Começando o ano

Calogi

A primeira escalada do ano foi na semana passada em Calogi quando Afeto, Riva, Porko e eu fomos dar aquela escalada de boa sorte para 2020. A Riva começou o ano com o pé direito e já na primeira escalada do ano mandou a via “Cavalo Cansado” (VI), que até nos rendeu uma rodada de açaí “0800” na saída.

Riva na via “Cavalo Cansado” (VI).

Viana

Já no último domingo, Eric, Afeto e eu voltamos, após 10 anos (!!!), ao Capeta em Viana.

O setor do Capeta representou um importante marco na escalada esportiva capixaba, pois foi o primeiro setor a ser desenvolvido depois do Morro do Moreno (final da década de noventa), local onde nascer a escalada esportiva no Estado. Depois do Capeta (2005) veio o desenvolvimento de Apeninos/Furlan em 2010; o “redescobrimento” de Calogi no mesmo ano; Elefante e Amarelos em 2013 e mais recentemente Uliana.

Esta sucessiva onde de novas descobertas fez com que o Capeta caísse no esquecimento e o local ficasse abandonado por anos. Aliado a isso, devido as condições geológicas e ambientais, as proteções fixas, sofreram corrosão prematura, deixando as vias superperigosas.

Conheci o “Capeta” em 2017 quando estive no Estado à trabalho. Depois, quando me mudei para cá, comecei a equipar várias vias com o Baldin e o Afeto. Aliás, foi ali que começou uma mudança de cultura na escalada do Estado com a introdução das chapeletas, pois até então, todas as vias eram equipadas com grampos. Infelizmente, naquela época, por falta de conhecimento, não sabíamos que alguns gnaisses eram reativos com o aço.

Esse ano, “descobri” que a última vez que estive no Capeta foi a 10 anos. Aquilo me deu uma sensação de saudosismo, culpa e responsabilidade. Então achei por bem dar um trato nas vias. Afinal de contas, via de regra, os conquistadores têm responsabilidades sobre as vias, incluindo fazer manutenção. Está escrito no código de ética da escalada.
Mesmo sendo bastante oneroso, botei como meta 2020 arrumar todas vias condenadas do Capeta.

Também sabia que os antigos donos das terras tinham vendido a área e que os atuais donos não estavam muito satisfeitos com a atitude de algumas pessoas que por lá andavam, sejam escaladores, hikers e motoqueiros. A principal queixa deles eram as porteiras abertas ou mal fechadas, fazendo com que o gado fugisse para o terreno ao lado.

Rua sem saída.

Por isso, quando fomos lá tratamos de gastar um bom tempo conversando com os proprietários das terras, deixando eles falarem e explicar as nossas boas intenções.

Aproximação.

Feito isso, partimos para “missão” das chapeletas.
Como as vias com grampo em inox estavam boas, escalamos a “Twist Carpado” (7b) para acessar o topo e colocar uma corda fixa na via “60 segundos” (8a) que fica à esquerda. Notei, conforme esperado, que as chapas estavam bem ruins, mas não estavam totalmente condenadas, pelo menos estava aguentando o meu peso.
Substituímos as 9 chapas mais a parada da via e ainda acrescentamos uma chapa na saída para deixa-la mais segura. Depois, Afeto e eu ainda entramos na via para provar a “requipagem” sacando as costuras.

Foto: Caio Afeto.
Chapeletas antigas.
Eric quase “flashando” a Twist, quase…

Já tinha esquecido o quão incrível é essa via. Saída em placa negativa com crux definido em reglete seguido de lance constante, sem descanso, até um crux de leitura no final. Com certeza um clássico que está de volta a todos.

Afeto fazendo o test-drive da via 60 segundos.

Notei que a nova geração de escaladores, nem sabe o que é o Capeta, apesar de estar a menos de 50km da capital. A maioria dos escaladores conhece o Calogi, mas não conhece o Capeta. Em parte por causa do estado das proteções, mas agora, com essas regrampeações, espero que o point seja reativado novamente.

Croqui atualizado.

Gostaria também de pedir aos escaladores que sejam cordiais com os moradores locais, passando no bar para conversar, deixando as porteiras fechadas e gastando alguns minutos com os moradores para conversar. Assim garantiremos que outros escaladores tenham acesso livre à parede.

Força-tarefa!

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Comentários

4 respostas

  1. Eu mesmo que sou uma geração “intermediária” não conhecia a falésia e gostei muito!
    Bom descobrir novos projetos!
    Bora voltar!

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