Processo “Era de Aquário”

No início deste ano, equipei um novo projeto no Setor Excluídos em Calogi (Serra) batizado de “Era de Aquários”. O Setor Excluídos é caracterizado por um gnaisse bastante compacto e heterogêneo numa placa levemente negativa de uns 18m de altura. Diferentemente dos outros setores, essa placa é desprovida de agarras e há mais seções lisas do que com agarras. Por isso, abrir uma via nesse setor é bastante trabalhoso porque é preciso sair procurando links entre seções. Além disso, a rocha possui uma “capa” bem podre que quebra com certa facilidade, adicionando mais um elemento complicador.

A abertura da “Era de Áquário” foi exatamente isso. Agarras contadas a dedo, outras querendo quebrar e muitas sem salvação. Por isso, na semana seguinte a conquista, fui lá só para reforçar as agarras chaves com Sika. “Sikar” uma agarra que está por quebrar é sempre questionável. Na medida do possível, tento não fazer esse tipo de interferência, principalmente se tiver uma agarra substituta ao lado, mas dessa vez, mal e mal havia agarras para sequenciar o lance.

Naturalmente, enquanto equipava a via e “Sikava” as agarras ia tendo dimensão da encrenca. Por isso, levei mais um mês para dar o primeiro “pegue”. Foi preciso um tempo para criar coragem e acima de tudo, me sentir minimamente forte para conseguir tirar as passadas.

O primeiro pegue foi dentro do esperado. Espanco na medida certa. A primeira entrada sempre tem aquela apreensão de saber se é possível isolar tudo, se as agarras “sikadas” aguentam o peso, se as chapas estão nos lugares certos e tal.

Já tinha visualizado 2 crux’s bem definidos. O primeiro, levei muito tempo para descobrir a sequência, pois não conseguia isolar do jeito que tinha lido. Foi preciso voltar a estaca zero e pensar “fora da caixa”.

O segundo crux, que fica logo depois desse, se mostrou mais duro do que o esperado. A essa altura, eu já estava bem cansado e com a pele ruim por causa da sequência inferior. No fim, acabei não conseguindo nem vislumbrar uma leitura e desci arrasado.

Desci bem frustrado, mas ao mesmo tempo me convenci de que o dia não era o mais adequado para isolar um crux daqueles, pois o dia estava horrível. Sem vento, termômetro na casa dos 30 graus na sombra e muita umidade. Pelo menos, assim me senti menos pior e me enchi de esperança para um próximo pegue!

Por ora, o jeito vai ser seguir treinando para ganhar mais pressão de dedos, pois irei precisar. E também, antes da próxima entrada, terei que reforçar novamente mais umas agarras que estão na eminência de quebrar. Muito trabalho pela frente…

Sobre o grau da via, ainda não tenho uma ideia. A primeira sensação foi de que era uma 10a, mas a primeira impressão é a que não fica. Em casa, com mais calma, me pareceu mais fácil, mas estranhamento, quando estou escalando, nada é fácil. O jeito é dar tempo ao tempo para assimilar melhor. Por hora, o jeito é esperar a chuva diminuir um pouco e continuar treinando.

Ah, agora tem mais uma via no Excluídos. O projeto que equipei com o Lis e Ya, batizado de “Medusa” caiu: Um 8b bem legal. Pena que o crux que dá grau a via é muito nojento. Tipo uma blocada de reglete em monodedo logo na saída. Mas depois a escalada segue bonita em diagonal por umas agarras boas. Eu acho que o boulder da saída é um V6 e o resto um 7a.

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