceu o primeiro 11a do Brasil. Para mim, a Gruta simboliza o típico estilo da escalada esportiva do Rio Grande do Sul. Vias curtas, negativas e físicas, onde saber usar o calcanhar é absolutamente mandatório. E onde sempre será possível escolher entre mandar a via na força ou na técnica! Talvez por isso agrade tanta gente.

Com a ajuda do Tiago conseguimos nos acomodar na própria Gruta! Mais perto impossível. Estávamos a 150 degraus das vias e menos de 15 minutos de Noel Rock! Melhor impossível!

Organizando o rango da semana na nossa cozinha.

No primeiro dia na Gruta, basicamente dei 4 entradas “full” na Valhala (10a), uma via lindíssima que está na minha lista de pendência. Foi um dia bem pesado, mas com muitos aprendizados. Valeu Guilherme e Jeferson pelos betas.

O Afeto “passou o rodo” nas clássicas do setor, com destaque para “Braboleta” (9a), 2nd go e “O herege” (9a) também de 2nd go depois de cair no flash na última agarra!

Lembrete.
Guilherme na via Armagedom (9b).
Paulinho no descanso da “Vertigem” (9b).

No final do dia, o mundo caiu de vez na Gruta e choveu bastante à noite. No dia seguinte, ficamos na dúvida entre descansar e escalar. No fim, a “fomeagem” acabou ganhando e fomos para Noel Rocks.

Noel Rock

Mesmo com toda chuva da noite passada várias vias ainda estavam secas e conseguimos dar bons pegues!

Neste dia, o Afeto mandou “Cerco a Sebastopol” (8c) – 2nd go, e “Glamour mora ao lado” (9a). Também mandei a “Glamour mora ao lado” na 3a entrada depois de me convencer de que o boulder da saída tem que ser na força mesmo! De saideira “avistei” a “Charles Bronson” (8c) que me pareceu bem interessante. Pessoalmente achei um 8c fácil, até porque de reglete ruim estou bem calejado depois de passar semanas escalando em Calogi (ES). Enfim, grau não se discute, se comemora!

Após dois dias de escalada o nosso corpo estava clamando por um dia de descanso e no dia seguinte tiramos o dia para lavar roupa, fazer croquis, reabastecer a dispensa e descansar um pouco. Mas chega uma hora que um dia de descanso não é suficiente para dar carga total, porque o cansaço vai acumulando.

Gruta

Começamos o terceiro ciclo (2 on, 1 off) voltando para Gruta. Nesse dia, as condições climáticas estavam terríveis. Na verdade, era um dia típico da Gruta, frio (17oC) e 99% de umidade, ou seja, o basalto estava expulsando os “pretendentes”. Mesmo assim, o Afeto mandou a “Armagedom” (9b) após algumas entradas com os betas primordiais dos “locais”. Eu fui, mais uma vez, para “Valhala” dar continuidade ao “processo”. Dessa vez tive a ajuda do Gabriel e do “Sucrilhos” que me passaram betas essenciais para passar um lance que estava com muita dificuldade. Foram mais 4 entradas no total, sem pretensão de mandar, apenas para condicionar o corpo à via, mas tive ótimos progressos. A partir da próxima entrada, a ideia já é entrar na gana!

Trabalhando a via “Valhala”. Foto: Douglas Araujo.
Condições nada favoráveis.
Douglas na via “Vertigem”.
Surucuá.
Sucrilhos na mesma via.
Cusco esperando o churras.

No dia seguinte o tempo amanheceu muito ruim. Tentamos ir para Grutão, mas não tivemos muita sorte. Então o jeito foi voltar para Gruta a tempo para garantir o almoço da colônia e passar a tarde bodiando e olhando a chuva.

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