4a ascensão da via “Avalanche” (9c)

No último sábado, dia 22 de agosto, o escalador Alex Megos, ops, Alex Mendes realizou a 4a ascensão da via “Avalanche”, graduada em 9c no Calogi – Serra.

“Alekinho” como é conhecido pela galera é um “moleque novo” natural de Itamonte – MG que recentemente se mudou para o Espírito Santo e nos últimos tempos andou “passando o rodo” em várias vias e boulders clássicos do Estado.

A via “Avalanche” é uma das vias esportivas mais famosas do Espírito Santo, não só pela dificuldade, mas também por ser o primeiro 8a francês do Estado. A via foi equipada pelo Caio “Afeto” em 2011 e teve 1a primeira ascensão por mim no mesmo ano. Em dezembro de 2012, o próprio Afeto realizou a 1a repetição. E semanas depois, em janeiro de 2013, o escalador Felipe Alves realizou a 2a repetição da via. 

Desde então, a via não teve mais nenhuma ascensão até o último final de semana. Eu mesmo não tinha entrado mais na via desde 2011. Aproveitando as costuras do Alekinho, resolvi matar a saudade, só para “desencadear” e lembrar como aquelas agarras moem os dedos, credo! Mais legal do que isso, foi ver a cadena do Alekinho que resolveu diversas passadas de forma diferente, mostrando a pluralidade de estilo da via.

“Alekinho” Mendes na cadana da via “Avalanche” (9c). Foto: Tais Valle.

Segue abaixo uma pequena entrevista que fiz com ele depois da ascensão:

Qual foi a 1a impressão ao ver a linha da via?

A primeira vez que fui para o Calogi, já fiquei namorando a linha. Uma aresta alucinante de agarras pequenas!! Chama muito atenção e desperta vontade. Confesso que não me deixei intimidar, mas já no primeiro pega, percebi que a via é bem dura.

Como foi o processo para mandar a via?

O processo foi bem diferente do que estava acostumado, estava me adaptando ao estilo de escalada do ES, estilo muito exigente e técnico, onde todas linhas são duras. Entrei a primeira vez na Avalanche e senti muita dor por conta da pele; ta aí o grande impasse da via, logística de pele. Foram 6 entradas no total, tive que tirar micro betas que fizeram total diferença na cadena, achei um entalamento de joelho, umas agarrinhas e compreendi toda a via. Aí tava dentro da minha regra: isolou, mandou!!

Qual o segredo para encadernar a Avalanche?

O melhor beta para quem quer entrar na Avalanche é ter uma boa pele na pontas dos dedos, a via simplesmente destrói a pele. Usei um beta muito bom que me ajudou no processo, usei esparadrapo para conseguir isolar a via e isso me ajudou muito. Outro beta muito importante é aprender a descansar nos 2 descansos da via, entender como seu corpo se sente confortável, para na hora da cadena não faltar no Crux final.

Que  aprendizado trouxe a Avalanche para você?

Essa via me ensinou muito, uma escalada muito específica que me obrigou a usar muito da minha parte técnica. Voltando da quarentena, estava com sem psicológico de cadena, com essa conquista, me senti ainda mais confiante para os próximos projetos.

Em relação a outras vias desta dificuldade, onde você colocaria a via?

A Avalanche é uma linha muito clássica e dura, foi o 9c mais difícil que já encadenei, o granito aqui do Estado tem um estilo bem técnico, que por consequência, deixa a graduação bem sólida, mas a primeira impressão parece mais hard do que realmente é.

Quais são os projetos futuros em Calogi?

No Calogi quero fazer um volume de nono grau, conhecer as vias mais clássicas e aprimorar minha escalada à vista. A leitura das vias são bem difíceis, escalar à vista em um pico com várias vias clássicas é uma oportunidade única que vou desfrutar desse sonho.

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Comentários

3 respostas

  1. Que massa! Parabéns pela entrevista, Naoki e pela cadena, Alekinho!

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