Offset e Totem

  • Via Demolidor (V), Morro do Moreno.

Seguindo a quarentena, hoje resolvi escrever um pouco sobre dois equipos que andei testando nos últimos anos e tenho gostado bastante, principalmente aqui no Espírito Santo: os nut offset da DMM e os SLCD da espanhola Totem Cam.

Offset

No ano retrasado, quando fui para Arenales (ARG), tive a oportunidade de escalar com a Rê uma via tradicional na Agulha Carlos Daniel usando os offset’s da DMM. Eu já tinha ouvido falar desse tipo de proteção, mas numa tinha usando na prática. Os offset´s diferem dos nuts normais por terem as faces assimétricas, aumentando a gama de opções e permitindo colocações em fendas assimétricas.

Comparação entre o offsett (à esq.) e o nut normal (à dir.). Note a assimetria no formato em relação ao nut normal. Todas as peças são do mesmo tamanho da DMM.

Sempre achei esses offset específicos, mas depois do teste em Arenales comecei a achar que esses entaladores seriam uma excelente opção para os granitos capixabas que não aceitam bem os nuts normais.

Aqui no ES, praticamente não uso nut porque (1) as fendas são tão largas que não há nut deste tamanho no mercado e (2) ele não assenta bem na fenda “cracochenta”. Por isso, na maioria das vezes, os meus nuts só vão para passear.

Depois que comprei os offset´s, já provei em uma meia dúzia de vias tradicionais e fiquei muito surpreso com os resultados. Eles assentam muito bem nas fendas irregulares e em algumas vezes ficaram tão bem entalados que tive dificuldade para retirá-los.

Offset DMM em ação na via “Sorte de Principiante”, Pedra do Barro Preto, Itaguaçu – ES.

O jogo da DMM vem com apenas 5 peças. Particularmente gostaria que tivesse mais peças maiores. Isso porque as fendas daqui tendem a ser mais largas. Por outro lado, essa quantidade me atende bem, pois por mais que os offset´s sejam bons, as oportunidades ainda são bem restritas. Então, entre não levar e levar 5 peças, faz a diferença.

Sempre usei um jogo normal de nut da DMM que vem com 11 peças. Particularmente acho eles melhores do que os da Black Diamond. Além disso, por causa do formato, os nut’s da DMM têm fama de assentar melhor na rocha. O que é bom e ruim ao mesmo tempo.

Totem

Preciso confessar que sempre tive um pouco de preconceito em relação aos Totem Cams. Sempre fui fã dos Camalot da BD e continuo gostando muito deles, mas preciso dizer que depois que conheci os Totem’s fiquei abalado.

Eric preparando o rack para 2a enfiada da via Boca de Urna, Pedra de Itapina – ES.

Os Totem’s, embora sejam dispositivos ativos de castanha, não possuem o eixo longitudinal como nos friends tradicionais. Toda carga das castanhas e transferida individualmente por um complexo sistema de cabos de aço permitindo que o sistema atue com 2 até 4 castanhas. Ou seja, ela permite colocações com apenas duas castanhas (somente para progressão). Por isso, os Totens são os queridinhos da escalada artificial. Devido a esta construção única, os Totem’s também têm a vantagem de não caminhar dentro da fenda, o que sempre é um alívio mental muito bem vindo. Além disso, diferentemente de outras marcas, são fabricadas com uma liga metálica diferente, sem polimento e pintura, que lhe confere um aspecto “adstringente”, mais “pegajoso” na rocha que garante melhor contato. Também tem a questão em relação à geometria das castanhas e os ângulos envolvidos que são bem diferentes. Na verdade, cada fabricante utiliza um princípio para manter a relação entre forma da castanha e os ângulos, mas nesse Saara eu não tenho coragem para entrar.

Comparação entre o Totem Cam (topo) e o Camalot C4 (abaixo). Observe a diferença na construção do eixo longitudinal entre os dois fabricantes. No caso do Totem Cam, os eixos são duplos e a carga vem diretamente das castanhas para as fitas via cabos de aço, enquanto que no C4, a carga é transferida do eixo transversal rígido para o eixo longitudinal único.
Parada móvel da via Dreadlock Imaginário, Pedra da Boca, Pancas.

Aliado a todas essas características técnicas supracitadas com o tipo de rocha que encontramos aqui no Estado, fendas irregulares, fazem os Totem’s muito superiores aos Camalot’s. Por aqui é muito comum ter que catar uma colocação dentro da fenda até encontrar um local bom onde todas as castanhas se assentem, mas ao mínimo movimento da peça, ela tende a desarmar alguma castanha, deixando a coloção comprometida.

Parada final em móvel da via Sorte de Principiante, Pedra do Barro Preto, Itaguaçu

Mas é claro que nem tudo são flores. Os Totem’s são mais difíceis de encontrar no mercado, além de serem mais caros. No rack, ocupa mais espaço e deixa tudo volumoso, além de pesado. O que para mim é a grande desvantagem. O jogo completo também não abrange o mesmo range de um jogo de Camalot. Um jogo de Totem equivale do “#.2” ao #2, dividido em 7 peças. Para o ES, sinto falta de um equivalente ao Camalot #3, mas pelo peso das outras, eu acho que não seria viável.

Em suma, o que posso dizer que a combinação offset e Totem Cam é perfeito para encarar várias vias em móvel com segurança e confiança por aqui. Nas minhas últimas conquistas, esses dois jogos foram ítens mandatários no meu rack. Se você estiver planejando conhecer o ES na temporada, considere esta dica!

Boa quarentena.

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Comentários

Uma resposta

  1. Totem cam e top! Sem falar nas colocações horizontais devido ao eixo flexível!

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